sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

O GALINHO E SEU PINTINHO

No começo de 2011, enfrentei uma chuva torrencial e um trânsito dos infernos na Cidade do México para assistir a "Cock". Meu interesse nem era pela peça em si, mas pela presença de Diego Luna no papel principal. Saí impactado do teatro: foi simplesmente um dos melhores espetáculos da minha vida. "Cock" finalmente estreou no Brasil, numa montagem que foi adiada de 2020 por causa da pandemia. O cenário, que já era minimalista no México, aqui não existe mais: os quatro personagens se enfrentam num palco de arena sem nenhum adereço. As cenas são intercaladas por toques de gongo, como se fossem rounds de uma luta de boxe, e a peça até ganhou um subtítulo - "Briga de Galo" - que acabou não sendo usado no cartaz. Menos mal. A maior briga que acontece em "Cock" acontece dentro da cabeça do protagonista John, divido entre seu namoro de anos com um homem mais velho e uma garota que ele conheceu há pouco tempo e fez despertar seu desejo por mulheres. Para decidir com quer ficar, John organiza um jantar para comparar seus dois amores, com resultados obviamente desastrosos. Não senti o mesmo impacto de 10 anos atrás, mas a direção límpida de Nelson Baskerville e a entrega dos atores me faz recomendar esta peça, que tem sessões gratuitas de segunda a sábado até o dia 18 de dezembro, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, aqui em São Paulo.

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