sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

A CASA MAIS VIGIADA DO FUTURO

Que saudades que eu estava do Jean-Pierre Jeunet. O diretor de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", um dos meus filmes favoritos, não lançava um longa nos cinemas desde 2013. Mas agora ele está de volta com uma comédia futurista, só que na Netflix. "BigBug" é um delírio visual, marca registrada de Jeunet, mas também um passo para fora de sua zona de conforto. A história se passa por volta do ano de 2050, quando andróides dominam todos os aspectos da vida humana. Ninguém mais faz trabalhos domésticos, pois as máquinas cozinham, fazem cama e limpam vômito de cachorro. Mas também estão no poder, cuidando do governo e das Forças Armadas.  Esses robôs-soldados, todos feitos pelo ator François Levantal, têm até um canal de TV só para eles, onde se divertem com programas em que humilham e machucam humanos. Não demora muito para esses milicos resolverem implantar uma ditadura, feito os que temos no Brasil. Aí começa o filme propriamente: uma família, junto com alguns visitantes, é presa em casa por seus eletrodomésticos. que só querem protegê-los. Só que os humanos querem sair, e não entendem nada do que está se passando. A casa então vira uma espécie de mini-BBB, com discussões tolas e arrufos no edredom. Nada de muito profundo ou mesmo original - a revolta das máquinas é um tema recorrente na ficção-científica - mas a direção de arte, os figurinos e os efeitos especiais fazem com que "BigBug" tenha o sabor de uma bala colorida, bem cítrica e ácida. Como todos sabemos, o futuro já começou.

5 comentários:

  1. Uhn, não sei não. Esse trailer não está ajudando.

    ResponderExcluir
  2. Off-Topic
    Li o seu ótimo artigo sobre o Burro Salles. Percebo que a maioria das pessoas não entende patavinas da Lei Rouanet. Lembro que esse ódio à tal lei começou quando a imprensa divulgou que o governo (Dilma) iria dar, por meio da Lei Rouanet, 800 mil reais para a Maria Bethânia escrever uma poesia em seu blog pessoal. Isso é real ou é fake news? Se for real é um absurdo mesmo. De qualquer forma, muita gente ficou com a pulga atrás da orelha em relação à Rouanet. Diziam que ela só ajudava medalhões... confere? Os artistas independentes nunca recebiam nada. Do jeito que está, com este governo atual, os independentes continuam na pindaíba e quem deve tá ganhando com a Rouanet são os "sertanejos" (ponho entre aspas porque de sertão eles não têm nada). A mamata mudou de mão, da MPB pro sertanejo universitário. O Mario Frias só nas viagenzinha e a cultura na merda.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não é bem assim o caso da Bethânia. Ela ia fazer um blog com 365 vídeos, um para cada dia do ano. Em cada vídeo, declamaria uma poesia. Conseguiu autorização para captar 1,3 milhão de reais pela Lei Rouanet (provavelmente, na prática, captaria muito menos). A notícia escandalizou o Brasil em 2013, e muita gente achou que essa grana iria limpa para o bolso de Bethânia em troca de apoio ao governo do PT.

      Escrevi este post na época:
      http://www.tonygoes.com.br/2011/03/o-mundo-precisa-de-bethania.html

      Anos depois, surgiu um escândalo semelhante, por causa de um livro sobre a carreira da Claudia Leitte.

      Escrevi isto no F5:
      https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/tonygoes/2016/02/10000422-a-execracao-de-claudia-leitte-obscurece-uma-discussao-necessaria.shtml

      Excluir
    2. Esses "escandalos" da Lei Raunet são semelhantes ao que acontece com algumas pessoas. Não precisa fazer nada errado, só basta parecer que vai fazer algo errado para que a pessoa ser jugalda e condenada.

      Excluir
  3. Muito obrigado por esclarecer a questão, Tony. Fiquei acreditando numa mentira por mais de 10 anos! E o texto sobre a Cláudia Leitte parece que foi escrito hoje. A polarização tá braba já faz uns par de anos!

    ResponderExcluir