quarta-feira, 29 de setembro de 2021

HIJAB DE GRIFE

Isabelle Huppert é uma das minhas atrizes favoritas, mas não é uma camaleoa. Ela não se metamorfoseia de um personagem para outro: mantém sempre o mesmo look e o mesmo ar de superioridade intelectual. Mas de vez em quando ela leva esta persona, tão adequada para dramas, para uma boa comédia. É o caso de "A Dona do Barato", onde Huppert esmerilha num papel que parece ter sido feito sob medida para a outra Isabelle. A protagonista, uma tradutora da polícia que faz um bico vendendo haxixe, é filha de pai argelino e mãe europeia, e é fluente em árabe - tal como a Adjani. Acontece que minha ex-diva favorita também fez uma maghrébine envolvida com o tráfico de drogas em "O Mundo É Seu", três anos atrás. E duvido que ela estaria tão bem aqui quanto sua amyga e ryval, que revela uma vulnerabilidade inusitada mesmo usando hijab e maquiagem pesada. Os cenários também são pouco vistos: boa parte da ação do filme se passa nos bairros parisienses de Barbès e Belleville, cheios de imigrantes de classe baixa - uma espécie de lado B da capital francesa. Despretensioso e amoral, "A Dona do Barato"  fez Isabelle Huppert subir mais alguns degraus no meu pódio mental. Como se isto fosse possível.

6 comentários:

  1. Escreveu, escreveu e não
    Disse nada! O
    Filme presta?

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    1. Escreveu tão bem que nem sinto necessidade de ver o filme.
      G-

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    2. Ele tem esse poder, ele contextualiza, é como se não fosse arte, mas sim realidade...

      Embora esse post parece mais de um fã mesmo!

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  2. Me interessei, tem em qual serviço de streaming?

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    1. Por enquanto está só nos cinemas. Depois deve ir para o Telecine.

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