quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

MINHAS SÉRIES DE 2021

Deixei para o final dessa retrospectiva o meu ganha-pão. Escrevo sobre TV quase todos os dias da minha vida, e aqui no blog ninguém me paga por isso. Mas a verdade é que as séries estão vivendo mais um momento de glória, e foi muito duro escolher apenas 10. Misturei de tudo na lista: comédia, drama, minissérie. Só faltou um título brasileiro...

Sandra Oh, a atriz mais empática do mundo, poderia ter entrado aqui com "Killing Eve', cujas três temporadas disponíveis eu só fui ver este ano. Mas preferi representá-la com "The Chair", em que ela faz uma professora universitária alçada de repente a titular da cátedra de literatura. Em apenas seis episódios são abordados temas atuais, como a cultura do cancelamento, e eternos, como a sensação de não caber mais no mundo moderno.

O envelhecimento e a vontade de se manter atual também são os assuntos de "Hacks", meu programa favorito do ano. Jean Smart finalmente encontrou um papel à altura de sua fabulosidade: uma comediante de stand-up que precisa renovar urgentemente seu repertório de piadas, se quiser sobreviver no showbiz, Ela então contrata uma roteirista muitos anos mais nova, e o choque de gerações é inevitável. Também é muito engraçado.

Relutei um pouco a encarar "Maid". Todo mundo avisou que a protagonista sofre paracaralho nos primeiros episódios, e não estou na fase de achar que sofrimento é diversão. Acontece que o roteiro é tão bom e os atores tão maravilhosos que, sim, sofrer de vez em quando até que vale a pena. Margaret Qualley é uma nova estrela, quase tão linda - mas bem mais talentosa - que sua mãe Andie Mac Dowell. Aqui, as duas brilham juntas.

Eu conhecia Fran Lebowitz superficialmente, mas virei súdito dessa escritora que não escreve nada há décadas depois que vi "Pretend It's a City". Fran vive de dar palestras bem-humoradas há muito tempo, e esta semi-reality em seis episódios mostra essa novaiorquina arquetípica disparando sua metralhadora verbal contra a cidade. Agora me dei conta de que só estou gostando de séries que falam de problemas de gente velha. Que bandeira.

Fui ver "Round 6" por dever profissional, para entender o frisson que a série estava causando. No segundo episódio eu já estava fisgado e lá pelo sexto já não tinha mais unhas. Impressionante o súbito poder da indústria cultural sul-coreana. Em poucos anos, os caras emplacaram a banda mais popular do planeta, o filme mais premiado, a série mais vista e até mesmo uma competição musical com versões no mundo todo, "The Masked Singer".

O francês Tahar Rahim já teria um Oscar se tivesse nascido num país anglófono. Como ele fala inglês perfeitamente, esta possibilidade não está descartada. Rahim deu mais um show de versatilidade como o vigarista assassino de "A Serpente e o Paraíso", minissérie baseada num caso real ocorrido na Tailândia nos anos 70. Morri de vontade de voltar para a Ásia...
Como muita gente se assanhou com a chegada da terceira (e talvez última) temporada de "Shtisel", senti que era a hora de assistir às duas primeiras. Viciei. Afinal, quem poderia imaginar que os judeus ortodoxos são tão humanos como nós? O legal é que a série jamais julga a fé de seus personagens, mas todos os problemas deles decorrem das rígidas regras que seguem. Quase chorei no último capítulo.

"Ted Lasso" demorou a me fisgar. Assisti a uns dois episódios em 2020, não achei grande coisa e aí me espantei quando a série começou a ganhar todos os prêmios. Resolvi dar mais uma chance e entendi a razão de tanto sucesso: Ted é um sujeito bom, sincero e otimista (ainda que não seja perfeito). Tudo o que anda em falta no mundo de hoje. Fora que o elenco de apoio enorme e afiado forma uma família, dessas que a gente escolhe.

O Brasil ainda não teve o culhão de fazer uma série denunciando as falcatruas dos evangélicos do mal. A Argentina teve. "Vosso Reino" narra a ascensão de um pastor hipócrita e ganancioso, que vê a oportunidade de disputar a presidência do país depois que o principal candidato é morto a facadas. Mas o tom político se dilui um pouco no final, quando surge um personagem que pode ser ninguém menos do que... Jesus Cristo. Credo.

Nada foi mais moderno na TV de 2021 do que "WandaVision", que prestou homenagem às sitcoms históricas ao mesmo tempo em que expandia para valer a porra do Universo Cinematográfico Marvel. Conceito high-tech, drama existencial,  uma sublime Elizabeth Olsen e uma certa dose de porrada criaram este novo clássico. Sem falar, é claro, que it was Agatha all along!


Tanta coisa ficou de fora dos top 10... "It's a Sin" me fez chorar pelos amigos mortos pela AIDS e dançar por dentro ao som dos hits dos anos 80. Kate Winslet nunca esteve tão bem como em"Mare of Easttown". Ewan MacGregor, eterno inusitado, finalmente ganhou um Emmy como o protagonista de "Halston". Eu ri da minha própria paixão por musicais com "Schmigadoon". Entre as animações para adultos, ri muito com "Força Queer" e "A Tia É Top". "Meu Amigo Bussunda" me deu fome, e a segunda temporada de "Segunda Chamada" foi simplesmente o melhor da teledramaturgia brasileira este ano. Até novela eu voltei a seguir: "Nos Tempos do Imperador", que alimenta minhas fantasias monarquistas. E agora chega, que essa retrospectiva fica por aqui.

19 comentários:

  1. Só saiu o texto sobre a primeira serie da sua lista.

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    1. É o que dá comentar antes do post estar pronto, Sossega, beee!

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  2. A serpente me deixou meio triste, quando estava mochilando por aí encontrei pessoas mau caráter que me prejudicaram muito. E também é triste constatar que não se pode mais fazer essa trilha maravilhosa porque veja o Afeganistão (antes um paraíso hippie, shangri-lá) e o Irã. O mundo perdeu sua inocência as pessoas não podem mais sonhar. Achei o assassino que matava por migalhas um espelho da ganância e mafiosismo que destruiu o sonho hippie não só na Ásia mas em todo lugar.

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  3. Também adorei! Só não concordo com a tradução de "the Chair"...ela virou diretora do departamento de literatura.

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  4. E escreve muito bem Tony eu nao conseguiria escrever sobre tv como voce

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  5. Invadiram o Afeganistão atrás de "terroristas",mas
    nos EUA tá cheio de terroristas internos.kkkkkkk

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    1. A revolução iraniana, a guerra Iraque e Irã e a invasão ao Afeganistão tanto pelos russos quanto americanos está tudo relacionado. Escutei num podcast francês 1979 foi o ano que o sonho hippie acabou.

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    2. O Afeganistão fez melhor que o Brasil-não
      abaixa as calças pra ninguém!!!!!

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  6. Metade das séries que receberam o "Goes Awards" são ditas originais da Netflix. Além disso, 70% das series premiadas estão no catalogo dela.
    Será que a Netflix vai ser tipo a Globo era no Brasil, só que mundialmente?

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    1. Gado mugindo achando que a Globo já era.
      Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!!

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  7. maid é muito boba!!! misericordia...roud 6tem mais furos no roteiro que um queijo suiço....nao gostei!

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  8. The Chair deveria se chamar The Chata. Squid Game é um programa infantil. De resto, beleza. :)

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  9. As of 2014, when Tinder last released such data, the average user logged in 11 times a day. Men spent 7.2 minutes per session and women spent 8.5 minutes, for a total of about an hour and a half a day. Yet they didn’t get much in return. Today, the company says it logs 1.6 billion swipes a day, and just 26 million matches. And, if Simon’s experience is any indication, the overwhelming majority of matches don’t lead to so much as a two-way text exchange, much less a date, much less sex.

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  10. So why do people continue to use dating apps? Why not boycott them all? Simon said meeting someone offline seemed like less and less of an option. His parents had met in a chorus a few years after college, but he couldn’t see himself pulling off something similar. “I play volleyball,” he added. “I had somebody on the volleyball team two years ago who I thought was cute, and we’d been playing together for a while.” Simon wanted to ask her out, but ultimately concluded that this would be “incredibly awkward,” even “boorish.”

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  11. Tony, concordo com boa parte de tua lista, em especial de It's a Sin pra baixo. Você precisa escrever algo sobre "Fundação", do Isaac Asimov.

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  12. Você viu The White Lotus? Eu achei muito boa.

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    1. Vi. Achei legal, mas não amei. Poderia ser mais curta.

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