segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

VAMO Q VAMO

"Sempre em Frente" não tem propriamente uma história. Não no sentido clássico de uma jornada cujo protagonista chega mudado ao final, depois de viver mil peripécias. EStea mais para um estudo de personagens - no plural, porque os protagonistas são dois. O mais velho é um solitário produtor de rádio adentrando a meia idade, feito por Joaquin Phoenix da maneira mais antípoda possível ao explosivo Coringa. O outro é osobrinho de nove anos do cara, obrigado a passar uma temporada com o tio enquanto a mãe cuida do pai, que teve um colapso nervoso. O adulto leva a criança de Los Angeles para Nova York, onde os dois passeiam, se divertem e brigam sem parar. O moleque é brutalmente honesto e um poço de insegurança, pois sua situação familiar está meio indefinida. Ele não tem o menor pudor de encurralar o tio com perguntas do tipo "você ainda está sozinho?". Neste filme, o diretor Mike Mills se inspira em mais um membro de sua família imediata, seu filho - os anteriores, "Toda Forma de Amor" e "Mulheres do Século 20" eram baseados, respectivamente, em sua mãe e seu pai. "Sempre em Frente" é o mais fraco do trio, mas tem linda fotografia em preto-e-branco, grandes atores e situações enternecedoras. Dá para ir.

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