sábado, 13 de novembro de 2021

NADA É PRETO OU BRANCO

Nesses tempos em que o colorismo entrou na pauta, "Identidade" é um filme que merece ser visto e discutido. A estreia da atriz Rebecca Hall ("Vicky Cristina Barcelona") como diretora acaba de chegar à Netflix, e conta em delicado preto-e-branco uma história bem violenta. As protagonistas são duas amigas de infância, que se reencontram depois de 12 anos separadas. Ambas são negras de pele clara. Claire, vivida por Ruth Negga - que está cotada ao Oscar de atriz coadjuvante - foi criada pelas tias brancas e, desde o final da adolescência, se passa por branca (daí o título original, "Passing"). Ela finge tão bem que se casou não só com um branco que não suspeita de nada, mas que também é asquerosamente racista. Irene (Tessa Thomspn), por outro lado, não precisou abdicar de nada para se tornar a esposa de um médico negro bem-sucedido e morar numa ótima "townhouse" no Harlem. Até empregada negra ela tem, vários tons mais escura. Mesmo assim, quando circula nos bairros brancos, Irene enterra o chapéu para esconder os cabelos e carrega no pó de arroz. Claire, exausta da farsa que vive, quer se aproximar de Irene, do Harlem, da cultura negra que ela deixou para trás. Mas a amiga tem dois pés atrás. Sente pena da amiga, mas também inveja e ressentimento por ela ter traído sua própria identidade. É uma boa ideia que ambas estejam bem de vida, pois assim a única desigualdade que conta é a racial. Com o piano esparso de Devonté Haynes na trilha sonora e uma reconstituição de época que faz pensar num orçamentomuito mais alto do que de fato é, "Identidade" é um filme plácido na superfície, mas com grandes emoções e grandes temas fervendo logo abaixo. Não faltam meios-tons.

20 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Quando eu falava dessas cores mórbidas
    "Quando eu falava desses homens sórdidos
    Quando eu falava desse temporal
    Você não escutou".
    No Brasil, "não ficaria pedra sobre pedra".

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    1. QUE MUSIQUINHA BREGA,HEIN????????

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    2. Anon 23:45
      Tente um argumento melhor e deixe de passar vergonha, ignorante. O Blog não precisa de pessoas recalcadas.

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  2. Poxa, parece ser um filmaço! E com um tema que fervilha no Brasil muito mais que nos EUA, onde a mestiçagem não é tão alta. Vou assistir.

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  3. TODO chão de loja Maçônica é.

    MUNDIALMENTE falando.

    (Os carros da "polícia" também eram - PINTADOS COM NOSSOS IMPOSTOS. Agora eles estão tentando disfarçar um pouco!)

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    1. Chão de loja maçônica não é preto OU branco, Mono. É preto E branco.

      Há uma diferença.

      E vamos parar com esse papo de maçonaria, extraterrestres, etc., que eu não tenho mais saco. Ninguém tem. Não vou mais aprovar nenhum comentário seu que traga esses assuntos. Foda-se.

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    2. Ahhhhh, não venha não, vc gosta dele...

      Ele não aparece e vc fica perguntando por onde ele anda. Rsrs

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    3. Meu medo é que ele se deixe seduzir pela teoria QAnon. Censurei um comentário em que ele falava em sacrifícios de crianças, vê se pode.

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  4. Parece ser um filme muito bom,e tem muito mais a ver com a nossa realidade brasileira, de sermos mestiços, quando parte do movimento negro mais extremista, despreza essa origem e diz que miscigenação é fruto de estupro e genocídio racial, pois eu sou mestiço, tenho por parte de mãe um avô branco e uma avó negra e ele não a estuprou e por parte de pai o contrário, avô negro e avo branca,todos frutos de relações amorosas consensuais e sempre amei minha identidade parda, eu entendo que durante muito tempo os pardos quiseram ser brancos,minha mãe alisava o cabelo para esconder sua origem, mas hoje em dia a coisa está mudando e penso que devemos abraçar essa origem .E gostaria de te perguntar tbm Tony se vc assistiu a Fedro o documentário do Gianecchini com o Zé Celso o que achou? Eu quero muito assistir,sou muito fã de ambos,o Gianecchini apesar de ter começado a carreira de ator no Oficina conseguiu construir uma carreira na Globo, geralmente os atores do Oficina são bem avessos a TV, o próprio Zé Celso só foi fazer novela em 2011,fez Cordel Encantado e mesmo assim disse que se arrependeu.

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    1. Calma ae no seu discurso, Gabriel! Pq ele é bem simplista e rasteiro.

      Eu tb sou pardo, aqui em Salvador, pessoas como eu, eram chamadas de cabo verde, pretas com cabelo liso e/ou olhos claros, mas hoje eu quero apenas ser identificado como negro mesmo, do mesmo jeito que brancos europeus com histórica ascendência arábica (fruto das Cruzadas!!!) continuam sendo brancos.

      Não é o movimento negro "extremista" que pensa assim (em que pese ter ciência de que não sou a régua do mundo, eu posso ser considerado tudo, menos extremista), são pessoas que buscam ter sua auto estima recuperada no âmbito coletivo, são pessoas que buscam quando pensam num par afetivo, pensar em uma pessoa negra também, e não apenas em uma pessoa branca, ou até mesmo um oriental (pq pensam mas não dizem, estes com seus cabelos lisos e seus traços delicados são mais belos que os negros/pretos). É sobre escolher a Lupita Nyongo, enquanto quando alguém diz que escolhe um preto, esse preto é a Camila Pitanga.

      Que bom que sua família de margarina é interracial, a minha também é, minha mãe é branca e meu pai é negro, eu sou negro com dois irmãos fenotipicamente (Lumena fazendo escola rsrs) brancos, mas o mundo Gabriel não é apenas sobre a gente. Imagina sofrer racismo desde a mais tenra idade na cidade mais negra fora da África, e ter dois irmãos consanguíneos que nem imaginam o que é isso na pele. Ainda sofrer com essa violência na comunidade gay. Ah, falar que a comunidade gay reproduz racismo piscando o olho, não é discurso de extremista não, pardo Gabriel!

      Saia de sua bolha progressista, e muitas vezes hipócrita. Mesmo vc desejando pegar o maquiador branco bolsonarista, não impede que você seja inteligente e empático! A democracia racial inexiste, é tudo sobre racismo físico mesmo, e esse filme que Tony indicou parece que coloca o dedo justamente nesta ferida aberta.

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    2. 13:59-Acorda,cara!O Gabriel citou o Zé Celso-
      kkkkkkkkkk.....pelo menos em Salvador,não
      chegaram ao ponto de ter banheiros só pra
      negros como num certo país norte-americano.

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    3. A prefeita negra de Bauru multou o McDonalds
      por causa de um banheiro multigênero.Rindo
      até 2031.kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    4. A prefeita birolista de Bauru, faltou dizer. Multa que provavelmente será revertida na Justiça, porque não há lei contra banheiro unissex.

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  5. Somos todos micegenados o brasileiro loiro de olhos azuis não resiste um teste de DNA os homens que vinham pra cá todos pegavam as índigenas que não só eram lindas e sensuais mas eram as únicas mulheres solteira, se hoje uma mulher viajar ou imigrar sozinha é raro e visto como um ato de muita coragem ou prostituicao (sim somos chamadas de putas sempre que queremos ser independentes) naquela época era impensável a mulher era simplesmente propriedade do homem todas as mulheres que vinhas eram casadas, vinham com os maridos. O Brasil nasceu do racismo como diz o Jessé de Souza.

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    1. Não é biologia, amigo... Kkk

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    2. Sim teve estupro! Mas teve muito casamento na minha família tem casamento de francês da Alsácia com indígena (minha avó falou que ele pegou ela no mato) e na sua família também deve ter algo assim,

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  6. Só se for os homens de olhos azuis do Nordeste-os
    do Sul/interior de SP não se misturam com outras
    cores-podem usar aquela camisa "100% branco".

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    1. E eles chegaram no Brasil quando ontem? A imigração alemã então foi a primeira muito antes da italiana quero ver um My Heritage da Gisele Bundchen

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  7. Esse é um filme que você vai passar muito tempo pensando, na forma como o roteiro foi criado, a discussão existente e principalmente o final. Uma pequena obra-prima que trouxe um ponto de vista que eu não conhecia. Vale muito assistir e discutir

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