quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

MINHAS MÚSICAS DE 2021

Esta é a minha lista mais pessoal de todas. Não conheço  ninguém que compartilhe o mesmo gosto musical, onde cabem pop turco, dance music mexicana e lounge paranaense. Também devo ser dos últimos que ainda insistem no formato álbum, quando todo mundo ouve música no Tik Tok. Suspiro.

Meu disco favorito do ano vem do argentino Miranda!, que eu acompanho desde 2001. Em "Souvenir", Ale Sergi e Juliana Gattas - os únicos remanescentes do quinteto original - quase que atingem a perfeição. São 10 faixas repletas de feats., algumas lançadas em single já em 2020. Como sempre, vou reclamar que aqui no Brasil não temos nada parecido etc. etc.

Mas talvez o artista mais importante do ano seja mesmo Lil Nas X, que superou em muito o impacto de "Old Country Road", o maior hit global de 2019. Com "Montero", batizado com seu nome real, ele arromba as fronteiras do rap e escancara sua homossexualidade, algo raro mesmo entre os popstars gays que nós já conhecemos.

Outra que mostrou que veio para ficar é Billie Eilish. Ancorada pelo talento descomunal do irmão Finneas, a jovem musa da fossa cometeu "Happier Than Ever", um trabalho sofisticadíssimo para sua tenra idade. Só torço para que ela não ganhe o Oscar com "No Time to Die", o pior tema de James Bond de todos os tempos.

Esta honra, se houver um Deus, irá para o Sparks, cujo "So May We Start" está entre as 15 semifinalistas ao prêmio de melhor canção. Mas o número que abre o filme "Annette" não é lá muito representativo da trilha sonora do musical de Léos Carax. Ron e Russel Mael optaram por faixas atonais. Algo só para iniciados como eu.

Outro veterano que brilhou em 2021 foi Caetano Veloso. "Meu Coco", seu primeiro disco de inéditas em nove anos, traz um compositor em plena forma, mais antenado no mundo do que nunca e sem paciência para a mediocridade. Quem mais consegue ninar o neto e, em seguida, atacar o Bozo? O país tem jeito enquanto houver Caetano.

Este também foi o ano em que Marisa Monte se dignou a sair da toca. "Portas" é seu primeiro álbum-solo desde 2011, e traz a cantora arriscando parcerias para além dos habituais Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. Há faixas compostas e tocadas com Silva, Seu Jorge, Jorge Drexler e Chico Brown, filho do Carlinhos e neto do Buarque. Um acepipe para paladares finos.

Nenhum dos três rapazes gaúchos que formam a banda Selton tem esse nome, que tampouco é comum na Itália. Com "Benvenuti", eles levam ao ápice seu som peculiar, misturando pop, bossa nova e letras cantadas em italiano com sotaque brasileiro. Pelo menos, se viram melhor que a Katusha Love e a Natasha Simonini.

Eu já vinha prestando no atenção no Tuyo desde 2020. Este trio de Curitiba lançou singles na contramão da cafonália que domina a música brasileira, com delicados arranjos eletrônicos. Em 2021, eles extrapolaram. O ótimo álbum "Chegamos Sozinhos em Casa" primeiro saiu em duas partes, depois em versão deluxe, e ainda teve "Fragmentos", com sobras de estúdio.

Pabllo Vittar merece ser estudado: nossa primeira drag a explodir nas paradas vem fazendo carreira internacional sem abrir mão da brasilidade. Seu remix-sofrência de "Fun Tonight", de Lady Gaga, é a melhor faixa de "Dawn of Chromatica". E o animadérrimo "Batidão Tropical", com vários covers de hits nordestinos, é uma ode às raízes e uma ponte para o futuro.

As drags cantoras não são um fenômeno brasileiro. No México reina Zemmoa ("c'est moi"), de carreira até mais antiga que a de Pabllo. A moça me conquistou com "Velocidad", lançado em fevereiro, e foi soltando singles ao longo do ano até reuni-los todos no álbum "Lo Que Me Haces Sentir". É abuso rezar por um dueto?


Também teve a volta de Adele, a ressurreição do ABBA, a explosão do Måneskin e a ubiquidade de Olivia Rodrigo. Gal Costa celebrou mil anos de carreira com um álbum de duetos com cantores que poderiam ser seus netos, e Jão substituiu Tiago Iorc como o rapagão da vez. Ah, sim, e a música que eu mais ouvi em 2021 foi "Discofrenia", da dupla mexicana Ex-Novios, lançada em... 2018. Meta-se com sua vida.

6 comentários:

  1. Faltou aí o "Agatha All Along"...

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    1. Billie vai ganhar o Oscar,Toninho.É o
      único prêmio que falta pra ela.

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  2. to curtindo muito nu guinea banda de napoli, puta ta foda muito som bom novo e sdds de ver musica ao vivo.

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  3. Teus textos sobre os melhores de 2021 estão muito bons de se ler!
    Não sei se concordo com muito do que vc disse, mas o texto está realmente muito bom. Parabéns!

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  4. marisa monte amo, mas como vc mesmo disse mais do mesmo! prefiro coLOCAR MANESkin....será que escrevi o nome direito ( interrogacao)

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  5. Ainda bem que opinião é ponto de vista e não verdade. Que coisa mais chata é o Miranda! Ouvi quatro faixas e parece que ouvi as mesmas canções. Chatos para caraio!

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