sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

NAPULE È

Nápoles é um lugar tão bagunçado, mas tão bagunçado, que deixa o Rio de Janeiro com cara de cidade suíça. Um pouco desse caos transparece em "A Mão de Deus", o filme que a Itália mandou para o próximo Oscar e que acaba de estrear na Netflix. A direção é de um filho da terra: Paolo Sorrentino, que virou um dos meus cineastas favoritos desde que me deslumbrou com "A Grande Beleza" e nunca mais me decepcionou. Aqui ele faz seu próprio "Amarcord",  o longa em que seu ídolo Federico Fellini lembrava passagens de sua adolescência em Rimini. O próprio Fellini "aparece" em "A Mão de Deus", ou o que seria sua voz, numa cutucada aos críticos que acusam Sorrentino de copiar o mestre. O protagonista Fabietto - vivido por Filippo Scotti, um Timothée Chalamet com amebas - é um rapaz comum, que vem de uma família barulhenta onde todos torcem pelo Napoli. A torcida vira religião com a chegada de Diego Maradona ao time, e o título faz menção ao infame gol de mão que o argentino marcou contra a Inglaterra na Copa de 86. Como outros garotos de sua idade, Fabietto está louco para perder o cabaço, e alcança seu objetivo com uma (literalmente) velha amiga de seus pais, em outra cena que evoca "Amarcord". Mas sua vida despreocupada é sacudida por uma tragédia pessoal, idêntica à que Sorrentino sofreu na vida real. Com momentos engraçadíssimos, outros muito tristes e uma certa dose de erotismo, "A Mão de Deus" ainda traz paisagens maravilhosas e, para terminar, o hino "Napule È" de Pino Daniele (o compositor de "Bem que se Quis", a versão de Nelson Motta gravada por Marisa Monte) sobre os créditos finais. Um presente de Natal antecipado

4 comentários:

  1. Nossa eu amo Napoli, até a máfia te respeita. Ninguém rouba ninguém no bairro espanhol durante o dia. Também tinha essa imagem da cidade até ir lá e com certeza o Rio de Janeiro é muito pior gente revi tropa de elite 2 o que antes era um filme bom virou motivo pra tomar um Rivotril socorro !

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    1. Bacurau manda lembranças.

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    2. Não sério todos os fatos do filme são baseados no que realmente aconteceu é extremamente deprimente! E essa máquina mortífera que explora o mais vulnerável chegou no mais alto escalão ‘Rio das rochas’ o Bráulio nem teve a paciência de mudar muito o nome. Socorro!

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  2. Outra coisa é óbvio que os chefões da máfia brasileira estão entre os militares veja as jornadas de junho uma típica operação militar

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