segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

CHORA, DIREITALHA

Antes do post propriamente dito, deixa eu esclarecer uma coisa. Eu sei que democracia se faz com o centro, a direita e a esquerda. Portanto, não sou contra a existência da direita em si. Mas a extrema-direita, que parecia varrida da face da Terra, precisa ser varrida de novo. Ela não tem nada de democrática: quer reverter pela violência todos os direitos conquistados por mulheres, negros e gays no último século, e garantir os privilégios de uma suposta elite. A esta súcia eu agora chamo de "direitalha", invertendo o sentido do "esquerdalha" que ela usa contra qualquer um que não se alinhe com suas crenças reacionárias. 

A direitalha hoje está aos prantos, depois de acreditar que o Chile voltaria para suas garras. Mas perdeu rude no segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo: Gabriel Boric venceu com 11 de pontos de vantagem sobre Jose Antonio Kast, o que nos Estados Unidos seria chamado de "landslide". Tirando esses energúmenos e o Maria Vargas Llosa, que merece ser cancelado por ter apoiado Kast, a humanidade está em festa. Depois da derrota de Trump no ano passado, este é mais um sinal de que a onda neofascista já passou. Pelo voto, a súcia não ganha mais nada. A vitória acachapante de Boric alivia o fato de ele ainda ser jovem e inexperiente, e de ter um Congresso dividido à sua espera. Mas não lhe faltam energia e boa vontade, além da simpatia do resto do mundo. ¡Y viva Chile!

Em tempo: Kast demonstrou grandeza ao reconhecer sua derrota antes mesmo da conclusão da apuração, e ligar para Boric para lhe dar os parabéns. Dá para imaginar o Mijaír fazendo algo parecido quando perder em 2022 para a chapa Lula-Alckmin? Pois é: nem mesmo esse filho de nazista e apoiador  de Pinochet consegue ser pior que o Bozo. 

24 comentários:

  1. É o que está por tras dessa onda reacionaria, acabei de ver que a Russia vetou uma resolucao da ONU que liga aquecimento global com segurança mundial eles estão torcndo pra aquecer logo e eles explorarem o artico me lembrou do Mijair e amazonia queimando, sera que junto com os EUA eles apoiaram o Mijair? Mas o Putin ligou pra Dilma avisando do golpe então não sei e durante os gov PT a amazonia estava queimando apenas um pouco menos

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  2. Mas é de gente jovem que estamos precisando, jovens com ideias populares não populistas, chega desses velhos caquéticos que estão no poder desde sempre.

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  3. Dá para imaginar o Mijaír fazendo algo parecido quando perder em 2022 para a chapa Lula-Alckmin?
    Acho mais fácil alguém achar jogado na rua um bilhete premiado da mega sena da virada.

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    1. Fosse vivo,Nelson Rodrigues diria:depois de
      Lula perder o dedo,agora perde a cabeça
      fazendo aliança com Alckmin-já não basta
      aquela vergonha de aparecer ao lado de
      Maluf,que atualmente tá do lado do Bozo.

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    2. Lulla com Alckmin reaça que votou no Mijair
      em 2018????PREFIRO VER O FILME DO PELÉ!!!!!

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  4. Lula e Picolé de Chuchu em 2022!
    Can't wait.
    Já até solicitei transferência do título para os EUA.

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    1. Fez sua saída definitiva na RF, Joãozito?

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    2. ESTOU CONTIGO,JOÃO!!!!!!

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  5. Mijair não vai querer entregar a faixa. Vai fujir com ela pela porta dos fundos do Alvorada (sim, do Alvorada, pois não vai querer nem mesmo ir ao Planalto), como faz um gurizinho mijão que quando perde o jogo recolhe a bola e não deixa mais ninguém jogar.

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  6. Estou triste pelo Chile, daqui a 4 anos eles vão se aproximar da Argentina...

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    1. Outro minion que não sabe do que uma ditadura é capaz.

      Ou seja, que não sabe ler.

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  7. Eu acho suspeito isso aí. O Chile passou por maus bocados nos últimos dois anos por causa da esquerda e elegem um cara desse?

    Bom, não dou dois anos pra tá no mesmo nível da Argentina.

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    1. Não, minion. O Chile passa maus bocados há décadas por causa do neoliberalismo extremo deixado pela ditadura de Pinochet. As aposentadorias são pífias, por exemplo. As manifestações dos últimos dois anos colocaram esse modelo desumano em questão.

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    2. O NEOLIBERAL MALVADÃO Chile vem crescendo de forma totalmente espetacular entre os 2 períodos. Por que será? Aliás, o Chile é o país do continente americano que mais cresceu de 1980 pra cá.

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    3. Os dados não permitem afirmar que o “neoliberalismo” deu errado no Chile. Nenhum país latino-americano deu mais certo nas últimas décadas.

      Para entender o que está acontecendo, é importante olhar além das manchetes e discursos da semana. A insatisfação presente nos dias de hoje não pode obscurecer um fato incontestável: o Chile é o maior caso de sucesso econômico da América Latina.

      Em 2017, último ano com resultado divulgado no site da ONU, apenas dois países latino-americanos estavam entre os 50 primeiros do mundo no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): Chile, em 44º, e Argentina, em 47º.

      – O Chile tem o maior PIB per capita, seguido da Argentina (Fonte: Banco Mundial)

      – Os estudantes chilenos tem a melhor nota no PISA, seguidos dos argentinos (Fonte: OCDE)

      – A porcentagem de chilenos com renda inferior a U$ 5,50 é a menor da América Latina, seguida da porcentagem de argentinos. (Fonte: Banco Mundial)

      O mesmo se verifica observando outras linhas de pobreza, o acesso a saneamento básico e os mais diversos indicadores de desenvolvimento.
      Essa conclusão é que o Chile é o país mais desenvolvido da América Latina, tendo tomado o posto da Argentina recentemente.

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    4. Sim, tudo isso é verdade. Mas o bolo cresceu e não foi dividido. Por isto o descontentamento que explodiu nas manifestações de 2019. Se estuvesse tudo bem não haveria nada.

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    5. Tony,perto do Chile,o Brasil é uma Bolívia
      com praia.Lá,a esquerda venceu a eleição
      sem precisar recorrer a ex-bolsonaristas
      como Alckmin,que mandou a policia descer
      o cacete nos protestos de 2013.

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  8. "O Chile passa maus bocados há décadas por causa do neoliberalismo extremo deixado pela ditadura de Pinochet. As aposentadorias são pífias, por exemplo. As manifestações dos últimos dois anos colocaram esse modelo desumano em questão.".

    O aumento na desigualdade não significa necessariamente que seja ela a raiz da revolta. Nem que não seja.
    É verdade que o Chile se tornou mais desigual ao longo da última década? Não, de acordo com a medida mais adotada pelos economistas, o índice de Gini. Em 2003, ele era de 0,51 no Chile (no Brasil, 0,56; na América Latina, 0,52). Em 2017, caíra para 0,45 (no Brasil, para 0,54; na América Latina, para 0,47). O Chile não é apenas menos desigual que México, Brasil, ou Colômbia, mas, a exemplo de Uruguai, Argentina e Equador, tem se mantido pouco abaixo da média continental.
    A concentração de renda, ao contrário, cresceu. Em 2006, os 10% mais ricos da população ficavam com 31% da renda chilena. Em 2017, com 39%. É possível que haja aumento na concentração de renda no topo, mas queda na desigualdade na sociedade? Em teoria, sim, dependendo das taxas de crescimento econômico e da redução da pobreza. Por isso mesmo, a questão desafia análises simplistas.
    Desde os anos 1980, a pobreza chilena caiu de 40% da população para abaixo de 10%. A inflação está sob controle, e o crescimento também se mantém acima da média latino-americana, embora tenha caído nos últimos anos com o estouro da bolha das commodities. Como ocorreu em 2013 no Brasil, a revolta chilena espelha muito mais uma percepção disseminada pelas redes sociais do que a realidade da economia, ainda que ela enfrente mesmo dificuldades.
    A lenda urbana sobre o aumento de suicídios entre os idosos que ganham pouco é um ótimo exemplo de como a desinformação alimenta a revolta. Em 2016, o Chile estava na 118ª posição na lista dos países com maior taxa de suicídio na população acima de 70 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Eram 15,4 para 100 mil habitantes, metade da média mundial, de 29,7.
    Quanto às aposentadorias, os chilenos recebem em média 34% do salário de contribuição. É pouco, comparado aos 70% do Brasil, 72% da Argentina ou 87% da Índia. Mas é o mesmo patamar de Rússia (34%), Japão (35%), Estados Unidos (38%) ou Alemanha (38%). Está acima de Reino Unido (22%), México (26%) e Austrália (32%).
    Atribuir ao regime de capitalização adotado no Chile a responsabilidade pela discrepância é simplesmente ignorar a aritmética. A contribuição do chileno para a aposentadoria é de 10% do salário. No Brasil, são 11% do funcionário, mais 20% do empregador. Se o chileno acumulasse todas essas contribuições numa conta, poderia receber mais que o triplo. A culpa da aposentadoria baixa não é, portanto, do sistema de capitalização, mas do nível de contribuição.
    Mas e as taxas extorsivas cobradas pelos fundos de pensão privados para administrar o dinheiro? Na realidade, elas estão entre 0,7% e 1,5%, padrão compatível com qualquer instituição financeira internacional. Querer pôr a culpa das baixas aposentadorias chilenas no lucro dos bancos é não entender o que é lucro nem o que é banco. Chilenos recebem menos porque contribuem menos e, mesmo assim, não estão tão distantes do padrão global.
    A leitura ideológica apenas dificulta a análise de um movimento cujas raízes precisam ser estudadas a fundo. O Chile foi um dos maiores beneficiários da globalização, reorganizou sua economia em torno de exportações e adotou um modelo de desenvolvimento mais liberal, distinto de países como o Brasil, onde o Estado sempre assumiu o protagonismo.
    Tal modelo também foi incapaz de cumprir as promessas feitas a uma classe média emergente que se acreditava na antessala do Primeiro Mundo? Também dá sinais de esgotamento? São questões que exigem respostas precisas, embasadas em fatos, não ideologia de botequim. Só assim será possível encontrar os remédios certos para o mal chileno.

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    1. E, no entanto, as manifestações aconteceram.

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    2. O mais interessante é que nós apanhamos feio
      de um país que tem a forma de um palito-aqui,
      os militares entregaram um Brasil quebrado e
      falido,ao contrário do país de Pablo Neruda.

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    3. O governo Geisel tinha um plano bem interessante de desenvolvimento foi um dos motivos pelos EUA pressionarem pela redemocratização pra eles temos que ser os eternos provedores de commodities baratas não podemos desenvolver indústria veja o boicote ao ethanol na CNN, foi o Figueiredo que fudeu o país já sabendo que iam sair fizeram a rapina!

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    4. O modelo desenvolvimentista do Geisel não desenvolveu muita coisa e turbinou a inflação. Quase 40 anos depois, Dilma Rousseff seguiu um modelo parecido, que também não desenvolveu muita coisa e turbinou a inflação.

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    5. Tony,sabia que o Boric conseguiu algo que
      o Mijair não conseguiu?Criar seu próprio
      partido.O Macron também fez isso,na França.

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