quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

FALA MANSA

Quem é Ryûsuke Hamaguchi? Eu, que me acho tão cinéfilo, nunca tinha ouvido falar desse diretor japonês até seu filme "Drive My Car" ser escolhido para representar o Japão no próximo Oscar. Desde então, o longa vem acumulando prêmios - o último foi o Globo de Ouro, revelado neste domingo. Enquanto "Drive My Car" não estreia por aqui, "Roda do Destino", o trabalho anterior de Hamaguchi, entrou em cartaz nos cinemas brasileiros. Fui assistir para tapar o buraco no meu currículo e saí com sentimentos conflituosos. O filme consiste em três episódios, todos protagonizados por mulheres, que exploram as coincidências que afastam e aproximam as pessoas. Não há grandes arroubos de câmera, só uns zooms que parecem amadorísticos de propósito. Mas há muito, MUITO diálogo. Todo mundo fala o tempo todo, como se não houvesse amanhã. Duas moças descobrem que estão interessadas pelo mesmo rapaz; uma outra tenta se vingar de um professor que humilhou seu amigo, mas o plano não dá certo; por fim, outras duas se reencontram numa escada rolante, mas não lembram direito de onde se conhecem. É preciso abandonar o cinemão a que estamos acostumados e embarcar no universo do cineasta para desfrutar de "Roda do Destino". E mergulhar nos diálogos, que, segundo relatos, estão ausentes de "Drive My Car", recheado de longos silêncios.

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