domingo, 30 de janeiro de 2022

OH PLEASE STAY BY ME, DIANA

Já fui monarquista convicto. Até votei pela monarquia parlamentarista no plebiscito de 1993. Não porque eu seja conservador, mas muito por bichice pura: gosto do pageantry, dos rituais, das fofocas da corte. Também achava que um rei poderia encarnar o salvador da pátria com que os brasileiros tanto sonham, e deixar o governo na mão de profissionais. Hoje sou republicano. As monarquias modernas são todas disfuncionais (não que as atigas não fossem), e os escândalos são frequentes. Uma família real é só um bando de vagabundos em férias eternas às custas do contribuinte. Um dos episódios que me fizeram mudar de ideia foi a maneira como os Windsor trataram Diana. Ela era um cavalo selado rumo ao futuro, e eles preferiram enxotá-la. Não faltam livros, filmes e peças sobre o assunto. Que talvez seja esgotado pela próxima temporada de "The Crown", com a divina Elizabeth Debicki como a princesa de Gales. Antes disso temos "Spencer", uma fantasia sobre o que teria acontecido num Natal no começo dos anos 90, quando a rainha e seu clã se reuniram no castelo de Sandrigham. O filme do chileno Pablo Larraín é quase um monólogo de Diana, que está em todas as cenas. Um fardo pesado para Kristen Stewart, e ela até que se sai bem. Mas será que realmente merece o Oscar? Sua atuação me pareceu pouco orgânica em vários momentos. Ela está sempre ACTING. Mas Diana também estava, desempenhando um papel que não havia escolhido. Kristen evoca à perfeição a linguagem corporal da princesa, com os ombros sempre tensos e o rosto pendendo para um dos lados. Também exala ternura nas cenas com os filhos. O que falta são interações com Charles e o resto da realeza. Quase todos os diálogos dela são com membros da criadagem. "Spencer" não é fácil de ser visto, pois a protagonista está sempre deprimida, tendo visões com Ana Bolena ou vomitando o que acabou de comer. É quase um filme de arte. Ou de horror, embora o final seja feliz. Pelo menos, naquele momento - a gente sabe o que aconteceu depois.

7 comentários:

  1. De monarquista a "Uma família real é só um bando de vagabundos em férias eternas às custas do contribuinte". Por isso que não estranho quando um progressista se torna um conservador escroto. 😂

    Ela era uma aristocrata bem moderna, não parece? Os namoros interracias dela após o divórcio, parecem um indicativo disso...

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  2. Hoje em dia monarquista é sinônimo de ser homem calcinha

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  3. Acho essa atriz insuportável! Típica americana sem sal que se acha f*** porque conseguiu vencer o obscurantismo do subúrbio e conhecer o mundo. Mas...penso em ver.

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  4. Ela vai ganhar o Oscar exatamente por ter evocado à perfeição a linguagem corporal da princesa. O pessoal de lá adora imitações desse tipo.

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  5. "Bichice pura" pode ser uma forma de alienação política.

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    Respostas
    1. Todo gay gosta de uma Queen.
      Quem de nós nunca pôs um edredom nas costas para brincar de ser uma poderosa imperatriz quando criança?

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