sexta-feira, 29 de outubro de 2021

A MOSTRA DE MÁSCARA - 5

"O Joelho de Ahed" é o filme mais inovador que eu vi até agora na Mostra. Isto não quer dizer que eu tenha gostado muito, mas sei reconhecer uma novidade quando ela aparece. O diretor israelense Nadav Lapid já tinha ousado bastante com "Sinônimos", que venceu o Festival de Berlim de 2019, e dessa vez ele foi além. O título se refere a uma jovem palestina que estapeou um soldado de Israel. A garota foi presa, e um  político judeu disse que ela merecia ser baleada no joelho. O filme começa com um cineasta chamado apenas Y, um alter ego de Lapid, fazendo testes para encontrar a atriz que interpretará Ahed. Aí ele larga tudo e vai apresentar um filme seu premiado numa pequena cidade do sul do país, em pleno deserto. Assim parece simples, mas tem muita tergiversação, muita câmera tremida, muito monólogo interior. Y se sente culpado pela maneira com que Israel trata os palestinos, carrega um trauma de quando serviu o exército e fala da mãe o tempo todo. Está longe de ser  cativante, mas Nadav Lapid exige (e consegue) atenção.
Meu principal critério para escolher quais filmes ver na Mostra é se o título em questão vai representar seu país no Oscar. Por causa disto fui ver "Descerrando os Punhos", que chegou por aqui com o nome em inglês, "Unclenching the Fists". O escolhido da Rússia venceu a mostra Un Certain Regard de Cannes e vai passar no MUBI no mundo inteiro. É aquele tipo de longa lacônico, naturalista, sem trilha sonora, com que eu implico tantas vezes. A história é aflitiva: uma adolescente da Ossétia do Norte, no Cáucaso, vive oprimida pelo pai doente e pelos irmãos carentes, para quem ela funciona como mãe. O velho não a deixa sequer passar por uma cirurgia importante. Essa atmosfera desoladora e sufocante me cansa um pouco. Devo ser mesmo um macho insensível.

2 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Que saudades do tempo que tinha o maior tesão pela Mostra. Quantos momentos glamourosos. A noite que assistimos Salò..."25', A árvore dos Tamancos. E toda delícia nas filas que se formavam no vão livre do MASP, nas tardes de domingo antes de adentrar o auditório.
    Confesso que vivi rsrs

    ResponderExcluir