quarta-feira, 8 de setembro de 2021

CINDERELO DE BURCA

Sou fã de carterinha do quadrinista francês Riad Sattouf, autor da série autobiográfica "O Árabe do Futuro". Sattouf também é compositor e cineasta, mas seus filmes nunca estrearam no circutio brasileiro. Agora consegui ver um, o segundo, e adorei. "Jacky au Royame des Filles" (Jacky no Reino das Mulheres) está em cartaz no MUBI até o começo de outubro. Trata-se de uma inversão esperta da história da Cinderela, lançada em 2014 - mas, com a volta do Talibã ao poder no Afeganistão, parece ter sido feita ontem. A história se passa na fictícia República Popular e Democrática de Boubounne, uma ditadura totalitária onde as mulheres é que mandam e os homens não têm direito algum. Os pobrezinhos precisam andar com uma espécie de burca que só deixa o rosto descoberto (melhor que a das afegãs), e os solteiros são assediados o tempo todo pela mulherada. É o caso do belo Jacky, que, como todos os rapazes de sua idade, sonha em se casar com a Coronel, a filha da General, líder máxima do país. O noivo será escolhido num grande baile, e Jacky precisa não só arranjar uma burca branca e cintilante como também um convite, que custa caríssimo. Rodado na Geórgia em locações que desafiam a credulidade, "Jacky" também um elenco cheio de estrelas francesas, como Charlotte Gainsbourg e Noémie Lvovsky. Mas quem carrega o longa é Vincet Lacoste, revelado por Sattouf em sua estreia no cinema e hoje um astro estabelecido. Cheio de piadas com machismo reverso e atuações fenomenais (dá para sentir como as atrizes estão se divertindo ao se comportar feito cafajestes), "Jacky" é um filme que subversivo e engraçadíssimo, já deveria ter se tornado cult. Vale a pena pegar um mês de graça no MUBI só para assisti-lo.

3 comentários:

  1. Olá, meu nome é Ismael, estou aqui para fazer um relato despretensioso.

    Fui assessor de Carlos Bolsonaro, o Carluxo, por 1 ano. Foi um bom trabalho, rendeu bem, mas não quero entrar em detalhes para não comprometer-me politicamente. O meu relato é de viés pessoal.

    Sempre cheguei cedo ao gabinete, antes de todos, antes até da faxineira. Carlos chegava lá pelas 10 horas, sempre cansado, parecia de ressaca, após mais uma noitada daquelas. Ele dizia, preciso viver e aproveitar a minha fama de bom vereador, correto, cívico e honesto. Não sei o que queria dizer, mas eu concordava ao servir-lhe o primeiro café do dia. Ele tomava um gole e falava: Ismael, o seu café é o melhor café do Rio! Eu agradecia, mesmo sabendo que o café era da máquina e com certeza ele também sabia disso. E foi assim por uns dois meses. Até que um dia ele chegou pra mim e disse: Ismael, venha aqui na minha sala e feche a porta. Fui e esperei qual seria sua ordem. Ele nada disse, apenas abaixou as calças e ficou de costas, nu da cintura pra baixo mas ainda de meias e sapatos. Eu tremi. Ele pediu pra eu dar uma olhada em sua nádega esquerda. O que? eu falei balbuciando... Só olhe aqui e veja se você acha isso normal, disse ele. Fui ver de perto, quase encostando a testa em sua bunda e sentindo um leve odor de fezes. Olhei e reparei que havia uma marca de dentes em sua carne. Uma mordida feroz que deixou uma ferida sangrenta que continha até um pouco de pus. Ele falou: Você acha que vai deixar cicatriz? Eu disse que era só ele cuidar passando merthiolate que tudo sumiria em cinco dias. Ele suspirou aliviado e subiu as calças. Você já pode sair, disse ele.

    Depois disso, tudo continuou normal por uns nove meses, sem nenhum incidente, apenas uma piscadela marota de vez em quando, que eu via como carinho de chefe por seu empregado, nada a ver com ideias esquisitas.

    Então, numa manhã, Carlos chegou com dois seguranças. Nunca fazia isso. Não falou nada e se trancou com eles em sua sala. Começou uma gritaria e uma barulheira de móveis se arrastando. Eu fiquei assustado e a faxineira olhou pra mim e apenas fez um sinal de silêncio com o dedo na boca. Logo em seguida começaram os gemidos, eram tão altos e tão constrangedores que eu senti dor de barriga instantaneamente. E um barulho de soco insistente e incessante, não sei o que era, mas parecia que alguém estava batendo violentamente contra algo macio, repetidas batidas secas que de vez em quando emitiam um leve estampido meio molhado. Muito estranho. Foi assim por uma hora mais ou menos, e tudo acabou com um urro fantasmagórico que me dá arrepios só de lembrar. Depois, silêncio. Carlos saiu de seu escritório todo suado e meio amarrotado, com as roupas bagunçadas em seu corpo. Ele passou a mão no cabelo e falou: Não conta nada pro meu pai, viu? Dando um risinho sarcástico. Saí pra almoçar e voltei só duas horas depois, aí tudo já estava normal e nem sinal dos seguranças.

    Trabalhei por mais um mês e pedi demissão.

    ResponderExcluir
  2. uou, q historia/idia sensacional ... tô considerando seriamente seu publi, tendo em vista que as 2 plataformas q eu assisto me foram doadas :-) thnks 4 the tip

    ResponderExcluir