segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

CARETA FRANKLIN

Há décadas que vinha se falando em uma cinebiografia de Aretha Franklin. Natalie Cole chegou a ser cotada para o papel, mas morreu antes da biografada. A própria Aretha acabou escolhendo sua intérprete, que de fato tem o physique du rôle e o vozeirão necessários. Mas a Rainha do Soul se foi em 2018, um ano antes do início das filmagens, e não viu pronto seu biopic. Tavez tenha sido melhor assim, porque "Respect - A História de Aretha Franklin" é caretérrimo. O longa de Liesl Tommy cobre os primeiros 30 anos da vida da diva, da infância à consagração absoluta, e não faltam dramas terríveis nesse meio tempo. Mas o maior dele é jogado a escanteio. Aretha teve seu primeiro filho aos 12 anos de idade e o segundo aos 14, com o mesmo homem - cuja identidade ela só revelou numa carta descoberta após sua morte. Ela odiava tocar no assunto, e "Respeito" acaba respeitando demais essa vontade, em prejuízo do espectador. A menina é abusada por um convidado das festas frequentes de seu pai, depois aparecem umas crianças, e só mais tarde vemos a garotinha grávida, sem o escândalo que tudo isso acarretaria. O próprio pai de Arteha, um pastor famoso e mulherengo, foi suspeito de ter molestado a filha. Pelo menos ele a criou em meio à realeza negra dos EUA daquela época: Arethinha circulava entre o tio Duke (Ellington), a tia Ella (Fitzgerald) e o tio Martin (Luther King). O filme vai razoavelmente bem por quase duas horas, embora sem grande momentos. Mas degringola de vez na reta final, quando gira em círculos, com a cantora indo e voltando para um marido controlador e violento. A vida real patina, é verdade, mas a dramatização não pode fazer isto. Jennifer Hudson foi indicada ao SAG Award e pode até ficar entre as cinco selecionadas pelo Oscar, na vaga deixada por Kristen Stewart, mas o filme não ajuda. Uma lenda como Aretha merecia muito mais.

3 comentários:

  1. "Mas o maior dele é jogado a escanteio. Aretha teve seu primeiro filho aos 12 anos de idade e o segundo aos 14, com o mesmo homem - cuja identidade ela só revelou numa carta descoberta após sua morte."

    Caralho! Foram frutos de violência sexual? História parecida com a de Elza Soares.
    A miséria humana se repete, que horror!

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    1. E queriam que o filme fosse um mar de
      rosas???Ah,Toninho!!!!!!

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  2. Babado pesadíssimo, será que o primogênito da Aretha era filho de seu próprio pai? Bizarro ele ser ao mesmo tempo pai e avô da criança, seria o Josef Fritzl, americano, apesar dessa triste história da gravidez precoce provocada por abuso e sendo de uma família religiosa seria um tabu abortar a criança, deve ter sido muito bom ter convivido com Martin Luther King Jr,Ella Fitzgerald,Duke Ellington, ambiente cultural muito foda, irei assistir a esse filme.

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