sábado, 18 de dezembro de 2021

O CURDO DO FUTURO

Sou amigo da Tuna Dwek há alguns anos. Também sou fã incondicional: ela é das nossas poucas atrizes que fazem drama e comédia com a mesma intensidade, a mesma entrega, a mesma inteligência. Mas nada me preparou para o que Tuna faz em "Vizinhos", em cartaz no Festival do Cinema Judaico de São Paulo. Dirigido pelo curdo-suíço Mano Khalil, o filme é quase autobiográfico, recriando situações da infância do cineasta em uma aldeia perto da fronteira da Síria com a Turquia. O curioso é que as filmagens aconteceram no Curdistão iraquiano, uma região que, até pouco tempo atrás, estava sob o jugo sanguinário do Estado Islâmico. Quem diria que hoje seria mais seguro filmar lá do que na vizinhança? Tuna faz uma senhora judia. Em suas cenas, ela tem que falar hebraico e árabe, duas línguas das quais já tinha noção, e curdo, que teve que aprender sa estaca zero. Onde já se viu, uma atriz brasileira atuando em curdo? E atuando bem, com uma presença marcante na tela. Quase toda a ação de "Vizinhos" se passa na década de 1980, quando o ditador sírio Hafez Assad resolveu arabizar o pedaço do Curdistão sob seu domínio. As crianças tinham que aprender árabe e a odiar Israel. Diversos momentos me remeteram à série em HQ "O Árabe do Futuro", cujo pequeno protagonista estudava na Síria naquela mesma época. Os curdos também são desrespeitados o tempo todo pelos soldados turcos da fronteira, e não faltam momentos revoltantes no longa. Que, aliás, já está legendado em português, mas ainda não tem distribuidora. Tomara que estreie logo. A Tuna merece.

2 comentários:

  1. Tuna é una grande guerreira...sempre acreditou nos seus sonhos e os realizou no tempo justo.tenho muito orgulho de tela conhecido.

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