quinta-feira, 30 de setembro de 2021

OS DOIS FILMES QUE PODIAM SER UM

O Brasil finalmente acordou para o true crime. Enquanto nos EUA existe há décadas a tradição de filmes e documentários sobre crimes da vida real, aqui o máximo que se produzia eram programinhas sensacionalistas tipo "Linha Direta". Um pouco por causa das famílias de vítimas e culpados - a Globo, por exemplo, jamais se atreveu a dramatizar a morte de Daniela Perez, para não melindrar a mãe da atriz, Gloria (mas uma série sobre o caso acaba de entrar em produção para a HBO). Só que a grana fala mais alto, e o sucesso de títulos como "Making a Murderer" por aqui mostrou que o público brasileiro tem fome por esse tipo de entretenimento. Abriu-se a porteira.

Um candidato óbvio era o assassinato dos pais de Suzane von Richthofen, que rendeu dois filmes do diretor Maurício Eça. A ideia dele era boa: até hoje Suzane e seu namorado e cúmplice Daniel Cravinhos se acusam mutuamente, contando versões bem diferentes do que de fato aconteceu. Assim, os longas "A Menina que Matou os Pais" e "O Menino que Matou Meus Pais", prontos há um ano e meio e adiados por causa da pandemia, assumem pontos de vista distintos. O par finalmente estreou na Amazon Prime Video, gerando um combate de opiniões na internet. Ontem vi os dois de enfiada, e achei... médios. Há muitas cenas repetidas nos dois longas, uma técnica comum nos seriados do gênero. Também há contrastes: Suzane é uma vilã maconheira em um deles, e uma criança assustada no outro. Mas fiquei com a sensação de que essas versões conflitantes poderiam conviver num só filme de duas horas, ao invés de dois de uma hora e meia. Carla Diaz às vezes passa do ponto, mas consegue capturar a expressão corporal de uma personagem 10 anos mais nova do que ela. Quem está bem mesmo é Leonardo Bittencourt, um ator que eu não conhecia. Enfim: "O Menino..." e "A Menina..." são os filmes do momento, e quem quiser ter assunto precisa vê-los. Mas ficariam melhores se fosse um só.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

A TIA TÁ ON

A Netflix está com boas animações para adultos. Depois de "Força Queer", eu mergulhei em "A Tia É Top", que também é ora lá de gay-friendly. Mas a protagonista é hétera: Diane Dunbrowski é aquela mulher que, se não temos na família, pelo menos conehcemos por aí. A festeira que se recusa a envelhecer e que se comporta feito uma adolescente, mesmo já bem entrada em anos. Ela divide um apartamento com seu sobrinho Daniel, que está se iniciando na vida gay. Diane serve como uma guia irresponsável, pois sabem onde encontrar a melhor cocaína e os melhores pintos de Chicago. Lamento apenas não conhecer a cidade, pois a série é uma tiração de sarro-barra-carta de amor à terceira cidade americana, cheia de referências que eu não consegui pescar.

HIJAB DE GRIFE

Isabelle Huppert é uma das minhas atrizes favoritas, mas não é uma camaleoa. Ela não se metamorfoseia de um personagem para outro: mantém sempre o mesmo look e o mesmo ar de superioridade intelectual. Mas de vez em quando ela leva esta persona, tão adequada para dramas, para uma boa comédia. É o caso de "A Dona do Barato", onde Huppert esmerilha num papel que parece ter sido feito sob medida para a outra Isabelle. A protagonista, uma tradutora da polícia que faz um bico vendendo haxixe, é filha de pai argelino e mãe europeia, e é fluente em árabe - tal como a Adjani. Acontece que minha ex-diva favorita também fez uma maghrébine envolvida com o tráfico de drogas em "O Mundo É Seu", três anos atrás. E duvido que ela estaria tão bem aqui quanto sua amyga e ryval, que revela uma vulnerabilidade inusitada mesmo usando hijab e maquiagem pesada. Os cenários também são pouco vistos: boa parte da ação do filme se passa nos bairros parisienses de Barbès e Belleville, cheios de imigrantes de classe baixa - uma espécie de lado B da capital francesa. Despretensioso e amoral, "A Dona do Barato"  fez Isabelle Huppert subir mais alguns degraus no meu pódio mental. Como se isto fosse possível.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

POURQUOI PAS?

Fui ouvir o tal do Matuê, que ilustra a capa da Ilustrada desta terça. "Quer Voar", o hit atual do trapper de Fortaleza, até que tem um sonzinho bacana, mas a letra é literalmente de foder. Veja bem, eu sou da geração que lutou contra a censura da ditadura militar, mas música com muito palavrão não faz meu gênero. OK, pode me chamar de velho - faço 61 anos no mês que vem - e continuo achando que ninguém superou ainda os medalhões da música brasileira. ESta semana saiu a primeira inédita da Rita Lee desde 2012, "Change", feat. Gui Boratto. Pronuncia-se chánge, en francês, e não cheinge, em inglês: Rita decidiu reaparecer cantando nessas duas línguas, evocando François Hardy. Também é boa a nova do Caetano Veloso, "Anjos Tronchos", com letra elaboradíssima atacando Biroliro e quetais. Por que não? Por que não?

SIM, EU QUERO

Mesmo sendo o país dos relógios, a Suíça costuma chegar atrasada aos avanços sociais. As mulheres de lá só ganharam o direito ao voto em 1971, muito depois do resto do Ocidente. Neste domingo, os suíços finalmente aprovaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por casais homoafetivos e a doação de esperma para casais de lésbicas. Eu não costumo aprovar que direitos de minorias sejam submetidos a referendos, mas, assim como aconteceu na Irlanda, a vitória LGBTetc. foi acachapante, com cerca de dois terços dos votos. No mesmo dia, o minúsculo San Marino legalizou o aborto, revogando uma lei do século 19 - e encerrando a hipocrisia reinante, que fazia as mulheres de lá atravessarem a rua para abortar na Itália, onde a prática é legal há 40 anos. Para completar, os partidos progressistas SPD e Verde bateram recordes de votação na Alemanha. Tudo isto pode ser resumido numa frase: o mundo está rejuvenescendo. A garotada que finalmente pode comparecer às urnas não dá ouvidos aos demagogos da extrema-direita, e querem para ontem os direitos das mulheres e dos gays. Sim, eu também quero, apesar de não ser garoto há muito tempo.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

E EU ESTOU DIZENDO QUE NÃO ESTOU INDO

Dois anos e pouco atrás, eu estava lá, na plateia do radio City. Ontem vesti smoking mais uma vez, mas nem saí de casa. Foi para apresentar a live de esquenta da entrega dos 74o. Tony Awards, transmitidos pelo canal Film & Arts. Nunca que a Broadway ficou tanto tempo sem sua premiação, e o clima era de euforia - apesar dos poucos espetáculos indicados, todos em cartaz antes da pandemia. Dessa vez a cerimônia foi cortada em duas partes, mas o espectador brasileiro não sentiu tanta diferença assim (nos EUA, a primeira passou só na plataforma Paramount +, e a segunda na CBS). A ideia era celebrar a reabertura da Broadway, que permaneceu fechada por um ano e meio. Não, ela não acabou, nem foi para lugar nenhum. Continua lá, radiante. No palco do teatro Winter Garden, grandes nomes do teatro musical cantaram números de sucessos fecentes, como "Wicked" e "Hairspray". Para mim o melhor de todos foi Jennifer Holliday bradando seu carro-chefe, "And I Am Telling You I Am Not Going", o showstopper mais stopativo da história do showbiz, que ela mesma lançou em "Dreamgirls", em 1982. "Jagged Little Pill", baseado no álbum da Alans Morrisette, tinha 15 indicações, mas perdeu quase todas para "Moulin Rouge!", a versão para o palco do filme de Baz Luhrman, que levou 10 troféus. Já estou desidratado de vontade de ver, pois parece formidável. Quem sabe ano que vem, se eu voltar a Nova York para a entrega do 75o. Tony Awards?

domingo, 26 de setembro de 2021

BACK TO BROADWAY

Dois anos atrás, o canal Film & Arts me mandou para Nova York, para cobrir a entrega dos Tony Awards. Alguns meses depois começou a pandemia e o planeta fechou quase todo - inclusive a Broadway. Agora os teatros estão reabrindo por lá, e finalmente vai acontecer uma nova cerimônia dos Tonys. Os indicados estavam todos em cartaz antes da chegada do coronavírus, e são bem poucos. Novamente a convite do Film & Arts, vou contar quem são os favoritos e outras fofocas mais na live de esquenta dos Tony Awards logo mais às 19 horas, no Instagram FilmAndArtsBr, junto com Marilia Di Dio. Depois, a partir das 20 horas, o canal transmite ao vivo a premiação, com números completos dos musicais concorrentes. Já separei o smoking (sério).

O DEPÓSITO DE MULHERES INCONVENIENTES

Até o início da Idade Moderna, mulheres que não se encaixavam no que a sociedade esperava delas eram despachadas sem a menor cerimônia para os conventos. Ao longo do século 19, uma novidade ainda mais cruel se popularizou: os hospícios. Quem ainda não era louca ao chegar não demorava para perder os parafusos, tamanha a quantidade de maus-tratos. É para o lendário La Salpêtrière, que existe até hoje em Paris, que é despachada a protagonista de "O Baile das Loucas", filme francês que acaba de chegar à Amazon Prime Video. Os sintomas de loucura da moça eram sair sozinha para ler e fumar em cafés, e falar com os mortos, que a usavam para transmitir mensagens para os vivos. Adaptada do romance de Victoria de Mas, essa história escabrosa rendeu um ótimo longa nas mãos da atriz Melanie Laurent, que eu não sabia que também é diretora. Com primorosa reconstituição de época e elenco esplêndido - meu destaque vai para Emmanuelle Bercot, que tem uma cena em que arrasa só com o olhar - "O Baile das Loucas" ainda levanta um tema que segue atual: o movimento antimanicomial. Sem falar na luta das mulheres pela igualdade, que não tem hora para acabar.

sábado, 25 de setembro de 2021

SARNENTO GARCIA

É sempre um grande dia quando o Alexandre Garcia perde o emprego. Ontem o decano dos negacionistas finalmente foi defenestrado da CNN Brasil, após ser desmentido pela enésima vez ao defender o imaginário tratamento precoce contra a Covid-19. O cara pelo menos é coerente: começou a carreira puxando o saco da ditadura, e termina puxando o saco de um aspirante a ditador. Mas convém não abrir o champagne tão cedo. Enquanto o Biroliro estiver no poder, há sempre o risco da Jovem Klan chamar Garcia e suas ideias sarnentas para abrilhantar um escrete de comentaristas onde já despontam sumidades como Ana Paula do Vôlei e Adrilles Jorge.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

A VERDADEIRA TERCEIRA VIA

 Já está provado que os minions não o abandonam nem se ele comer a própria filha em público, mas eles não são suficientes para ganhar a eleição. Por isto, parece que convenceram o Biroliro a falar para além do cercadinho. Ele anunciou na live desta quinta que daria entrevista até para a Globo, contanto que fosse ao vivo, e nesta sexta a revista Veja publicou uma longa entrevista com o Despreparado. Além de cometer o ato falho de denunciar que Micheque se vacinou nos EUA e, com isto, detonar uma minicrise, o Não-Vacinado soltou frases que soariam absurdas na boca de qualquer outro mandatário: "a chance de um golpe é zero", "não vou melar as eleições" e por aí vai. Foi o bastante para convencer os incautos de que agora quem está no Planalto é o Bozinho Paz e Amor, um sujeito moderado que sabe usar os talheres. Este ser imaginário é a verdadeira terceira via, aquele em que mercados e antipetistas votarão com gosto em 2022. Contanto que ele não coma a própria filha em público.

ANGELA UBER ALLES

Domingo tem eleição na Alemanha, e pela primeira vez desde 2005 a premiê Angela Merkel não está no páreo. O que não quer dizer que ela partirá logo para a tão sonhada aposentadoria: a depender das negociações para a formação de um novo governo, Merkel pode seguir no cargo até o começo de 2022. Mas hoje a imprensa toda está fazendo balanços dos 16 anos dessa alemã-oriental no comando do país mais rico da Europa. Ninguém precisa concordar com tudo que ela fez para perceber que ela é uma estadista. Soube conduzir a Alemanha através de diversas crises, apesar de não ter feito xongas pelo casamento gay e outras pautas identitárias. Também é o caso raríssimo de político que escolhe se aposentar, sem ser derrotado nas urnas. Aos 67 anos, Angela Merkel quer curtir o tempo que lhe resta sem preoucpações maiores do que dar comida para seus papagaios. Quem dera muitos outros a imitassem.

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

NÃO HÁ MONTANHA ALTA O BASTANTE

Eu estava esperando que a terceira e última temporada de "Pose" fosse uma tragédia interminável. Afinal, os dois protagonistas são soropositivos, e a série se passa na virada dos anos 80 para os 90, quando ainda não havia tratamento eficaz contra a AIDS. Suspirei aliviado quando percebi que os sete episódios finais, que acabaram de chegar à plataforma Star+, têm bastante humor e a fechação habitual. Também são irregulares: dois ou três me divertiram muito, outros quase fizeram chorar. E o gran finale, com uma hora e meia de duração, é meio decepcionante. Depois de comerem o glitter que o diabo amassou, as trans e gueis de "Pose" estão rycahs e belíssimas nessa reta final. Todas moram em apartamentos inacreditáveis, decorados com supremo  bom gosto - sem falar na verba de que dispõem para o guarda-roupa. Entendo que o momento pede desfechos felizes para a comunidade LGBT+, mas "Pose" força um pouco a amizade. Claro que nada disso importa quando quem está em cena é Elektra Abundance, minha personagem favorita, agora de caso com a máfia e mais avassaladora do que nunca.
"Pose" não seria "Pose" se não tivesse números de montação nos bailes onde as "houses" daquela época disputavam troféus. Meus prediletos da terceira temporada são dois: um é um flashback, com a antiga House of Abundance vestindo suas filhas como princesas de contos de fadas ao som de "Once Upon a Time", da Donna Summer. O outro é com Pray Tell e Blanca dublando "Ain't No Mountain High Enough" da Diana Ross, com uma produção que elas evidentemente não teriam como bancar. Mas, de novo, quem se importa com minúcias quando o resultado é luxuoso?

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

O VÉIO QUE MATOU A MÃE

Quanto mais eu ouço e leio sobre o escândalo da Prevent Senior, mas me vira o estômago. A operadora de saúde fez de seus clientes cobaias, sem a autorização deles. Distribuiu o "kit Covid" quando já se sabia que esses remédios eram ineficazes. Escondeu mortes pela doença, dizendo que tiveram outras causas - inclusive a do médio Anthony Wong, notório negacionista. Mas nenhuma história é mais embrulhaste que a do Véio da Havan e sua mãe. Luciano Hang autorizou que a pobre senhora tomasse cloroquina e outras drogas inúteis. Quando ela morreu, gravou vídeo lamentando que sua genitora não passou pelo "tratamento precoce", quando ela havia passado e batido as botas por causa dele. É esse sujeito que quer se candidatar a senador por Santa Catarina, e está em primeiro lugar nas pesquisas. Todo esse horror me levou a um dilema. Adivinha qual é o plano de saúde de todo mundo aqui em casa?

QUEDROGA INEFICAZ

O rolé do Não-Vacinado e seus asseclas em Nova York terminou de maneira patética. O ministro da Saúde, justo quem, foi diagnosticado com Covid-19. Marcelo Quedroga já está vacinado e deve ter sintomas leves, se tanto; agora vai curtir duas semanas de férias no hotel Intercontinental Barclay's, às nossas custas. Como que um sujeito que deveria estar liderando os esforços contra a pandemia conseguiu se contaminar? Que cazzo ele foi fazer em Nova York, além de comer pizza na rua e mostrar o dedo para manifestantes? É a desmoralização completa desse homúnculo, que deixou suas pretensões políticas subjugarem suas responsabilidades como médico. Quedroga se pazzuelizou, e o Brasil continua com o mesmo ministro da Saúde desde 2019: Edaír Biroliro.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

CERCADINHO EM MANHATTAN

Não vou rebater ponto por ponto o discurso mentiroso que o Biroliro fez hoje de manhã na abertura da Assembleia Geral da ONU. Tem gente mais gabaritada do que eu fazendo isso por aí, e o assunto ainda vai durar uns dias. Mas reitero o que já disse muitas vezes: tudo o que o Despreparado faz e diz visa seu gado fanatizado, e mais nada. Não sei como teve gente que esperou que ele fosse soar moderado. O Bozo agiu como se continuasse no cercadinho: reforçou todas as crenças dos minions. O Brasil vai às mil maravilhas. Bom mesmo é a família tradicional - ou seja, casais do mesmo sexo são execráveis. O Brasil vai dar vistos para os cristãos afegãos, o que vai de encontro ao que muitos crentes acreditam: cristãos são perseguidos no mundo inteiro, inclusive por aqui. Só faltou o Não-Vacinado confirmar a potoca que corre nas redes sociais de seus apoiadores ignorantões: que ele foi convidado a abrir os trabalhos na ONU em deferência a seu trabalho excepcional. A bezerrada nem desconfia que essa é uma tradição que remonta a 1945, nos tempos do Oswaldo Aranha.

SOCAR ATÉ SER CANCELADO

Muitos petistas preferem deixar o Biroliro em paz, para que ele chegue ao segundo turno contra Lula em 2022, e atacar um inimigo que lhes parece muito mais temível: a deputada federal Tabata Amaral, que, com seus tentáculos viscosos, vêm tirando votos da classe média que iriam para o PT (Pedro Doria explica direitinho neste vídeo). Tabata virou um alvo liberado para essa turma, a ponto do José de Abreu se sentir autorizado a retuitar uma ameaça física à parlamentar e achar engraçado. Suspeito até que o ator seja, na verdade, um infiltrado da extrema-direita nas hostes petistas. Suas boutades irresponsáveis só agradam aos mais fanáticos, e causam repulsa em quem não reza pela bíblia de Lula. O pior é que ele não faz o que diz: exortou os apoiadores do governo Dilma a comprar ações da Petrobras, por exemplo, mas ele mesmo não meteu a mão no bolso. Zé de Abreu é a caricatura do esquerdista de boutique, e merece ser cancelado. Inclusive pelos petistas sérios e civilizados.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

IF I CAN MAKE IT THERE, I'LL MAKE IT ANYWHERE


Estragada pelo cercadinho, a entourage do Biroliro está tomando um banho de vida real em Nova York. Quedroga mostrou o dedo médio e o tamanho de seu caráter para um bando de manifestantes. O Bananinha foi escorraçado a vaias da Apple Store da 5a. Avenida. It's up to you, New York, Neeew Yooork.

PIZZA AO RELENTO

É tudo marketing. É tudo estratégia - o que não quer dizer que vá dar certo. Cada passo do Biroliro, cada merda que ele fala, é calculada para agradar ao gado que o apoia, e mais nada. A foto tirada ontem em que ele aparece comendo pizza no meio da rua com vários de seus ministros - inclusive o Quedroga, que aproveitou que a pandemia acabou no Brasil para dar um rolé em Nova York -  é só mais uma peça da campanha eleitoral. Estão vendo, minions, como o Minto é simplório que nem vocês, que preferem comidinhas simples a restaurantes empequetados? Percebem como ele se lixa para a vacina e come de pé, ao relento? Queria só ver se esta cena se repetiria no inverno, sob um frio de 10 graus negativos. Amanhã o Bostonazi bostejará na Assembleia-Geral da ONU, e nenhuma de suas palavras será em prol do Brasil. Tudo que ele disser tem como único objetivo agitar a bezerrada, para segurá-la até as eleições de 2022. Ele não está nem aí para melhorar a imagem do país, atrair investimentos, deixar de ser piada internacional. Só quer se reeleger, para continuar mamando nas tetas do Estado e livrar a familícia da cadeia. Só que, pelo jeito, dessa vez não vai acabar em pizza.

domingo, 19 de setembro de 2021

O BICÃO MAIS AMADO DO PAÍS

Luís Gustavo não precisava ter feito mais nada depois de "Beto Rockfeller" para garantir um lugar na história da TV brasileira. Exibida em 1969 pela extinata TV Tupi, a novela de Bráulio Pedroso ia contra todos os parâmetros da época: era uma trama contemporânea, com toques de humor e um protagonista que não tinha todas as virtudes. A interpretação de Tatá também era totalmente distinta da dos galãs de então, cheia de insinuações e malandragens. Depois ele ainda brilhou como o Mário Fofoca de "Plumas e Paetês" e o Vavá de "Sai de Baixo", entre tantos outros personagens. Como se não bastasse, era um ator queridíssimo pelos colegas, que est∫a desolados com sua morte neste domingo. Eu também estou, mas me consolo de pensar que Luís Gustavo teve uma vida plena, repleta de sucessos. Agora, que aninho desgramado para a teledramaturgia brasileira, hein?

sábado, 18 de setembro de 2021

BICHA PRETA INCLASSIFICÁVEL

Não posso reclamar que não havia popstars gays quando eu era adolescente. Cresci ao som de Ney Matogrosso, Freddie Mercury, Elton John, David Bowie. Mas nenhum deles, nem mesmo o Ney, era tão escancaradamente sexual quanto Lil Nas X, que ainda por cima é preto. Ontem finalmente saiu o primeiro álbum do cara, que se chama "Montero" como seu autor nos documentos. Que também é o nome de um carro da Mitsubishi, que a mãe dele queria muito... O próprio Lil Nas X conta isso às gargalhadas, e já deu pra ver que ele faz o estilo sincerão. Mesmo quando há muita produção, e sempre há, suas músicas e vídeos revelam o que há por dentro desse belo rapaz de apenas 22 anos. Ontem também saíram vídeos para TODAS as faixas de "Montero". Ainda não vi tudo, pois é preciso estar muito acordado e prestar muita atenção nos detalhes. Mas o novo single está aí em cima, com pegada mais pop que os anteriores. Se Lil Nas X faz questão de colar em si mesmo o rótulo de gay, musicalmente ele é bem mais difícil de classificar. "Montero" já entrou para a lista dos 10 melhores álbuns do ano, e desconfio que irá galgar alguns postos a cada nova audição.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

QUEDROGA DE MINISTRO

Marcelo Queiroga quer se candidatar no ano que vem, seja a deputado, senador ou até mesmo governador da Paraíba. Para isto, precisa se manter em evidência, à frente do ministério da Saúde. Como sua situação anda meio periclitante, o ministro não teve dúvidas: rifou sua reputação e a saúde dos brasileiros, para agradar ao Biroliro e sua claque de ativistas do vírus. Seu anúncio ontem de que adolescentes não devem se vacinar é um escândalo proposital, lançado para desviar a atenção de um escândalo ainda maior: os testes fajutos que a Prevent Senior vêm fazendo com pacientes de Covid-19, à revelia destes, com resultados falsos e algumas mortes perfeitamente evitáveis. Num país normal era caso para cair o governo inteiro, mas no Brasil ainda há quem acredite em mitos. Esse caso da Prevent levanta uma lebre que pula por aí há algum tempo: o Genocida e sua turma devem estar recebendo uma granda de indústrias farmacêuticas para promover remédios ineficazes como a cloroquina e companhia bela. E ainda tiveram o desplante de cortar no meio a live da tarde de ontem, para insinuar que estariam sendo censurados por Facebook e YouTube - esqueceram que essas plataformas têm donos diferentes, e é impossível que combinassem de sair do ar no mesmíssimo segundo. É com essa corja que o Quedroga se mistura, é dela que ele faz parte.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

O FIM DA SEMANA

A notícia era mais do que esperada e mesmo assim fiquei tristinho. A The Week São Paulo fechou as portas de vez, depois de mais de um ano e meio sem funcionar por causa da pandemia. A nota ao lado foi publicada hoje no Instagram, comunicando que o imenso imóvel da Pompeia foi vendido. Vão subir uns prédios ali... Estive lá pela última vez em novembro de 2019, mas já ia pouco fazia alguns anos. Mas nunca deixei de adorar a boate que eu mais frequentei na minha vida. Entre 2005 e 2012, fui praticamente todos os fins de semana, e não sei como sobrevivi. Fui gold, fui black, fui green, botei grupos imensos pra dentro, passei vexame e o André Almada sempre me tratou feito um rei. Tenho um milhão de boas lembranças da TW, e teria dois milhões se ainda me sobrassem todos os neurônios. Mas a vida continua: a Japonesa já está aprontando sua próxima casa, e a The Week Rio deve reabrir até o final do ano. Novas lembranças virão.

PEQUI DERRETIDO

Segundo a pesquisa DataFolha divulgada hoje, a popularidade do Biroliro bateu um recorde negativo: 53% dos brasileiros reprovam seu desgoverno. Ainda acho pouco. Dilma chegou a 85% por muito menos. Como que metade da população ainda tolera, para não dizer apoia, este incompetente metido a autoritário? Acho que é aí que reside o x da "cuestão". Muita gente se identifica com o Genocida, com seu machismo, sua ignorância, suas más-criações. Nunca fui desses que acha que o Brasil é o melhor país do mundo, mas agora luto comigo mesmo para não achar o pior. Por outro lado, não há lugar totalmente civilizado neste mundo, nem mesmo a Escandinávia. A única coisa que me dá confiança no futuro é que, por aqui, os negros já são maioria.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

FILHA DE ADULTOS SURDOS

Coda, cauda em italiano, é parte final de uma peça musical. Em inglês, também é a sigla de Child of Deaf Adults - filho de adultos surdos. Os dois sentidos da palavra cabem no título do remake americano de "A Família Bélier", aquele filme fofinho francês que fez sucesso uns anos atrás. No Brasil, virou um meio óbvio "No Ritmo do Coração". A trama básica segue a mesma: a protagonista é a única ouvinte em uma família onde pai, mãe e irmão mais velho são todos surdos. Ela não só escuta como também canta, e quer se profissionalizar. Só que os pais precisam dela para trabalhar: no original, são fazendeiros, e aqui são pescadores. O roteiro adaptado também me pareceu mais dramático e melhor resolvido como um todo, e eu me emocionei algumas vezes mesmo sabendo o que ia acontecer. Não admira que o filme tenha ganho quatro prêmios importantes no último festival de Sundance e esteja cotado para o próximo Oscar.

COMO TREINAR SUA DRAG

A moda agora são filmes de temática gay com finais absurdamente felizes. O final lacrimejante de "Me Chame pelo Seu Nome" é insuportável para as novas gerações: a viadada jovem exige desfechos fantásticos, sem pé na realidade - nada que os héteros não tenham tudo desde sempre. O filme "Com Amor, Victor" foi um dos pioneiros dessa onda três anos atrás, seguida com brio por "Todos Estão Falando Sobre Jaime". Esta nova produção da Amazon é baseada num musical britânico, por sua vez baseado no caso real de um rapaz que resolveu ir de drag à sua festa de formatura. O personagem-título sempre quer que o mundo gire à sua volta, o que faz para a autoestima mas nem tanto para sua inserção na sociedade. O curioso é que ele parece desprovido de sexualidade: não se interessa por ninguém só por se montar. Os números são todos muito bem executados, mas nenhuma das canções gruda no ouvido. E me incomodou bastante o fato de Jamie não ensaiar nada para sua estreia no palco, nem ter escolhido seu nome de drag queen até a hora das cortinas se abrirem. Por outro lado, gostei das participações de Richard E. Grant e Sharon Horgan. Já sei, já sei: não tenho mais idade para amar esse "High School Musical" aviadado. Se joga, você que é xóvem.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

CARA GENTE BRANCA

Michel Temer disse uns anos atrás que dava por encerrada sua carreira política, mas claro que era mentira. O golpista não só está de volta, mas se pavoneando como nunca. Foi ele quem revelou ser de sua própria "larva" a carta de arrego que o Biroliro divulgou semana passada. Ontem foi seu marqueteiro Elisnho Mouco quem mandou para a imprensa o vídeo acima, em que o comediante André Marinho, filho do ex-aliado e atual desafeto do Bozo Paulo Marinho, imita o Despreparado com requintes adnetianos. O que fica claro é que a elite branca que está no poder há 521 anos despreza o Genocida com todas suas forças e faz troça dele nos bastidores, mas ainda prefere que ele esteja no poder do que Lula ou qualquer outro nome mais à esquerda. E prepare-se: Temer vai se candidatar a alguma coisa no ano que vem, e periga ser eleito.

CENAS DE UM CASAMENTO

A carreira de Aziz Ansari desandou desde que ele foi acusado de não entender "dicas não-verbais" por uma moça que ele sequer comeu, em 2018. Desde então, rolou apenas um especial de stand-up para a Netflix em que esse episódio bizarro era abordado, mas a ótima série "Master of None" ficou pras calendas. Em maio passado finalmente saiu a terceira temporada, com novo foco e um subtítulo: "Moments in Love". A protagonista agora é Denise, a amiga sapatona de Dev, feita por Lena Waithe. Nesta fase ela é uma escritora de sucesso, que vive numa casa de campo com sua linda esposa britânica. Como na minissérie "Scenes from a Marriage", o que azeda a relação é a possibilidade de um bebê. Ao longo de quatro episódios de duração variada, as duas vão do céu ao inferno a algo difícil de definir. Há pouquíssimas piadas e um rigor lacônico que lembra mais Ingmar Bergman do que o remake da HBO. Mas também há uma verdade emocional e uma honestidade que são raras de se encontrar na TV. "Master of None: Moments in Love" não é exatamente fácil de se assistir, mas recompensa o espectador.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

ANIRA MONTERO

Anitta ahazou no pre-show dos VMAs ontem à noite. Baita produção, coreô irada e ainda um merchan do Burger King no final, que é para ela bancar o próximo álbum da Juliette. Mas tem espírito de porco no Brasil que acha que se apresentar no esquenta dos prêmios da MTV é vergonhoso. Que Anira não estava no show principal, nem tinha sido indicada a nenhum astronauta. Impressionante como não há conquista da moça que baste para seus haters: não tem feat. com Madonna, não tem inglês perfeito, nada nunca está bom. A inveja é mesmo uma merda.
Por falar em Madonna, a MTV teve a decência de chamar sua sócia-fundadora para abrir os VMAs de seu 40o. aniversário, depois de não convidá-la nem para vender bala no intervalo nos últimos 10 anos. O canal também reconheceu o artista mais importante de 2021: Lil Nas X, que ganhou o prêmio mais importante de todos e levou seu cabaré de bicha preta para o palco do Barclay's Center, em Nova York. O resto eu só vi de soslaio. Expirou minha validade para achar muita graça em Olivia Rodrigo ou The Kid Laroi. Preferi assistir à estreia de "Scenes from a Marriage" na HBO, bem mais de acordo com a minha faixa estária.

DUPLO PIXULECO

O Vem Pra Rua mostrou ter tanta palavra quanto o Bozo, a encarnação moderna do escorpião da anedota. Amigos que iam à Paulista neste domingo desanimaram assim que viram o duplo pixuleco inflado pelo VPR, contrariando o acordo firmado com diversos partidos. As manifestações de ontem foram pequenas, mas não há por que o Genocida comemorar. Só provam que o MBL e similares não têm mais o apelo de três anos atrás, ou que a base desses movimentos está satisfeiticíssima com a ameaça de um golpe de estado. De qualquer forma, foi bom ver nomes da direita à esquerda na avenida, e melhor ainda ver a dancinha do Doria. Só espero que os 80% que não querem mais o Bozo não se pulverizem em 10 grupos diferentes, com 10% cada.  

domingo, 12 de setembro de 2021

MISSÃO: FABULOSA

Já houve muitas tentativas de se criar heróis gays, mas nenhuma tão engraçada quanto "Força Queer". A nova série em animação da Netflix consegue tirar sarro de vários arquétipos do mundo LGBTetc. - a barbie, o urso, a drag, a sapatão politizada, e não-binárie pós-tude - sem nunca rir da sexualidade em si. O protagonista é um super-espião que, pelo simples fato de ter saído do armário, ficou relegado por 10 anos a um posto em West Hollywood, o bairro mais pédé de Los Angeles, onde acontece de tudo, mas nada que requeira agentes bem-treinados. Até que um dia acontece, e sua equipe, representativa de várias letras, finalmente mostra todo seu talento. Mas a trama é o de menos: o que importa são os "one liners", as piadas rápidas que obrigam o espectador não piscar se não quiser perder nenhuma. Uma das minhas favoritas é "pode me chamar de Kylie Minogue, porque I can't get you out of my head". A dublagem original ficou a cargo de nomes como Sean Hayes (o Jack de "Will & Grace"), Wanda Sykes e Laurie Metcalf, e é curioso como que, depois de alguns episódios, os roteiristas não perdem uma chance de mostrar os personagens em nu frontal. Tenho visto bibas mais jovens reclamando da série nas internets, e talvez elas não tenham mesmo a bagagem necessária para digerir esta finíssima bavaroise. Vocês chegam lá, querides: é só questão de tempo.

sábado, 11 de setembro de 2021

20 ANOS DE SÉCULO 21

Há um consenso entre muitos historiadores de que o século 20 só começou para valer depois da 1a. Guerra Mundial, que eliminou impérios decadentes e rearranjou a ordem internacional. O século 21 não precisou esperar 14 anos para deslanchar: seu ground zero é mesmo o 11 de setembro de 2001, que vaporizou o período "pós-histórico" da década de 1990 e pavimentou o caminho para a ascensão da extrema-direita pelo planeta afora. Hoje estamos muito mais polarizados que há 20 anos, mais inseguros, mais apavorados e cheios de ódio no coração. Também é verdade que o foco dos EUA à guerra ao terror facilitou a expansão do soft power chinês. A retirada desastrosa do Afeganistão dá uma terrível sensação de que nada adiantou - por outro lado, duvido que os talibãs durem muito tempo, pois boa parte do país não é mais aquela caipirice a que eles estavam acostumados. O século 21 começou mal, e só piorou com Trump, Biroliro e a pandemia. Por outro lado, temos cada vez mais plataformas de streaming!

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

SEXTOU EM MAORI

Se Lorde fosse americana e regravasse algumas faixas de seu novo álbum em navajo ou hopi, sem ter uma gota de sangue indígena nas veias, seria um forrobodó. A cantora seria acusada de apropriação cultural para baixo. Mas a cultura maori está tão impregnada à da Nova Zelândia que todo mundo está achando lindo o EP "Te Ao Marama", que traz cinco músicas de "Solar Power" na língua dos primeiros habitantes do país (ajuda o fato de um em quatro neozelandeses ser legalmente maori, pois basta ter um tataravô da etnia para sê-lo). Eu também adorei o resultado, acho que até mais do que o original. O idioma maori soa como japonês para os meus ouvidos desacostumados, e seu monte de vogais combina perfeitamente com o clima estival que Lorde quis dar ao seu novo trabalho. Perfeito para ouvir na rede em frente ao mar, se eu tivesse uma rede em frente ao mar.

CAIM CAIM

Alguns me acusam de otimismo exagerado quando eu digo que o Edaír não é de nada. Além de tudo, ele também é burro pra caralho, criando problemas para si mesmo o tempo todo. Desde o infame 7 de setembro, dois grupos de seus apoiadores peceberam a canoa furada em que embarcaram. Primeiro foram os caminhoneiros a soldo do agronegócio primitivo, que deram com a boleia no chão depois que o Minto, com voz tênue, implorou que eles parassem de bloquear estradas. Depois foi a vez de influenciadores malignos como Alan dos Santos e Rodrigo Constantino, reagindo à nota de recuo escrita por Michel Temer e endossada pelo Biroliro. Claro que esse Jairzinho Paz e Amor não vai durar muito: é como pedir para o escorpião não picar o sapo durante a travessia. Mas o Despreparado se meteu numa sinuca de bico. Se para de vociferar merda, sua claque o abandona. Se vociferar, a direita mais envernizada o defenestra, como quase aconteceu esta semana, como quase aconteceu esta semana. Mas eu aposto na merda. Que acabará por tragá-lo, aguardem.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

PENETRAS NA WHITE PARTY

Está rolando um debate saudável nas redes sociais se simpatizantes da esquerda devem ir às manifestações convocadas pelo MBL e pelo Vem Pra Rua para este domingo. Os fraldas-marrons do Kim Kataguiri e do Mamãe Falei surgiram como trolls da extrema-direita, e eu mesmo virei alvo deles quando os critiquei no F5. Eles andam maneirando no tom de uns tempos para cá, mas há quem diga que isto só acontece porque não foram convidados a participar do desgoverno Biroliro, que ajudaram a eleger. Quem acredita realmente na democracia pode aderir a um protesto liderado por notórios anti-democratas? O MBL até tentou atrair quem não os endossa, decretando que a cor "oficial" do dia 12 será o branco, tamanho é o medo que eles têm do vermelho-Lula. Acham que estão dando uma White Party na Paulista e que podem impor o dress code. Pois eu defendo que eles sejam solenemente ignorados. A direita não teve o menor prurido em tomar para si as "jornadas de junho" de 2013, que começaram como passeatas contra o aumento do preço da passagem de ônibus de São Paulo, uma pauta da esquerda. Não houve o menor debate: reaças simplesmente foram se imiscuindo nas manifestações, até descaracterizá-las. Sigamos o exemplo no domingo, e vamos às ruas usando a cor que quisermos, carregando bandeiras de qualquer candidato. O Genocida precisa ser combatido por uma frente ampla, que inclua até quem a gente não gosta. Nem por isto temos que obedecer aos marronzinhos. Sejamos penetras!

ÊÊÊÊÊ MACARENA

É o que dá duvidar da imprensa profissional e só acreditar em mensagem do zap. Caminhoneiros a soldo dos agrotrogloditas se cobriram de vergonha eterna na noite de ontem, ao celebrar uma coisa que eles nem sabem o que é - o estado de sítio. Não adiantou nem o Biroliro, em pânico perceptível, mandar um áudio pedindo que eles se desmobilizassem. Acharam que era a voz do Toffoli, alterada pelos técnicos da Globolixo. O tal do Zé Trovão exigiu que o Despreparado gravasse um vídeo com data e hora, impresso e auditável. Para coroar o vexame, Marcelo Adnet imitou o Genocida pedindo que esses imbecis dançassem a Macarena. O Brasil está a salvo enquanto houver galhofa.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

A ENCARNAÇÃO DA COVARDIA

Alguns amigos mais cultos e vividos do que eu estão com muito medo que o Biroliro dê um golpe de estado. Eu, talvez por ser mais ignorante e tolo, já superei esse temor. Digo e repito que o Pequi Roído é um chihuahua, raça que late muito mas nunca morde (e, se morder, basta dar um peteleco). Edaír nunca fez nada de concreto contra ninguém. Passou a vida inteira na ameaça, mas nunca transformou suas palavras em ação. Não reagiu nem quando foi assaltado em 1995, e olha que ele anda armado desde sempre. Por isto, duvido que seus discursos de ontem se transformem em realidade. O Bozo é a encarnação da covardia, e meter medo é o cerne de seu marketing. Não nos esqueçamos nunca de que foi ele mesmo quem contou à revista Veja, em 1987, que iria explodir a adutora do Guandu, no Rio. Que terrorista é esse que trombeteia seus planos?

CINDERELO DE BURCA

Sou fã de carterinha do quadrinista francês Riad Sattouf, autor da série autobiográfica "O Árabe do Futuro". Sattouf também é compositor e cineasta, mas seus filmes nunca estrearam no circutio brasileiro. Agora consegui ver um, o segundo, e adorei. "Jacky au Royame des Filles" (Jacky no Reino das Mulheres) está em cartaz no MUBI até o começo de outubro. Trata-se de uma inversão esperta da história da Cinderela, lançada em 2014 - mas, com a volta do Talibã ao poder no Afeganistão, parece ter sido feita ontem. A história se passa na fictícia República Popular e Democrática de Boubounne, uma ditadura totalitária onde as mulheres é que mandam e os homens não têm direito algum. Os pobrezinhos precisam andar com uma espécie de burca que só deixa o rosto descoberto (melhor que a das afegãs), e os solteiros são assediados o tempo todo pela mulherada. É o caso do belo Jacky, que, como todos os rapazes de sua idade, sonha em se casar com a Coronel, a filha da General, líder máxima do país. O noivo será escolhido num grande baile, e Jacky precisa não só arranjar uma burca branca e cintilante como também um convite, que custa caríssimo. Rodado na Geórgia em locações que desafiam a credulidade, "Jacky" também um elenco cheio de estrelas francesas, como Charlotte Gainsbourg e Noémie Lvovsky. Mas quem carrega o longa é Vincet Lacoste, revelado por Sattouf em sua estreia no cinema e hoje um astro estabelecido. Cheio de piadas com machismo reverso e atuações fenomenais (dá para sentir como as atrizes estão se divertindo ao se comportar feito cafajestes), "Jacky" é um filme que subversivo e engraçadíssimo, já deveria ter se tornado cult. Vale a pena pegar um mês de graça no MUBI só para assisti-lo.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

GADO QUE MUGE NÃO CHIFRA

Não foi uma "minifestação", como celebraram no Twitter. Segundo a própria Polícia Militar, onde não faltam novilhos, foram 104 mil reses em Brasília e 125 mil em São Paulo. Muito longe dos dois milhões esperados para cada uma das cidades. Os clarões na Esplanada dos Ministérios foram constrangedores, e o Biroliro, sempre incapaz de disfarçar o que está sentindo, fez muxoxo de decepção. Em São Paulo, a muvuca se concentrou em frente ao MASP e à FIESP, mas mais para cá onde eu moro não estava lotado, não. A verdade incontestável é que qualquer parada gay enche mais a Paulista do que a gadociata de hoje. Claro que o Genocida vai dizer que foram 10 bilhões de pessoas e que dava para ver de Marte, mas eu, que cruzei com vários imbecis trajando verde e amarelo, não estou preocupado. Até porque o apoio dele vai sumir por decurso de prazo - quase não havia jovens no rebanho, composto majoritariamente por gente branca de meia idade e fora de forma. Mas o mistério continua: porque 25% dos brasileiros ainda apoiam o Genocida? Foram às ruas comemorar a gasolina a sete reais, o dólar a mais de cinco, a Amazônia e o Pantanal em chamas, os pobres comendo osso com arroz quebrado e os 580 mil mortos pela pandemia? No Rio teve quem tirasse selfie com o Queiroz! O gado muge pelo direito de ser roubado. Só que, depois de um dia sem o quebra-quebra esperado e cheio de discursos vazios, ficou provado que ele não chifra. Não que faltem galhos na cabeça do Minto, hohoho.

EJACULAÇÃO PRECOCE

Excitada feito uma vaca no cio, parte da manada que chegou a Brasília para a gadociata de 7 de setembro não esperou o sol raiar. Com o apoio expresso da PM do DF, uma das mais birolistas, os novilhos furaram o bloqueio e invadiram a Esplanada dos Ministérios. Alguns levavam bebidas alcoólicas, fogos de artifício e, dããã, armas - funcionou super bem a revista, não é mesmo? Com o Bananinha lá no meio, tentando compensar sua falta de pinto, os bovinos queimaram a largada. Hoje há quem tema que destruam o Congresso e o STF, e pode até ser que penetrem no interior desses prédios. Isso quer dizer golpe de estado? Não, só arruaça. Não tem ninguém lá dentro. Não temo pelas instituições nesta terça. Não me assusto com avisos do tipo "Biroliro parte para o tudo ou nada". Ele nunca fez isto na vida. Vai fazer justo agora quando sua popularidade está em baixa? O Bozo é o sujeito que planejou um atentado terrorista e depois denunciou a si mesmo. Ele só late, há mais de 30 anos. Nunca morde. Agora quer que os outros lutem e morram por ele e sua familícia. 

E o gado atende ao som do berrante, indo às ruas para celebrar a gasolina a 7 reais, a sopa de osso com arroz quebrado e os quase 600 mil mortos pela covid-19. Mas não se assustem com o eventual tamanho da gadociata. Tanto em Brasília quanto em SP, as multidões serão infladas por ônibus vindos de cidades distantes, pagos por empresários inescrupulosos e por dinheiro público. Ninguém consegue dar autogolpe com menos de 25% de popularidade e a economia em frangalhos. Mas o 7 de setembro é um ensaio-geral para o forrobodó que o Genocida quer promover no ano que vem, quando levar uma tunda de Lula nas urnas. Só que, com os atos de hoje, ele só infla sua própria oposição. Começou o fim irreversível da era Edaír.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

LE BEL BÉBEL

Tecnicamente, Jean-Paul Belmondo era feio. O nariz e os lábios volumosos lhe davam um ar de personagem das aventuras de Asterix, ainda mais se comparado a seu contemporâneo Alain Delon. Mas, na tela, Bébel arrasava: magnético, sedutor, irresistível. Deixou uma vasta filmografia, que vai de obras de auteurs como Goddard e Resnais ao mais descarado cinemão comercial francês. Estava afastado há anos, depois de um AVC, e hoje se foi aos 88 anos. Belmondo estrelou um dos meus longas favoritos, "Le Magnifique", de Philippe de Brocca. E confirmou uma verdade eterna: só é feio quem se acha feio.
Cata só esta sequência profética de "O Homem do Rio", rodada numa Brasília ainda em obras. Belmondo claramente interpreta a Constituição brasileira, fugindo dos bolsominions que querem destruí-lo. Mas eles não são páreo para sua agilidade, esperteza, charme e elegância!

OS PARATLETAS DO SUCESSO

Quando eu trabalhei na filial brasileira de uma produtora internacional, passamos boa parte de um ano tentando vender uma série documental sobre atletas paralímpicos. O projeto era bacanérrimo. Pintava os caras como autênticos super-homens, capazes de altas performances mesmo enfrentando a deficiência e a falta de recursos. Mas o maior obstáculo é mesmo a indiferença da sociedade. Ninguém se interessou pelo nosso programinha, que jamais saiu do papel. A piada interna era que ele andava mal das pernas... Cinco anos depois, o Brasil teve mais um desempenho estelar nas Paralimpíadas de Tóquio, com 22 medalhas de ouro e um honroso sétimo lugar no cômputo geral. Durante duas semanas, gente estropiada deu as caras na TV, rompendo a invisibilidade a que costuma estar relegada. Também houve um avanço importante este ano: os comentaristas pegaram mais leve com as narrativas chorosas de superação. Claro que ela existe e é importante, mas o esporte paralímpico é muito mais do que um quadro no programa do Luciano Huck. A maioria desses atletas também seria campeã se não tivesse nenhuma deficiência: eles nasceram para o esporte, e nesse ponto são idênticos aos ditos normais. O ideal seria não voltar a falar deles apenas nos Jogos de Paris, mas isso talvez seja pedir demais. Tirando o futebol, nenhum esporte fica o tempo todo em evidência.

domingo, 5 de setembro de 2021

BORRALHEIRA EMPREENDEDORA

Para quê serve uma nova versão de "Cinderella", o mais filmado dos contos de fada? Essa que saiu agora na Amazon Prime Video serve basicamente para os fãs da Camilla Cabello - jovens demais para lembrar do longa do Kenneth Branagh de 2015, com figurinos indicados ao Oscar e uma sublime Cate Blanchett como a madrasta. Desta vez, os modelitos e a direção de arte são dignos de telefilme (o que não deixa de ser verdade), mas o elenco com experiência em musicais e a trilha composta por hits manjados até que dão para o gasto. Veteranos como Idina Menzel, Minnie Driver, Billy Porter e até mesmo o inevitável James Corden estão bem, mas quem brilha mesmo é o novato Nicholas Galitzine como o príncipe encantado. O cara é o pacote completo: além de belíssimo e bom ator, canta com brio, demonstrando seus dotes vocais na dificílima "Somebody to Love" do Queen. Já para miss Cabello sobra uma Cinderella empoderada, metida a empreendedora e chegada numa palestrinha. Um chata, não de galochas, mas de sapatinhos de cristal.

sábado, 4 de setembro de 2021

MULHERES-PLANTA

Sou imune ao carisma de Juliette. Nunca entendi por que metade do Brasil se rendeu a esta paraibana, sem dúvida simpática, mas carecendo daquele plus a mais. Depois que ela venceu o BBB21, então, essa minha indiferença quase que se transmutou em ódio: Juliette está em toda parte, competindo com Gil do Vigor para ver quem torra nossa paciência primeiro. Por todas essas razões, achei que eu iria abominar o primeiro EP da moça. Mudei de ideia logo na primeira faixa. "Bença" é um xaxado-lounge muito agradável, perfeitamente adequado para a voz pequena e afinadinha da rainha dos cactos. O resto do trabalho não faz feio, apesar de chafurdar em todos os clichês nordestinos possíveis. Juliette está sendo criticada por não sair de sua zona de conforto, mas queriam o quê? Que ela gravasse cantos folclóricos da Bulgária? Talvez mais adiante. Por enquanto, por incrível que pareça, ela ainda está construindo sua marca.
Bem mais elaborado é "Purakê", o segundo álbum de Gaby Amarantos, lançado inacreditáveis nove anos depois do primeiro, "Treme". Nesse meio tempo, a Beyoncé do Pará não sumiu: gravou diversos singles, virou jurada do "The Voice Kids" e estará na próxima novela das seis da Globo. O nome do novo disco é o de um peixe-elétrico da Amazônia, mas poucas faixas têm alta voltagem. A mais energizante é "Vênus em Escorpião", disponível desde o ano passado, que Gaby divide com Urias e Ney "Pica das Galáxias" Matogrosso. A maioria das demais tem uma pegada mais suave, e a mais emocionante é a da abertura, "Última Lágrima", sofrência das boas com feats. de Elza Soares, Alcione e Dona Onette. Está mais do que na hora de Gaby Amarantos, dona de uma das melhores vozes do Brasil, ser considerada uma das nossas divas absolutas. Tomara que "Purakê" dê choques.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

CORNONARO

O ventilador não está dando conta de tanta merda da familícia que vem sendo jogada nele. Hoje surgiu a informação de que Edaír passou o comando do seu esquema de rachadinhas para o Zero-Um e o Zero-Dois depois que descobriu que sua segunda mulher, Ana Cristina, o chifrava com um segurança. Ser corno não é pecado, mas dói muito mais no Bozo do que ser chamado de despreparado, incompetente, corrupto e genocida. Nesta quinta, o deputado Rodrigo Maia também endossou uma teoria em que muita gente acredita: Biroliro é uma bicha enrustida, por isto tem tanto ódio acumulado dentro de si. Faz sentido.

ARROCHA GAGA ARROCHA

O planeta acordou hoje ao som de "Dawn of Chromatica", o novo álbum de remixes de Lady Gaga. Ela foi esperta em juntar a releitura de seu último trabalho de estúdio num pacote só: ao longo do último ano, lançou diversas versões avulsas das faixas de "Chromatica", que passaram em brancas nuvens. Mas "Dawn" também tem a proposta de reunir os nomes da vanguarda da dance music mundial, e o Brasil está muito bem representado por Pabllo Vittar. "Fun Tonight" virou sofrência, com sanfona e tudo, e é de longe a música mais interessante de todas. O disco também traz a esquisita venezuelana Arca, a nipo-britânica Rina Sawayama, a onipresente Charli XCX e vários de quem eu nunca ouvi falar. Pena que, com tanta novidade boa, as pistas de dança sigam tão fechadas como há um ano e meio.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

O PUBLICITÁRIO TEM QUE ACABAR

Trabalhei em agência de propaganda durante 25 anos, portanto tenho lugar de fala para afirmar: publicitário não presta. Eita povinho arrogante, inculto, preconceituoso e preguiçoso. Claro que existem honrosas exceções, mas é desolador perceber o quão pouco as coisas mudaram desde que eu comecei na década de 1980. Os departamentos de criação eram coalhados de homens brancos héteros cis de classe média para cima. Muitos eram abertamente homofóbicos. Mulheres, nem 10%. Devo ter cruzado com uns três orientais ao longo de toda a minha carreira, e um único negro. Essa falta de diversidade predomina até hoje, haja vista o aterrador filme que o Clube de Criação divulgou ontem para promover seu festival. A peça foi criada por uma agência tida como bacanérrima, a Wieden + Kennedy, e gerou uma reação imediata nas redes sociais. O CCSP e a W+K já tiraram esse horror do ar e soltaram o previsível pedido de desculpas, mas putaqueopareu. Em pleno ano da graça de 2021, ainda tem publicitário chucro que acha que a escravidão foi só uma "crise", e que bom que ela aconteceu. Pois nos deu o blues!


MY, MY, JUST HOW MUCH I'VE MISSED YOU?

Apesar da minha adolescência ter coincidido com o apogeu do ABBA, eu não gostava muito do grupo. "Dancing Queen" era legalzinha e tal, mas babas como "Fernando" ou "The Winner Takes It All" soavam como música brega cantada em inglês. O ABBA era composto por dois casais, Agnetha & Bjorn e Benny & Anni-Frid (Frida para os íntimos), e todos se divorciaram no início dos anos 80. Frida até tentou uma carreira solo, e os dois Bs compuseram musicais da Broadway como "Chess", mas nunca mais os quatro se reuniram, por mais ofertas milionárias que recebessem. Quase quarenta anos e alguns bilhões de dólares em royalties depois, o ABBA anunciou nesta quinta um novo álbum e uma nova turnê. Duas faixas de "Voyage" já estão disponíveis: "Don't Shut Me Down" é legalzinha e tal, mas "I Still Have Faith in You" ganha medalha de ouro em cafonice. Agora, esquisito mesmo é o novo show. Os quatro ficarão em suas casas na Suécia, enquanto seus "avatares" (vulgo hologramas) subirão ao palco acompanhados por 10 músicos. Na entrevista que rolou no início desta tarde, Frida e Agnetha não deram as caras; talvez já tenham se transformado em vozes incorpóreas. De qualquer forma, a volta do ABBA é um evento transcendental. My, my, I could never let you go.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

FAMILÍCIA ESTENDIDA

Hoje foi a vez da segunda mulher do Despreparado, Ana Cristina Siqueira Valle, ter seus sigilos fiscal bancário quebrados pela Justiça. Não foi só ela: 25 ex-assessores do Carluxo, muitos deles da família de Ana Cristina, também entraram no rolo. Isto não é surpresa para quem já ouviu os quatro episódios do ótimo podcast "A Vida Secreta de Jair", no UOL, feito pela jornalista Juliana Dal Piva. Edaír não teve o menor pudor de dar empregos fantasma a toda sua família estendida. Até seus ex-sogros estavam envolvidos no esquema das rachadinhas. Enquanto isso, o Zero-Quatro já é investigado por tráfico de influência, sem nem ter largado ainda dos videogames. Eu temo pela Zero-Cinco. A única rebenta do clã, que só tem 10 anos, também é filha da Micheque, a atual cúmplice do Biroliro. Um fruto nunca cai muito longe da árvore.