quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

A CASA MENOS VIGIADA DA INGLATERRA

"The House", disponível na Netflix, é visualmente assombroso e potencialmente deprimente. Não assista se você estiver em busca de diversão levinha. Trata-se de um longa em animação stop-motion, com três episódios dirigidos por cienastas diferentes. Mas todos se passam no mesmo cenário, em épocas distintas: uma casa suntuosa, que não costuma ser boa com seus donos. No primeiro capítulo, situado no início do século 20, uma família em dificuldades financeiras aceita deixar sua antiga residência em troca de uma mansão, oferecida por um rico arquiteto. No novo endereço, eles nem mesmo precisam mais cozinhar: refeições copiosas são servidas por empregados invisíveis. Mas é claro que there's a catch. Sabe-se lá por quê, o pai começa a se transformar em poltrona, e a mãe em cortinas, deixando desamparadas as filhas pequenas. O segundo episódio é ainda mais desconcertante. Nos dias de hoje, um rato antropomórfico se endividou no banco para arrematar a casa, reformá-la e revendê-la com lucro. O problema é que o lugar está infestado por besouros comedores de carpete, um bicho que eu nem sabia que existia. Há um dispensável balé de larvas e insetos que remete ao pior momento de "Cats", além da desagradável sensação de um castigo imerecido. Mas o último capítulo traz alguma esperança. Num futuro pós-apocalíptico, as águas circundam a casa, agora transformada em hotel. Só restam dois hóspedes que não pagam seus aluguéis, e a proprietária está desesperada. Ah, sim, agora eles são gatos. E pelo menos o desfecho não é uma tragédia absoluta. Um prodígio de técnica e inventividade, ao som de vozes de atores britânicos como Helena Bonham-Carter, Matthew Goode e Miranda Richardson, "The House" é um belíssimo delírio, mas também um filme de terror. Moral da história: não deixe estranhos tomarem o controle do seu lar?

Um comentário:

  1. Eu achei que a moral está mais no sentido de que é pra não ser apegado demais a coisas materiais.

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