terça-feira, 25 de janeiro de 2022

OS RICOS TAMBÉM BRIGAM

"Downton Abbey" foi uma série encantadora. Eu me viciei logo no primeiro episódio, e nunca mais larguei. O tema principal eram as mudanças do mundo sobre a aristocracia rural inglesa, mas era tudo em câmera lenta. Afinal, eles estavam na região de York, no norte do país, longe da agitação de Londres. "Donwton Abbey" também tinha poucos vilões. O conflito maior era de classes, entre patrões e empregados, e mesmo assim todo mundo era bacana. Para coroar, o texto de Julian Fellowes era sutil, com diálogos críveis e boas doses de humor. Nada disso acontece em "A Idade Dourada", que vem sendo vendida pela HBO como "Downton Abbey nos Estados Unidos". A ação se passa em Nova York no final do século 19, uma época pra lá de agitada, quando o país começou a se tornar uma potência mundial. Infelizmente, o primeiro capítulo parece ter sido escrito por Walcyr Carrasco. Tudo é escancarado, sublinhado e martelado na cabeça do espectador - entendeu? E agora, você entendeu? O maior embate se dá entre o "old money", as famílias que já estava na cidade desde os tempos coloniais, e os burgueses que vêm enriquecendo com indústrias e ferrovias. Uma das personagens é uma nova rica que não mede esforços para ser aceita pela alta sociedade tradicional. Ela não bom senso nem bom gosto, mas seus vestidos - claramente inventados - são fa-bu-lo-sos. Também é meio forçado que a matriarca caretona tope contratar uma secretária negra depois de um minuto de conversa. mas os aristocratas de Fellowes sempre foram idealizados, muito mais bonzinhos que os da vida real. O que não bate com o estilo do autor é o clima folhetinesco. Vai ver que a nova direção da HBO, ávida por audiência, o forçou a se "popularizar". Bom, a minha audiência eles terão de qualquer jeito. Só não garanto que eu vá adorar.

8 comentários:

  1. Neste fds passou um filme sobre a vida do Baby Guinle na TV Cultura e me remeteu à Downton Abbey. A alta classe sempre se pareceu em qquer lugar do mundo. No mesmo fds eu vi que um tal de Nobru, de quem eu nunca tinha ouvido falar, ganha um milhão por mês jogando e tendo um canal que fala sobre games ou algo assim. O dinheiro começa a mudar de mãos, apesar de os bilionários terem ficado mais ricos na pandemia. Lembra daqueles enormes cadernos de colunas sociais nos jornais, principalmente os cariocas? Hoje pareceria bem esquisito uma festa de black-tie numa quarta-feira em um apartamento no Leblon. Imagino só o Dória e o Ronnie Von participando.

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    1. Prefiro ir no baile de favela mais interessante que festa onde tem Doria tipo as festas high society em Trancoso ninguém pega ninguém uma chatisse

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  2. Estou vibrando com a treta high-society envolvendo a Cristiana Arcangeli e o seu ex namorado, o playboy Álvaro Garnero. O bonitão representava uma plataforma de criptomoedas picareta e usava o seu networking para angariar participantes, entre elas a sua ex. Acontece que o larápio pegou a grana e não devolveu! Agora vem o melhor, em conversas vazadas, a moça cresceu os zóio e achou que 10% ao mês era bom, mas seria melhor ainda se o ex desse um passa-fora no dono da plataforma e Alvinho atuasse direto! Mal sabia a incauta que os biltres já estavam de conluio e a tal plataforma de criptomoedas nunca existiu. Agora a gananciosa do Shark Tank quer o dinheiro de volta! Até que enfim eu tenho algo que traz alguma alegria na minha vida!

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    1. Deixa de ser amargo! Não tenho o menor respeito por nenhum dos 2 mas não me empolgo com a treta alheia, seria interessante se descobrissem que o banco do cara não faz nada além de lavagem de dinheiro pra máfia mas isso é outra história

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    2. Anônimo que está vibrando com as tretas da high Society carioca, tamo junto.

      Anônimo que não se empolga com as tretas alheias, você é superior moralmente a nós dois que nos envolvemos emocionalmente (e superficialmente) com os perrengues alheios kkkkkk.

      Eu acho que fofoca pode edificar sim.

      Quem sabia escrever bem sobre o mundo (e submundo, sempre tem muita coisa dark no habitat dos muito ricos) era o saudoso Gilberto Braga. Se bem que ele sempre teve de ser contigo e elegante pra seguir o padrão globo de qualidade e amoral vigente da época.

      Acho que se o Gilberto de Dancing Days, Água Viva, Brilhante, Vale Tudo etc (por volta dos 40 anos e tanto) tivesse acontecido agora no auge de Netflix e similares, teríamos filmes ou séries maravilhosas com casos escabrosos da alta sociedade brasileira que ele conhecia e frequentava.

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    3. Lara tem coisa DARK em todas as classes sociais minha mãe é uma escrota alcoólatra meu pai me batia e quase me matou minha irmã sentia inveja etc etc existem ricos porque existem pobres infelizmente no Brasil a classe alta não utiliza o dinheiro pra acumular capital cultural estão entre os ricos mais incultos e bregas do mundo pra mim esse é o problema fora racismo classismo e misoginia

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    4. Anônimo das 06:27, concordo que existem coisas dark em todas as classes sociais. Não sou classista de maneira alguma. Inclusive (faz tempo) estou num processo evolutivo de “quero ser dondoca” e pena que ainda não consegui. Kkkkkkk Ser dondoca = se possível ficar de boa, com as contas pagas sem ter de trabalhar muito.

      Meu ponto era só que o Gilberto Braga, por frequentar muito esse mundo de ricos, sabia escrever com propriedade sobre isso e criava personagens maravilhosos baseado na própria experiencia.

      E a gente (well, euzinha pelo menos) sempre gosta de ver os barracos dos muito chiques, né?

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  3. Não existe ‘classe alta’ aquele que ganhou dinheiro(no Brasil só sobrou a agiotagem e o agro queima floresta) explorando o outro não ganhou legitimamente, sem contar o legado da escravidão. Tem que ser muito psicopata pra enriquecer. Mesmo assim convivi com a classe alta inglesa e eles são outro nível! Tratam todos com respeito não tem complexo de superioridade são bem educados e cultos leem livros fazem viagens interessantes e as vezes optam por morar em lugares inusitados um mundo de diferença das classes altas brasileira (vômito) e americana que na verdade são muito parecidas mesmo assim aqui é pior.

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