segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

VAMO Q VAMO

"Sempre em Frente" não tem propriamente uma história. Não no sentido clássico de uma jornada cujo protagonista chega mudado ao final, depois de viver mil peripécias. EStea mais para um estudo de personagens - no plural, porque os protagonistas são dois. O mais velho é um solitário produtor de rádio adentrando a meia idade, feito por Joaquin Phoenix da maneira mais antípoda possível ao explosivo Coringa. O outro é osobrinho de nove anos do cara, obrigado a passar uma temporada com o tio enquanto a mãe cuida do pai, que teve um colapso nervoso. O adulto leva a criança de Los Angeles para Nova York, onde os dois passeiam, se divertem e brigam sem parar. O moleque é brutalmente honesto e um poço de insegurança, pois sua situação familiar está meio indefinida. Ele não tem o menor pudor de encurralar o tio com perguntas do tipo "você ainda está sozinho?". Neste filme, o diretor Mike Mills se inspira em mais um membro de sua família imediata, seu filho - os anteriores, "Toda Forma de Amor" e "Mulheres do Século 20" eram baseados, respectivamente, em sua mãe e seu pai. "Sempre em Frente" é o mais fraco do trio, mas tem linda fotografia em preto-e-branco, grandes atores e situações enternecedoras. Dá para ir.

DE OLHO NAS PREMIAÇÕES

Este ano não houve a cerimônia de entrega dos Globos de Ouro, e os vencedores tiveram que ser anunciados pelo Twitter. Ontem aconteceu a festa de outro prêmio importante, os SAG Awards, mas, pela primeira vez em muitos anos, o canal TNT não transmitiu nada para o Brasil. Novamente, os resultados chegaram aqui para o Twitter, em mais um anticlímax. E mostraram, mais uma vez, que o Sindicato dos Atores gosta de filmes de apelo simples, sem maiores elocubrações. "No Ritmo do Coração", a versão americana de "A Família Bélier", levou o troféu mais importante da noite, o de melhor elenco, e também o de ator coadjuvante para o até agora desconhecido Troy Kotsur. Will Smith levou o Actor (o nome da estatueta) de melhor ator por "King Richard", desbancando a performance muito mais sofisticada de Benedict Cumberbatch em "Ataque dos Cães" (que, aliás, saiu de mãos abanando). Na categoria de melhor atriz, uma zebra considerável: Jessica Chastain por "Os Olhos de Tammy Faye", o que talvez aumente suas chances no Oscar. Mas se engana quem acha que os SAG Awards são bons profetas dos prêmios da Academia. Os agraciados de uns e outros nunca são os mesmos, por mais que se repita que os atores são o maior bloco de eleitores do Oscar. Acontece que o SAG tem muito mais membros e, como eu disse antes, essa turma prefere o entretenimento à arte. Ainda não vi "Os Olhos de Tammy Faye", a cinebiografia de uma famosa pastora evangélica, mas Jessica Chastain é uma atriz soberba e merece o Oscar pelo conjunto da obra. Na verdade, ficarei feliz com qualquer vencedora, contanto que não seja de novo a fdp da Olivia Colman que roubou o Oscar da Glenn Close.

domingo, 27 de fevereiro de 2022

DOURADA E DESMASCARADA

Conheci Fishbach três anos atrás, quando sua ótima música "Mortel" tocou em uma das cenas de "You". Foi a única coisa boa que a série de Netflix me deixou, já que eu me desinteressei pela temporadas seguintes. Só agora que a francesa Flora Fishbach está lançando um novo álbum, mas a espera valeu a pena. "Avec les Yeux" é um prodígio de versatilidade. Suas 11 faixas só têm em comum a voz peculiar da moça, que soa agressiva em alguns momentos e machucada em outros. Tem rock, funk, folk, eletro-whatever, sempre da mais alta qualidade. Se você acha que seu gosto musical bate com o meu, corra já para as boas plataformas do ramo. Se não, fuja! Fuja, bee!

ME ENGANA QUE EU GOSTO

O que mais me chocou na minissérie "Inventando Anna" foi a cegueira das vítimas da vigarista. Como que ninguém googlou o nome do pai da garota, para checar se ele era mesmo um bilionário alemão? Ninguém achava estranho os cartões de crédito dela serem sempre recusados? Gente riquíssima e experiente caiu no conto de Anna Delvey, née Sorokina, pagando contas altíssimas e emprestando fortunas para ela. Não acho que a moça seja nenhuma heroína à la Robin Hood, porque a única beneficiada era sempre ela mesma, e o sofrimento causado a algumas de suas amigas foi real. Mas é verdade que a pena que ela recebeu por seus crimes, de quatro a 12 anos na cadeia (acabou saindo depois de três e meio), é menor do que a de banqueiros que cometeram fraudes muitíssimo maiores. Julia Garner, para variar, está soberba no papel-título. Essa menina é a nova Meryl Streep, e eu prevejo muitos Oscars em seu caminho (Emmys, ela já tem dois). Quem não está lá muito bem é Anna Chlumsky, que tem um repertório emocional muito menor. Mas não a ponto de tirar de "Inventando Anna" o título de uma das melhores minisséries do ano. Tem glamour, tem humor, tem locações no Marrocos, e ainda levanta uma das discussões mais necessárias de hoje: o poder das redes sociais em moldar a realidade e alterar comportamentos. Pois é, Shonda Rhimes acertou de novo.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

O PALHAÇO QUE VIROU GIGANTE

A Ucrânia cometeu uma dessas bobagens que só a democracia permite. Elegeu como presidente um sujeito sem a menor experiência em administração pública, na crença imbecil de que todos os políticos profissionais são ruins. A história de Volodimir Zelenski parece o roteiro de um filme. Ele era um comediante famoso, que interpretava um professor numa série de TV. O personagem grava um vídeo em que desabafa contra a corrupção, o troço viraliza e ele acaba eleito para o cargo mais alto do país. O nome do programa era "O Servo do Povo", que acabou batizando também o partido de Zelenski. Dizem que por trás dele estaria o bilionário dono da estação de TV. Se fosse no Brasil, digamos que Danilo Gentili ganharia as eleições com o apoio de Silvio Santos (vira essa boca pra lá). O despreparo de Zelenski fez com que a imprensa ocidental risse dele sem parar, mas acho que chegou a hora de mudar de ideia. O presidente da Ucrânia ainda está em Kiev, junto com o povo que não consegue sair de lá, como um capitão que não abandona seu navio. Teve ofertas dos EUA para fugir, mas recusou todas. Dá para imaginar o Mijaír fazendo o mesmo? Se houvesse guerra por aqui, o Genocida se escafederia no primeiro segundo, covardão que é. A bravura insuspeita de Zelenski faz ele ficar gigante perto do canalha do Putin. O autocrata russo criou um desastre de relações públicas. O míssil que atingiu um prédio residencial irá para sua conta. A resistência dos ucranianos também o surpreendeu: a invasão não está sendo o passeio esperado, e uma ocupação pode ser pior que a do Afeganistão, que os russos abandonaram depois de 10 anos. Se Putin matar ou prender Zelenski, criará um mártir e ainda terá o ódio redobrado do Ocidente. A médio prazo, ele irá se arrepender dessa guerra estúpida.

TAIS-TOI, MAINTENANT! TAIS-TOI!

Ontem à noite aconteceu a 47a. cerimônia de entrega dos prêmios César, o Oscar francês. Os favoritos foram confirmados: "Ilusões Perdidas" levou sete troféus, incluindo melhor filme, e "Annette" ficou com cinco. A homenageada da noite foi Cate Blanchett, que recebeu seu César d'Honneur das mãos de sua amiga Isabelle Huppert, com quem fez "As Criadas", de Jean Genet, em Sydney. Cate foi tão ovacionada que precisou pedir para a plateia calar a boca, mas cometeu um errinho em francês: o mais correto seria dizer "taisez-vous", não "tais-toi". Este momento está na altura dos 9'18" do vídeo acima, cujo áudio está bem zoado: tem eco o tempo todo. Se eu achar um melhor, eu troco.

Minha querida banda Sparks foi esnobada pelo Oscar. A canção "So May We Start" ficou entre as 15 semifinalistas de sua categoria, mas acabou não sendo indicada. A revanche aconteceu ontem: o Sparks tocou "So May We Start" no palco e ainda ganhou o César de melhor trilha original por "Annette". Muito fofo ver o Russell Mael tentando falar francês.

O prêmio de melhor atriz foi para Valérie Lemercier, a comediante mais popular da França. Ela escreveu, dirigiu e estrelou "Aline", uma sátira da vida de Céline Dion que foi indicada em 10 categorias no César (só levou uma). Valérie interpreta um avatar da cantora canadense em todas as idades, com a ajuda da computação gráfica, e ainda capricha no sotaque québequois. A crítica adora o filme; a família e os empresários de Céline Dion, nem tanto. "Aline" estreia em abril nos EUA. Torço para que também chegue por aqui, nem que seja no sob demanda.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

EUROVEXAME

Em 2009, a Geórgia foi desclassificada do Eurovision antes mesmo do festival começar. O pequeno país do Cáucaso inscreveu uma música chamada "We Don't Wanna Put In", o que não faz muito sentido em inglês mas é um protesto ao autocrata russo. Menos de um ano antes, a Geórgia foi invadida pela Rússia porque queria entrar para a OTAN, e perdeu um naco de seu território, transformado em "repúblicas" independentes. Ou seja: eles tinham todas as razões para reclamar de Vladimir Putin. Mas a organização do Eurovision, que se vende como um evento apolítico, não quis nem saber. A Geórgia rodou e a Rússia ficou.

Ontem o Eurovision chocou meio mundo ao anunciar que, apesar da invasão da Ucrânia e das centenas de mortos até o momento, a Rússia poderia participar da próxima edição do festival, que acontece em maio na Itália. Mais uma vez, alegou que não se mete em política. Pegou mal pra caralho. Suécia e Finlândia avisaram que não competiriam mais, e outros países foram pressionados a aderir ao boicote. Hoje o Eurovision finalmente cedeu, escapando assim de um vexame histórico. A Rússia, que nem havia ainda escolhido seu representante, está banida este ano. Deveria ser banida para sempre. Não faz sentido um dos países mais homofóbicos do mundo competir na celebração mais viada do planeta.

E vamos dar uma força para a Ucrânia? "Stefania", da Kalush Orchestra, é a candidata do país este ano, e uma curiosa mistura de rap com folclore. Não é nenhuma maravilha, mas, por mim, já levou douze points.

A CASA MAIS VIGIADA DO FUTURO

Que saudades que eu estava do Jean-Pierre Jeunet. O diretor de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", um dos meus filmes favoritos, não lançava um longa nos cinemas desde 2013. Mas agora ele está de volta com uma comédia futurista, só que na Netflix. "BigBug" é um delírio visual, marca registrada de Jeunet, mas também um passo para fora de sua zona de conforto. A história se passa por volta do ano de 2050, quando andróides dominam todos os aspectos da vida humana. Ninguém mais faz trabalhos domésticos, pois as máquinas cozinham, fazem cama e limpam vômito de cachorro. Mas também estão no poder, cuidando do governo e das Forças Armadas.  Esses robôs-soldados, todos feitos pelo ator François Levantal, têm até um canal de TV só para eles, onde se divertem com programas em que humilham e machucam humanos. Não demora muito para esses milicos resolverem implantar uma ditadura, feito os que temos no Brasil. Aí começa o filme propriamente: uma família, junto com alguns visitantes, é presa em casa por seus eletrodomésticos. que só querem protegê-los. Só que os humanos querem sair, e não entendem nada do que está se passando. A casa então vira uma espécie de mini-BBB, com discussões tolas e arrufos no edredom. Nada de muito profundo ou mesmo original - a revolta das máquinas é um tema recorrente na ficção-científica - mas a direção de arte, os figurinos e os efeitos especiais fazem com que "BigBug" tenha o sabor de uma bala colorida, bem cítrica e ácida. Como todos sabemos, o futuro já começou.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

TRAUMATISMO UCRANIANO

Começou a guerra. Aquela que o Biden vinha avisando há dias que iria começar, e pouca gente deu bola. A que o Putin jurou que não iria fazer, mas fez. As desculpas do autocrata são as mais esfarrapadas possíveis: segundo ele, foi a Ucrânia quem começou as agressões, e é preciso "desnazificar" o país. Talvez agora o mundo se dê conta de que o ex-chefão da KGB é o mais próximo que temos de um vilão de filme de James Bond. Putin não quer só se eternizar no poder, mas destruir o que puder da democracia no mundo. Os russos já interferiram nas eleições de mais de 40 países, e este ano tentarão interferir nas do Brasil. O cara manda matar adversários políticos, controla a mídia e "defende a família", a senha para a homofobia. Mas não consegue elevar o padrão de vida de seus cidadãos depois de mais de 20 anos no comando, nem modernizar a economia da Rússia. Quando o petróleo e o gás acabarem, o que será do maior país do mundo? Agora resta ver como Ocidente irá reagir. Ninguém quer a 3a. Guerra Mundial, mas, sem uma resposta à altura, Putin é capaz de abocanhar a Ucrânia inteira.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

NÃO PODEMOS

Foi dada a largada para a campanha eleitoral. Hoje a televisão exibiu o primeiro comercial de um partido, o Podemos de Sergio Moro. O ex-juiz não é apresentado como candidato a nada, deixando a porta aberta para ele concorrer a senador ou deputado. Mas o que realmente me chamou a atenção, pela enésima vez, foi a ruindade do ex-ministro em frente à câmera. Coitado do marqueteiro, coitado do fonoaudiólogo. Vão jogar trabalho fora, até porque Moro tem poucas chances. Mas pelo menos ele não é pior do que o Bozo diante de um teleprompter. Ninguém é pior.

(assista aqui ao comercial, que o Podemos esqueceu de subir no YouTube)

A SAÚDE NO CALDEIRÃO

Cada vez eu gosto mais do Marcos Mion. Além de considerá-lo o melhor apresentador da atualidade, também venho me encantando com seus posicionamentos. Sem ser abertamete político, Mionzera deu uma estocada daquelas no desgoverno Biroliro, que tem entre os planos e saúde alguns de seus maiores apoiadores. No vídeo acima, ele explica com clareza e didatismo o julgamento que está em curso neste momento no STJ, e acabou viralizando. Tomara que, junto com as mães que se acorrentaram em frente ao tribunal, esse esforço sirva para que esse descalabro seja arquivado de uma vez por todas. Saúde é para todos.

(Enquanto eu escrevia este post, saiu a notícia de que o julgamento da cobertura obrigatória foi adiado novamente. Suspeito que alguns juízes do STJ estejam impressionados com a onda negativa que está se formando na opinião pública.  Será que vão tentar ficar bem na foto?)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

COINCIDÊNCIA OU NÃO

Biroliro ainda nem havia deixado o Brasil quando Putin se disse disposto a negociar uma saída diplomática para o imbróglio na Ucrânia. Talvez tenham sido as emanações de amor e paz do Genocida que tenham entrado fundo no coraçãozinho do autocrata russo. Coincidência ou não, foi só o Bozo voltar ao Brasil para Putin invadir a região de Donbass e questionar o direito de existir da Ucrânia. O poder das vibrações positivas do Edaír só é menor que sua capacidade de passar vergonha. O Brasil, que já teve uma das melhores políticas externas do mundo, agora é pior do que pária internacional: é uma piada. Menos para o gado, que segue acreditando nos poderes milagrosos do Arruaceiro.

LEGALIZADO, SEGURO E RARO

Fiquei contente com a descriminalização do aborto na Colômbia. O segundo país mais populoso da América do Sul agora se junta ao México, à Argentina e ao Uruguai, onde interromper uma gravidez não é mais crime. Isto não quer dizer que eu ache o aborto sensacional, como o pessoal que é contra costuma pintar os pró-escolha. Acontece que não adianta criminalizá-lo. A mulher que quiser muito abortar sempre vai dar um jeito. As mais ricas conseguem fazê-lo em clínicas particulares; as pobres, que se virem com garrafadas e cabides de arame. Por isto que eu concordo com Hillary Clinton. A ex-candidata à presidência dos EUA diz que o aborto deveria ser legalizado, seguro e raro. Isto quer dizer que ele é um recurso de última instância. Para não chegar a este ponto, é preciso, antes de mais nada, educação sexual nas escolas e acesso aos métodos contraceptivos. É ilusório achar que campanhas pela castidade funcionam. Os estados americanos que adotam essa tática são justamente os que têm mais casos de gravidez na adolescência. A molecada vai transar, queiramos ou não. Melhor que transem com segurança e plena consciência. Infelizmente, pelo jeito, essa descriminalização ainda vai levar uma cara para acontecer no Brasil.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

O PIOLHO DA RAINHA

Depois de evitar a Terceira Guerra Mundial na semana passada, esta semana Biroliro salvou a rainha Elizabeth 2a. Pelo menos é o que o gado anda mugindo nas redes sociais, depois da Carla Zambelli postar que a monarca está se tratando da Covid com ivermectina. Já foi provado que não é nada disso, mas para essa turma pouco importa. Sem nada de positivo para mostrar, a minionzada perdeu o pudor de atribuir milagres ao Minto. Aguardem: semana que vem ele irá andar sobre as águas e descobrir o segredo da vida eterna.

HAVE A NISE DAY

Quero manifestar meu total apoio à candidatura da dra. Nise Yamaguchi. A mais notória dos médicos que rasgaram o Juramento de Hipócrates e apoiam sem ressalvas o fictício tratamento precoce contra a Covid-19 vai concorrer à única vaga do Senado por São Paulo que estará em disputa este ano. E justo pelo PTB, que se tornou uma caricatura da extrema-direita depois que o corrupto Roberto Jefferson andou atacando os gays e posando de fuzil na mão. Tremo só de pensar no tamanho da mosca azul que mordeu Nise e outros cretinos, como Abraham Weintraub, que sonha com o governo de SP. Nenhum deles será eleito, mas servem para dividir o eleitorado reacionário. Janaína Paschoal, a uma hora dessas, deve estar se revirando em sua tumba.

domingo, 20 de fevereiro de 2022

TRÊS FILMINHOS PARA O OSCAR

Durante décadas a fio, a categoria de melhor documentário em curta-metragem do Oscar era a mais inacessível de todas. Os filmes não eram exibidos sequer nos Estados Unidos, que dirá no Brasil. Aí chegou o streaming e tudo mudou. Este ano temos três indicados dando sopa na Netflix. Nenhum me pareceu muito interessante, mas eu vi todos porque não bato bem.  Um deles, "Audible", conta a história de um jovem jogador de futebol americano de uma escola de surdos. O time perde sua primeira partida depois de 42 vitórias consecutivas e todo mundo entra em crise. Para piorar, o melhor amigo do protagonista se enforcou com apenas 16 anos, e ele ainda não superou o luto.  O melhor do filme acaba sendo a edição de som, que traz vários momentos de silêncio.
"Três Canções para Benazir" está mais para matéria do "Fantástico" do que cinema. Um rapaz que vive num campo de refugiados em Cabul sonha em ser o primeiro de sua tribo a se alistar no mal-ajambrado exército do Afeganistão. Mas o coitado é analfabeto, e os líderes da sua aldeia se recusam a preencher para ele a papelada necessária. A Benazir do título é a mulher do cara, para quem ele vive cantando. Este foi o curta de que eu menos gostei, mas, segundo os sites especializados, é o favorito ao prêmio. Suspiro.
O melhor para mim é "Onde Eu Moro", que aborda um tema urgente porém não muito original: o drama dos sem-teto. Codirigido por Pedro Kos, o único brasileiro que concorre a um Oscar este ano, o filme entrelaça histórias de moradores de rua de Los Angeles, São Francisco e Seattle. A mais angustiante é a de uma mulher que foi estuprada pelo ex-marido, engravidou e ainda foi para o olho da rua com mais dois outros filhos pequenos. Dá para argumentar que a situação no Brasil é ainda mais grave, e há tanto tempo que eu me sinto quase anestesiado. Mas nada como reavivar a indignação com um um filme realmente bom.

BAHIA ONIPRESENTEMENTE

Quero muito ouvir mais música brasileira, mas não consigo. A enxurrada de sertanejo reacionário e funk pornográfico torna difícil encontrar coisas realmente boas. Para variar, quem me salvou foi a Bahia. É de lá que vêm três lançamentos que, se não são todos formidáveis, pelo menos estão muito acima da ruindade que se apossou da MPB. O mais impactante é "QVVJFA" ("quantas vezes você já foi amado?"), o novo álbum do Baco Exu do Blues.  Confesso que nunca tinha dado muita atenção ao moço, mas agora me arrependo. Ele usa samples de maneira inventiva e, pelo menos aqui, o romance passa à frente da política - só as faixas finais são mais agressivas. "Lágrimas", com uma gravação antiga da Gal, ficou linda. Mas faltou uma edição mais aprimorada. Os fade outs são abruptos e ninguém pensou no álbum como um todo, não como um amontoado de faixas avulsas.
Pelo sotaque, eu achei que Agnes Nunes não fosse baiana. De fato, ela nasceu no interior da Bahia e foi criada no sertão da Paraíba. Mas seu som tem muito pouco de regional. Produzido pelo DJ chileno Neo Beats, "Menina Mulher" é lounge do começo ao fim, com suaves batidas eletrônicas embalando a voz delicada de Agnes. Pena que a minha favorita, "Oração", ainda não tenha clipe.
 
Um pouco mais de eletrônica faria muito bem a "Pra Gente Acordar", o álbum de estreia dos Gilsons. O trio formado por um filho e dois netos de Gilberto Gil me encantou com "Love Love", gravada em 2021 com o DJ Farof, aham, Alok. Mas este trabalho soa todo acústico, quase atemporal, e, se não tem um hit óbvio, é perfeito para se ouvir deitado numa rede à beira-mar.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

MAUS TEMPOS DO IMPERADOR

O assunto do dia é o laudêmio, aquela taxa de 2,5% que os descendentes da família imperial recebem por todas as transações imobiliárias em Petrópolis. Muita gente está descobrindo só agora que ele existe, mas foi criado por D. Pedro II em meados do século 19 e  mantido pela República como uma forma de reparação aos então recém-destronados. Vale lembrar que o golpe militar de 1889 confiscou todos os bens e imóveis dos Bragança, e que o ex-imperador morreu num hotelzinho em Paris sustentado por alguns amigos, já que não o deixaram levar nada além de muita mágoa. Também é interessante comparar as posturas dos dois ramos da casa imperial brasileira. O de Petrópolis, o mais direto, tem em d. João Henrique,  o d. Joãozinho, seu membro mais visível. Fotógrafo engajado em causas ecológicas, ele diz hoje na Folha que todos sabem quem são os culpados pela tragédia na serra e que a enfiteuse é uma prática ultrapassada que deveria acabar. Detalhe: a taxa toda vai para seu ramo da família, mas é lenda que ninguém lá trabalhe e que todos vivam no luxo. Já o ramo de Vassouras tem no sinistro d. Bertrand seu porta-voz. Além de se declarar o herdeiro legítimo do hoje inexistente trono brasileiro, ele e seu irmão d. Luís foram criados pela TFP e se transformaram em dois carolas reacionários. A carta que ele dirige à população de Petrópolis é patética: termina oferecendo orações, mais nada. É uma sorte que essa turma nunca tenha reinado. De qualquer forma, seria por pouco tempo. Bertrand e Luís fizeram voto de castidade.

(Para quem quiser mais sobre o laudêmio e a enfiteuse, aqui vão dois ótimos fios no Twitter, o do Christian Lynch e o do Sergio Tuthill Stanicia)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

EDWARD AND MONICA

O que será uma pizza de alcaçuz? Ela existe em algum lugar do planeta? Ou é uma metáfora, sei lá, para duas coisas que não combinam? "Licorice Pizza" não explica - aliás, não menciona a bizarra iguaria uma única vez. O filme é uma surpreendente comédia romântica de um diretor que costuma pegar muito mais pesado, Paul Thomas Anderson. O roteiro parece uma versão americana de "Eduardo e Mônica": um rapaz de 15 anos se apaixona por uma garota de 25, ela acha uma certa graça nele e lá se vão mais de duas horas de chove-não-molha até alguém se decidir. Uma certa limada no roteiro pegaria muito bem, porque há episódios em excesso. O que tem Sean Penn e Tom Waits, por exemplo, é perfeitamente dispensável, apesar de engraçado. Também me parece injusto PTA ter sido indicado ao Oscar de direção, tomando a vaga de Denis Villeneuve, que enfrentou um desafio muito maior com "Duna". Mas nada disso impede que "Licorice Pizza" seja agradável. A dupla de protagonistas estreantes, Cooper Hoffman (muito parecido com o pai, o finado Philip Seymour Hoffman) e Alana Haim (da banda de rock Haim), são duas grandes revelações. Some-se a isto os cabelóns e modelitos dos anos 70, a trilha sonora matadora e a despreocupação da juventude, quando o maior problema é telefonar para a pessoa amada, e temos um filme gostosinho feito uma pizza.

JUSTA PERSEGUIÇÃO

"Perseguição", assim como "preconceito", é uma das palavras usadas mais erroneamente da língua brasileira. Já ouvi alguém dizer que tinha preconceito contra unhas sujas, o que é absurdo - o preconceito é sempre injustificado. Já a perseguição pode ser perfeitamente justa, apesar do perseguido sempre reclamar. É o caso do Monark, que hoje foi choramingar no Twitter porque foi suspenso pelo YouTube. Nunca é demais lembrar que esse palerma disse que "quem quiser ser anti-judeu, tem o direito de ser anti-judeu". Não só merece ser banido de TODAS as redes sociais como também processado na Justiça e obrigado a fazer um curso intensivo sobre o que foi o Holocausto. No mais, acho que o nosso debate dos últimos dias está equivocado. Não se trata de discutir se o Brasil deveria seguir a lei americana, que garante uma liberdade de expressão quase absoltua, ou a alemã, que bane o nazismo, seus símbolos e sua difusão. O que precisamos mesmo é entender porque deixamos imbecis feito o Monark se tornarem vozes influentes, com milhões de seguidores e nenhum preparo intelectual.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

ORBÁN-DIDO

Rompi com alguns amigos gays que votaram no Mijaír. Mas não bloqueei todos no Facebook, e de vez em quando eu dou uma espiada nos perfis deles para ver se mudaram de ideia. Tem um que não se manifesta mais sobre o assunto, mas outro - que está chegando aos 50 anos sem ter se assumido para a família - virou um minion raivoso, atacando as vacinas e espalhando fake news. Queria saber se ele continuaria assim se o Genocida conseguisse fazer por aqui o que Viktor Orbán anda fazendo na Hungria. Lá, está na constituição que família só pode ser composta por marido e mulher. Pessoas transgênero não podem mudar de nome oficialmente e homossexuais são proibidos de adotar crianças. Na manhã de hoje, em visita a Budapeste, Biroliro chamou Orbán de "irmão" e o saudou com um lema fascista. Pena que esta linda amizade pode estar no fim. Depois das quedas de Trump e Netanyahu,  o autocrata húngaro pode ser o próximo a cair, nas eleições de abril.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

O GENERAL EM SEU LABIRINTO

É grave que um general assuma um cargo na diretoria do Tribunal Superior Eleitoral. Nenhuma democracia que se preze delega às Forças Armadas a supervisão de suas eleições. Agora, mais grave ainda é o dito general desistir poucos meses antes da posse. Fernando Azevedo, que foi demitido pelo Bozo do ministério da Defesa, alegou razões pessoais, pois teria um sério tratamento de saúde pela frente. Pode ser verdade, mas também pode não ser. Meu medo é que esse milico, que parecia garantir a lisura das eleições de outubro, tenha sido pressionado por seus pares golpistas a deixar o caminho livre para o Biroliro. Não é segredo nenhum que o Genocida tentará de tudo para desrespeitar o resultado das urnas, que apontam para sua derrota fragorosa. Fernando Azevedo seria um empecilho. Sem ele, fica mais fácil gritar "fraude!" e incitar o gado a se rebelar. Deus queira que eu esteja errado, mas não sei não. Não sei não.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

JABOR É PROSA

Eu só tinha 18 anos quando vi "Tudo Bem" no cinema, mas percebi na hora que estava diante de uma obra-prima. Arnaldo Jabor conseguiu resumir o Brasil inteiro num apartamento em Copacabana. Queria rever o filme agora: desconfio que ele continua atual, mais de 40 anos depois. Passaram-se três anos e Jabor mais uma vez me derrubou. Eu vivia meu primeiro pé na bunda quando assisti a "Eu te Amo", e parecia que cada diálogo havia sido escrito especificamente para o meu caso. Em 1986, Jabor meio que refez seu próprio longa, depurando-o e transformando-o em "Eu Sei que Vou te Amar". A esses três sucessos de crítica e bilheteria, antecederam duas outras obras-primas que eu não vi até hoje, "Toda Nudez Será Castigada" e "O Casamento".  Que outro cineasta brasileiro fez cinco grandes filmes em seguida, com todos eles dando lucro? Ainda assim, Jabor passou 24 anos sem lançar um novo longa. mesmo com o absurdo desmonte da Embrafilme durante o governo Collor, é incrível que ninguém tenha investido num projeto de um dos nossos maiores e mais rentáveis cineastas. Sem dinheiro para pagar as contas, Jabor se aventurou em 1991 pelo jornalismo, essa mina de ouro, e encontrou uma nova carreira depois dos 50 anos de idade. Brilhou em colunas de jornais e depois explodiu como comentarista dos telejornais da Globo. Era enfático, teatral, sempre com um raciocínio claro, mesmo que não se concordasse com ele (eu concordava sempre). Arnaldo Jabor nasceu para as câmeras, atrás e em frente a elas, e ainda escreveu best-sellers e a letra de um hit de Rita Lee, "O Amor e o Sexo". A cultura brasileira, já tão açoitada, encolhe mais um pouco sem ele.

FALTOU COMBINAR COM OS RUSSOS

Foi no domingo à tarde que a tensão entre Rússia e Ucrânia começou a desanuviar. Putin negou mais uma vez qualquer plano de invasão e se disse disposto a renegociar; os ucranianos retrucaram que não pensam mais em entrar para a OTAN, eliminando assim o principal pomo da discórdia. Biroliro embarcou na segunda para Moscou. Chegou hoje e ficará trancafiado no hotel até amanhã, quando finalmente se encontrará com Putin - provavelmente, naquele mesão quilométrico, porque o autocrata russo tem pânico de se contaminar e o Genocida é um notório negacionista. O Itamaraty teme que o Bozo fale alguma besteira em relação à Ucrânia, e o brifou para se ater à pauta econômica. Mesmo assim, a gadosfera já está saudando o Mijaír como um emissário divino, que viajou para garantir a paz no mundo. Ricardo Salles teve o desplante de postar a capa ao lado, tão absurda que teve até minion questionando se era mesmo real. Talvez eles já tenham aprendido que a revista Time não publica manchetes em português? Ou que o prêmio Nobel só é divulgado em outubro, mas aí já é querer demais. Para essa turma, talvez fosse caso para canonização. Afinal, o Pau Fino não precisou nem sair do Brasil para evitar a guerra. Fez tudo por telepatia.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

EITA FAKEADA MAL DADA

Neste fim de semana, circulou na internet o boato de que existe um vídeo em que Adélio Bispo "confessa" que o PT foi o mandante da facada que ele deu no Biroliro em 2018. Seria o tal do "fato que vai nos salvar" que o Despreparado andou trombeteando. Até petistas compraram a história, que chegou a galgar os trending topics do Twitter. Houve quem lamentasse que, sob tortura, qualquer um confessa qualquer coisa. Outros juraram que o partido já sabia disso há muito tempo e que até já tinha uma cópia do tal vídeo. Só que... não existe vídeo nenhum. O que há é a total falta de argumentos do birolismo para se manter no poder. O desgoverno não tem sucessos a comemorar. A economia vai à matroca, a pandemia se arrasta e os minions ainda insistem numa campanha suicida contra a vacinação. Restam as ameaças imaginárias e o recurso à emoção barata. Mas é duvidoso que o atentado que comoveu parte dos brasileiros quatro anos atrás  tenha o mesmo efeito agora, depois que caiu a máscara do Genocida. Gente demais perdeu parentes e amigos para a Covid. Gente demais está passando fome. Resta ao Carluxo apelar para a ignorância, mas quem parece mesmo ignorante é ele. Tadinho: se não agradar ao papi, o cinto vai cantar em seu lombo.

HIP-HOPERA

Nunca fui grande fã de hip-hop. Mesmo assim, larguei tudo o que eu estava fazendo para assistir ao show do intervalo do Super Bowl, por volta da 10 da noite de ontem. O que me interessa é o espetáculo grandioso que a tecnologia de ponta e muito dinheiro conseguem fazer em menos de 15 minutos. Performances anteriores como as de Madonna, Lady Gaga, Beyoncé e Shakira & Jennifer Lopez entraram para a história. O deste ano reuniu Dr. Dre, Snoop Dogg, Mary J. Blige, Eminem e Kendrick Lamarr, e ainda teve participação surpresa do 50 Cent. Não sei se entendi direito o conceito visual: cinco casinhas separadas, uma para cada artista, que só se juntaram no final. Foi menos apoteótico do que outras vezes, mas foi interessante. E com coreografias sensacionais, embora nada seja mais cool do que o Snoop Dogg sambando miudinho. Ainda teve o branco Eminem desafiando a NFL e se ajoelhando para homenagear Colin Kaepernick, o jogador que inaugurou em 2017 os protestos em campo contra a violência policial contra os negros. Não basta não ser racista: tem que ser antirracista.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

A MÉDIO VAPOR

Li "Morte no Nilo" durante a fase Agatha Christie que durou toda a minha adolescência, e depois vi o filme de 1979. Mesmo assim, quem disse que eu lembrava quem era o assassino? Não sabia nem quem morreu, tão cheio anda o meu HD mental. Por isto fui ver a versão do Kenneth Branagh praticamente virgem, pronto para me deixar enredar pela trama sinuosa. Só que não rolou. O crime acontece quando o longa já vai pela metade, e é resolvido na hora seguinte sem enormes surpresas. O que vale o ingresso é o elenco estrelado, os figurinos esplendorosos e o Egito da década de 30 recriado no computador. Quase toda a ação se passa a bordo de um navio turístico, que sobre e desce o Nilo com a languidez de um faraó depois do coito. A fauna de passageiros foi atualizada: agora há uma cantora negra e sua sobrinha e um casal de sapatonas, além de uma milionária que não existia no original. O cruzeiro deveria ser a plácida lua de mel de uma rica herdeira e o marido que ela roubou de sua melhor amiga. O problema é que essa amiga resolveu ir junto, para estragar a felicidade dos pombinhos. No meio disso tudo está Hercule Poirot e seu bigode duplo, que ganha uma história de origem no prólogo em preto-e-branco. E, no papel da ricaça, Annette Bening , ostentando com orgulho um rosto sem um único procedimento estético. Sem falar nas barcomoças, que usam shortinhos improváveis para a época... "Morte no Nilo" é um banquete sem muita substância, mas Branagh terá em breve uma nova chance de nos saciar. Daqui a um mês estreia "Belfast", seu drama autobiográfico indicado a sete Oscars.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

A ADVOGADA DOS DIABOS


"Ozark" entrou na reta final e eu me dei conta de que, apesar de ter gostado muito das duas primeiras temporadas, ainda não tinha visto a terceira - disponível na Netflix há apenas dois anos... Decidi me atualizar, e estou mais uma vez fascinado com a qualidade desse descendente de "Breaking Bad". Roteiro intrincadíssimo, mas sem uma única ponta solta, além de atores formidáveis, mesmo nos menores papéis. Quem me impressiona sobremaneira é a inglesa Janet McTeer, que eu vi no teatro em Londres fazendo "O Deus da Carnificina". Ela já foi indicada ao Oscar duas vezes, mas não virou uma estrela de cinema. Talvez por ser meio grandalhona e não exatamente bonita. Não faz mal: o que importa é que ela faz a diabólica advogada Helen Pierce com fogo nos olhos.

VAI TRABALHAR, VAGABUNDO

É notório que quase todos os asseclas de Biroliro preferem produzir factoides do que trabalhar para valer. Talvez o maior vagabundo deste desgoverno seja Sergio Camargo, que, ao invés de defender a cultura negra no comando da Fundação Palmares, fica soltando posts ofensivos como este ao lado, que causou comoção nas redes sociais. O objeitvo, claro, é se cacifar junto ao gado para as eleições de outubro. Vai ser duro se destacar entre as dezenas de candidatos que disputam o voto bovino, por isto o descalabro só tende a aumentar. Com esse congestionamento de aspirantes a deputado, é provável que bem poucos se elejam. Ainda mais se vazarem certos detalhes de suas vidas pessoais que eles preferem esconder.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

OLHOS GULOSOS

A gente tem a sensação de que os restaurantes existem desde o Império Romano, mas o que havia antes do século 18 eram estalagens onde se comia o que houvesse na panela e se bebia com uma puta no colo. Foi pouco antes da Revolução Francesa que surgiram em Paris lugares mais limpinhos e organizados, com cardápios escritos e mesas separadas. Um deles servia uma certa sopa restauradora (potage restaurant), que acabou dando nome a esse novo tipo de estabelecimento. Não dá para dizer qual desses lugares foi o primeiríssimo, mas o filme francês "Delicioso" conta a história de um pioneiro imaginário. Tão inovador que foi lá que se criou o pão fatiado, as batatas fritas, o prato de queijos e os doces como o arremate de uma refeição (antes não havia o conceito de sobremesa). Esse proto-restaurante é criado por um chef talentoso, que perde seu emprego no castelo de um duque depois de criar  um salgadinho que não agradou a um convidado importante. Fui assistir esperando me extasiar com cenas de food porn explícito, mas esse festim para os olhos ocorre poucas vezes. O que há é uma trama folhetinesca de vingança e redenção, às vésperas da queda da Bastilha. Até gostei, mas não saí com fome.

ROLANDO LÁ NO FUNDO

Adele parece ser uma moça bem-comportada em seus discos, sempre choramingando por algum amor que não deu certo. Mas quem já a viu no palco sabe que a rainha britânica da sofrência é uma tremenda boca suja e amiga da birita. Por isto, não chega a ser uma surpresa vê-la se arriscando no pole dancing numa boate gay de Londres. Rica, livre e mais linda do que nunca, Adele tem mais é que deitar e rolar.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

A FRIA QUE ESPERA POR ELE

Mario Frias está destruindo o que pode na Secretaria da Cultura. Baixou drasticamente os cachês pagos aos artistas que tenham projetos aprovados via Lei Rouanet, par delírio do gado que muge "acabou a mamata". Também determinou que nenhum projeto beneficiado pela lei estreie sem sua autorização explícita - o que é provavelmente ilegal, pois se trata da volta da censura. Frias se desencompatibiliza do cargo em março, para concorrer a deputado federal ou estadual em outubro. Quero ver ele explicar a seus eleitores porque gastou 39 mil reais numa viagem de classe executiva a Nova York para discutir uma ideia do lutador de jiu-jítsu Renzo Gracie, notório birolista. Talvez ainda não tivessem inventado o Zoom em dezembro?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

NAZISMO, NAZISMO, TCHAU, TCHAU

Na tarde de ontem, quando surgiu a notícia de que Monark havia sido desligadp dp Flow, a internet reagiu de imediato: vai ser contratado pela Jovem Pan. Sô que não. No mesmo dia, a emissora demitiu Adrilles Jorge, que se despediu depois de um comentário dando um tchauzinho que pode ser tranquilamente interpretado como um arremedo de sieg heil. Isto quer dizer o ex-BBB é simpatizante do nazismo? Não, ele é só despreparado mesmo. Adrilles e Monark, do fundo de suas ignorâncias, são úteis para os verdadeiros nazistas, pois servem de conduto para ideologias assassinas. Acham que tudo é liberdadezinha de expressãozinha, e que estão sendo cancelados porque o mundo é marvado. Agora os dois devem abrir seus próprios canais no YouTube, já que nenhum grande veículo os quer. Essa turma já devia ter aprendido que no Brasil dá até para ser racista que tudo bem, mas mexer com o nazismo - e com a poderosa comunidade judaica - é a maneira mais rápida de perder patrocínio, emprego e reputação, Que o diga Roberto Alvim, de quem nunca mais se ouviu falar. Mas a verdade é que não tem muito como esses idiotas úteis aprenderem. Afinal, são todos idiotas.

(mais sobre Adrilles Jorge e a Jovem Pan na minha coluna no F5)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

CAIU DA BICICLETA

Certas coisas deveriam ser consensuais, e não abertas à discussão. Tipo, a Terra é redonda. Existe racismo no Brasil. O nazismo é uma ideologia abjeta. Mas a internet acabou com isso, ao dar voz a milhões de imbecis. Alguns até ficaram ricos por proferir imbecilidades, como Bruno Aiub, mais conhecido como Monark. O co-apresentador do podcast Flow já deu no ar um sem-número de declarações homofóbicas, racistas e machistas, esquecendo-se que não está numa mesa de bar. O mais escandaloso é que ele atrai patrocinadores, cujos olhinhos brilham diante dos números da audiência e se fecham quanto ao conteúdo do programa. Mas agora Monark finalmente levou um tombo. Depois de defender a existência de um partido nazista legalizado no Brasil, o sujeito virou radioativo. Marcas não querem mais ter vínculos com ele e antigos convidados pedem para que seus episódios sejam retirados do ar. Se eu fosse a fábrica de bicicletas Monark, inclusive, meteria-lhe um processo. Apavorado com a súbita debandada, o ignorantão pediu "compreensão" por estar bêbado, ao mesmo tempo em que choraminga por estar sendo cancelado. Compreensão? O Flow é o trabalho dele. Experimente ir ao trabalho embriagado para ver o que acontece. Não tenho mais paciência com essa escória, nem com os eventuais comentários que vierem defendê-lo. Vão ser todos sumariamente recusados, porque este blog é contra a incitação à violência e a manutenção de preconceitos disfarçadas de liberdade de expressão.

ATUALIZAÇÃO: Monark foi demitido dos Estúdios Flow. Que bom, mas ainda é pouco. Ele agora precisa ser processado, porque defender o nazismo é crime segundo a legislação brasileira.

FRIENDS COM AUTISMO

Passei anos sem saber que existe um espectro de autismo. Para mim, autistas eram só os casos mais extremos, que quase não interagem com o resto do mundo. Foi só a partir do filme "Rain Man" que eu aprendi que há toda uma graduação, mas o fato é que ainda sei muito pouco sobre o assunto. Por isto ainda me surpreendi com a série "As We See It" (ou "Nosso Jeito de Ser"), disponível na Amazon Prime Video. Não só os três protagonistas estão dentro do espectro do autismo, como seus intérpretes também. O assunto desse remake de uma série israelense é a busca pela independência. O trio central se conhece desde criança, e agora, por volta dos 25 anos, dividem o mesmo apartamento. Mas não estão sozinhos: uma cuidadora vem vê-los todos os dias, e apagar os eventuais incêndios que eles ateiam. Jack é um gênio da computação, mas sua sinceridade desenfreada faz com que ele seja demitido do emprego. Vivian decidiu que está na hora de perder a virgindade, e pergunta aos clientes da lanchonete onde trabalha se eles querem transar com ela. Já Harrison tem medo de sair de casa: buzinas e latidos de cães o deixam petrificado. Algumas situações são mesmo engraçadas, mas outras exasperam as famílias dos três. Algum dia eles conseguirão viver sem tutela, por conta própria? Bom, nem eu aos 61 anos atingi essa meta.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

OSCARS NO FLOW

Há 20 anos que eu acompanho vários palpiteiros do Oscar na internet, como o Nathaniel Roegrs do site The Film Experience. Os caras costumam acertar em cheio não só quem vai ser indicado, mas também os vencedores. Só que este ano está um certo clima de barata-voa. Categorias que eles juravam estar definidas, de repente não estão mais: é o caso de melhor atriz, em que os pundits apostavam em Kirsten Stewart. Quando a intérprete da princesa Diana em "Spencer" perdeu o Globo de Ouro para Nicole Kidman e depois não foi lembrada pelos SAG Awards ou pelos BAFTAs, a galera entrou em convulsão. O fato é que não há mais uma franca favorita, e isto é ótimo. Talvez tenhamos um pouco de emoção na noite de 27 de março. Antes disso temos as indicações, que saem amanhna por volta do meio-dia. Aqui vão os meus palpites para as categorias que mais me interessam. Cito seis possibilidades para cada caso (e 12 para melhor filme, porque serão 10 indicados). Qualquer nome fora disso será uma enorme surpresa.

Bom, não faltaram enormes surpresas. Vários nomes que me pareciam barbadas não se confirmaram. Ainda bem que eu não apostei dinheiro.

MELHOR FILME
Amor, Sublime Amor
Apresentando os Ricardos
Ataque dos Cães
Belfast
Drive My Car
Duna
King Richard
Licorice Pizza
Não Olhe para Cima
No Ritmo do Coração
tick, tick... BOOM!
A Tragédia de Macbeth

Errei dois: "tick, tick... BOOM!" e "A Tragédia de Macbeth". No lugar deles, entraram "Drive My Car" e "O Beco do Pesadelo". Só por isto já dá para dizer que "Drive My Car" é o favorito ao Oscar de filme internacional, e ele ainda foi indicado a direção e roteiro adaptado.

MELHOR DIRETOR
Adam McKay (Não Olhe para Cima)
Denis Villeneuve (Duna)
Jane Campion (Ataque dos Cães)
Kenneth Branagh (Belfast)
Ryusuke Hamaguchi (Drive My Car)
Steven Spielberg (Amor, Sublime Amor)

Não incluí Paul Thomas Anderson, de "Licorice Pizza", entre os seis possíveis indicados, e me dei mal. Adam McKay e Denis Villeneuve foram esnobados.

MELHOR ATOR
Andrew Garfield (tick, tick... BOOM!)
Benedict Cumberbatch (Ataque dos Cães)
Denzel Washington (A Tragédia de Macbeth)
Javier Bardem (Apresentando os Ricardos)
Peter Dinklage (Cyrano)
Will Smith (King Richard)

Aqui acertei todos. Mas acho uma pena o Bardem ter entrado no lugar que deveria ser do Peter Dinklage, Além de ele ser um baita ator, seria a primeira vez que a Academia indicaria um portador de nanismo.

MELHOR ATRIZ
Jessica Chastain (Os Olhos de Tammy Faye)
Kristen Stewart (Spencer)
Lady Gaga (Casa Gucci)
Nicole Kidman (Apresentando os Ricardos)
Olivia Colman (A Filha Perdida)
Penélope Cruz (Mães Paralelas)

Também acertei todas, mas estou desconsolado com a audiência da Lady Gaga entre as cinco indicadas. Achei até que ela tinha a possibilidade de ganhar, snif.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Bradley Cooper (Licorice Pizza)
Ciáran Hinds (Belfast)
Jamie Dorman (Belfast)
Jared Leto (Casa Gucci)
Kodi Smit-McPhee (Ataque dos Cães)
Troy Kotsur (No Ritmo do Coração)

Aqui errei rude, com três tiros n'água: Bradley Cooper, Jamie Dorman e Jared Leto. No lugar deles entrou J. K. Simmons por "Apresentando os Ricardos" e Jesse Plemmons por "Ataque dos Cães" - o filme de Jane Campion conseguiu emplacar seus quatro atores principais no Oscar. 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Ann Dowd (Mass)
Ariana DeBose (Amor, Sublime Amor)
Aunjanue Ellis (King Richard)
Caitríona Balfe (Belfast)
Kirsten Dunst (Ataque dos Cães)
Ruth Negga (Identidade)

Errei rude de novo. Ann Dowd, Caitríona Balfe e Ruth Negga passaram batido. No lugar delas entrou Judi Dench, por "Blelast", eterna favorita da Academia, e Jessie Buckley, por "A Filha Perdida", uma atriz sensacional que um dia irá mesmo ganhar um Oscar.

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Drive My Car (Japão)
A Felicidade das Pequenas Coisas (Butão) (Deus me livre e guarde)
Flee (Dinamarca)
Um Herói (Irã)
A Mão de Deus (Itália)
A Pior Pessoa do Mundo (Noruega)

Acertei todos, mas estou boquiaberto com a ausência de "Um Herói" da lista final. O iraniano Ashgar Farhadi já ganhou o Oscar duas vezes, e não foi sequer indicado pelo que talvez seja seu melhor filme? Os velhinhos da Academia, como eu temia, preferiram a bosta de iaque.

Além disso, vou estar orando para meu amado Sparks ter sua "So We May We Start", de "Annette", entre as cinco indicadas a melhor canção. Seria um ótimo número de abertura para a cerimônia! Mas a concorrência está acirradíssima: estão no páreo nomes como Lin-Manuel Miranda, Bono, Beyoncé, H.E.R. (que ganhou ano passado), a sempre indicada Diane Warren e a queridinha da vez, Billie Eilish, autora do mais soturno tema de 007 ever. Enfim, surpresas acontecem.

Diane Warren tomou o lugar do meu amado Sparks. Mas zuzo bem, porque ela vai perder. O Oscar vai mesmo para a Billie Eilish. E bem feito para a Disney, que nem inscreveu "We Don't Talk About Bruno".

CARETA FRANKLIN

Há décadas que vinha se falando em uma cinebiografia de Aretha Franklin. Natalie Cole chegou a ser cotada para o papel, mas morreu antes da biografada. A própria Aretha acabou escolhendo sua intérprete, que de fato tem o physique du rôle e o vozeirão necessários. Mas a Rainha do Soul se foi em 2018, um ano antes do início das filmagens, e não viu pronto seu biopic. Tavez tenha sido melhor assim, porque "Respect - A História de Aretha Franklin" é caretérrimo. O longa de Liesl Tommy cobre os primeiros 30 anos da vida da diva, da infância à consagração absoluta, e não faltam dramas terríveis nesse meio tempo. Mas o maior dele é jogado a escanteio. Aretha teve seu primeiro filho aos 12 anos de idade e o segundo aos 14, com o mesmo homem - cuja identidade ela só revelou numa carta descoberta após sua morte. Ela odiava tocar no assunto, e "Respeito" acaba respeitando demais essa vontade, em prejuízo do espectador. A menina é abusada por um convidado das festas frequentes de seu pai, depois aparecem umas crianças, e só mais tarde vemos a garotinha grávida, sem o escândalo que tudo isso acarretaria. O próprio pai de Arteha, um pastor famoso e mulherengo, foi suspeito de ter molestado a filha. Pelo menos ele a criou em meio à realeza negra dos EUA daquela época: Arethinha circulava entre o tio Duke (Ellington), a tia Ella (Fitzgerald) e o tio Martin (Luther King). O filme vai razoavelmente bem por quase duas horas, embora sem grande momentos. Mas degringola de vez na reta final, quando gira em círculos, com a cantora indo e voltando para um marido controlador e violento. A vida real patina, é verdade, mas a dramatização não pode fazer isto. Jennifer Hudson foi indicada ao SAG Award e pode até ficar entre as cinco selecionadas pelo Oscar, na vaga deixada por Kristen Stewart, mas o filme não ajuda. Uma lenda como Aretha merecia muito mais.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

A RUA DA AMARGURA

Nenhum beco do pesadelo aparece em "O Beco do Pesadelo". O título do filme de Guillermo Del Toro não se refere a um lugar literal. Está mais para o ponto mais baixo da miséria humana. A pior, onde disseram que estava a Luisa Marillac. A proverbial rua da amargura. É de lá que vem o protagonista vivido por Bradley Cooper, mais bonito e petutinho do que nunca. Na primeira parte, ele se junta a um circo como uma espécie de faz tudo. Acaba aprendendo com a falsa vidente como "adivinhar" detalhes pessoais da plateia. Na segunda parte do longa, ele leva seu número para a boate mais chic de Nova York, e se junta a uma psiquiatra picareta para arrancar dinheiro dos clientes ricaços dela. A direção de arte é fabulosa, a fotografia é fenomenal e o elenco cheio de rostos conhecidos só não é perfeito por causa de uma atriz - justamente Cate Blanchett, que abusa das caras e bocas para compor uma mulher fatal. Mas "O Beco do Pesadelo" também é um pouco longo demais. Por causa das duas partes tão distintas, tive a sensação de estar maratonando uma ótima minissérie, mas sem pausas para ir ao banheiro ou fazer pipoca na cozinha. Mesmo assim, é um filmaço à moda antiga, feito com a tecnologia de hoje. Leve um farnel para o cinema.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

PURO SUCO ENVENENADO

Muitas das mazelas que envenenam o Brasil atual se concentraram no assassinato de Durval Teófilo, produzindo um suco tóxico que resultou na morte de mais um negro indefeso. A maior de todas é o racismo estrutural, que faz com que o tal do "cidadão de bem" imediatamente assuma que qualquer homem preto que se aproxime é um assaltante. Mas a receita também inclui a insegurança crônica, que nos faz viver em constante estado de pânico há muitas décadas. Além do insano culto às armas, que insiste no porte livre delas. Sem falar na prepotência de alguns membros das nossas Forças Armadas, que se sentem autorizados a sair dando tiro por aí porque o arruaceiro que ocupa o Planalto sempre estará ao lado deles. É mais do que justo que o sargento da Marinha Aurélio Alves Bezerra responda por homicídio doloso, porque ninguém dispara três vezes sem ter intenção de matar. O milico agora alega que não enxegra bem - mais uma razão para ele pensar várias vezes antes de sacar seu revólver, mas não foi isto o que aconteceu. A família de Durval, assim como a de Moïse Kabagambe, vem sendo ameaçada por figuras suspeitas. Que bom que todos já puseram a boca no trombone, porque a cultura do medo e da impunidade precisa acabar. Que esses dois crimes bárbaros ocorridos no Rio de Janeiro em menos de duas semanas nos ajudem a derrubar a república das milícias em outubro.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

AUTO-CASCAS DE BANANA

É impressionante como a familícia não precisa de inimigos. Lula pode passar a campanha eleitoral inteira só falando de futebol, sem fazer um único ataque aos Biroliro - eles mesmos se encarregam disto. O clã inteiro é burro, inclusive o suposto gênio do mal Carluxo, que achou que cuspir farofa no chão atrai voto. Mas esse páreo duro tem um vencedor: o Bananinha, aquele que queria ser embaixador nos EUA sem saber quem é Henry Kissinger. O que o idiota resolveu fazer hoje, no momento em que as pesquisas apontam que seu pai vai mal entre o eleitorado feminino? Atacar as mulheres!! Talvez para fazer pendant com o Farofeiro, que chamou os nordestinos de "paus de arara" no momento em que as pesquisas apontam que ele vai mal no Nordeste. Não, ninguém precisa fazer nada. O Genocida e sua ninhada espalham eles mesmos as cascas de banana (e bananinha) que irão derrubá-los.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

DNA-LMODÓVAR

É possível argumentar que toda a cinematografia de Pedro Almodóvar é política. Mas o diretor espanhol nunca foi tão específico como em "Mães Paralelas", que está em cartaz nos cinemas antes de chegar à Netflix daqui a duas semanas. Aqui ele enfia o dedo na maior ferida de seu país: a guerra civil, que deixou milhares de mortos e uma polarização na sociedade qe dura até hoje. Ao mesmo tempo, Almodóvar continua sendo fiel a si mesmo. Ao melodrama, às figuras maternas, às mulheres decididas. A trama principal de seu novo filme é folhetim em estado puro, com surpresas e reviravoltas. Dois bebês nascem no mesmo dia, e suas mães, que dividem o mesmo quarto de hospital, ficam amigas. A mais velha, numa interpretação magistral de Penélope Cruz, também está interessada em abrir uma cova na aldeia de seus avós, onde estão os restos mortais de seu bisavô de vários outros jovens mortos pelos franquistas. É preciso ser um gênio para combinar essas duas histórias num mesmo roteiro, e claro que o genial Almodóvar consegue, com a ajuda de alguns testes de DNA. A Espanha preferiu enviar "O Bom Patrão" para a disputa do Oscar, e o filme estrelado por Javier Bardem, o marido de Penélope, conseguiu ficar entre os 15 semifinalistas. Tem que ser mesmo muito bom, porque este aqui é (mais uma) obra-prima.

MICHELLE PFIZER

Hoje finalmente eu tomei a terceira dose. Havia uma certa controvérsia a respeito de quando eu poderia tomá-la. Um médico disse que eu deveria interromper a quimioterapia por 10 dias, uma enfermeira garantiu que uma semana após a aplicação já estava de bom tamanho. Liguei para o médico que me operou e ele deu a palavra final: 10 dias depois da aplicação. Acabaram se passando pouco mais de duas semanas, e hoje lá fui eu. Tomei a da Pfizer, e já estou sentindo um efeito colateral. Ao invés de me transformar  num reles jacaré. estou me metamorfoseando em uma diva de Hollywood, de longos cabelos louros, pele macia e voz sedutora...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

TORNA A SANREMO

Uma das vantagens do home office é assistir televisão enquanto você trabalha. Geralmente eu deixo ligado na Globo News, mas hoje mudei para a RAI. Desde ontem está rolando a 72a. edição do Festival de Sanremo. No Brasil, a transmissão começa às 16 horas. O evento anual mais importante da tivù italiana dura longos cinco dias, e é muito mais do que um concurso de canções. Tem esquetes de humor, entrevistas, convidados inernacionais e muita, mas muita enrolação. A música vencedora representará a Itália no próximo Eurovision, que este ano será realizado em Turim. Por enquanto, a favorita do público também é a minha: "Brividi", um dueto entre Mahmood e Blanco. O primeiro venceu o festival em 2019, e é filho de um egípcio com uma italiana da Sardenha. Mas ele não gosta de se definir pela nacionalidade, e muito menos por suas preferências sexuais. Sempre se recusou a responder se é gay ou não. Mas, depois desse vídeo, acho que não sobrou muita dúvida.