domingo, 31 de outubro de 2021

A MOSTRA DE MÁSCARA - 6

Às vezes a Mostra me dá fartão. Lá vou eu assistir a mais um filme escolhido por seu paiseco para representá-lo no Oscar, e eu já sei do que se trata: da luta de uma figura solitária contra um sistema opressor, seja ele o patriarcado, o capitalismo ou o pop coreano. Tudo contado de maneira lacônica, com longos silêncios e nenhuma música, em locações feiosas e deprimentes. Ainda bem que "Brighton 4th", da pouco conhecida Geórgia, me surpreendeu positivamente. Sim, estilisticamente o filme se encaixa nos modismos atuais, mas a história é contada com clareza e sem firulas. Um senhor de idade vai a Nova York visitar o filho que se mudou para lá, e encontra o rapaz atolado em dívidas de jogo. Apesar de se passar quase toda nos EUA, a trama quase não tem diálogos em inglês e se passa inteira dentro da comunidade georgiana. Funciona como um instantâneo da cultura daquela nação do Cáucaso: viril, violenta, intolerante, mas também solidária. Valeu o preço do ingresso.
Ainda estou em dúvida quanto ao ingresso para "Memoria". O tailandês Apichatpong Weerasethakul rodou seu novo trabalho na Colômbia, quase todo em espanhol, e o filme irá representar esse país no Oscar. Como eu gostei muito de "Tio Bonmee", que venceu Cannes em 2010, e esse agora tem Tilda Swinton como protagonista, me senti na obrigação de ver. Os dois queriam trabalhar juntos há anos, e combinaram que seria num lugar onde ambos fossem estrangeiros. A primeira hora de "Memoria" é intrigante. Em planos longos e lentos, com a câmera parada, Tilda passeia por Bogotá, visita uma irmã no hospital e pede a um engenheiro de som para materializar o ruído que ela ouve em sua cabeça: uma bola de concreto se chocando contra um chão metálico. Aos poucos, ela percebe que coisas de que se lembra de fato não aconteceram. Estaria ficando louca? Mas a segunda metade se perde num diálogo chatíssimo que ela tem com um sujeito que conhece no interior, e o filme acaba se transformando numa série de belas paisagens. Será que eu não entendi nada? Será que eu quero entender? Pelo menos Tilda continua ótima.

Um comentário:

  1. affe nossa cultura ta tao americanizada e esses idiota que curtem futbol americano?

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