terça-feira, 24 de agosto de 2021

KISSTERIA

O Kiss nunca foi uma das minhas bandas favoritas. Mas eu fui adolescente nos anos 1970, então não teve como eles não marcarem a minha vida. Só um álbum era realmente bom, "Destroyer", de 1976, mas singles como "I Was Made for Lovin' You" e, pricipalmente, "Rock'n'Roll All Night" tocam por aí até hoje. No entanto, mais importante que a música era o visual, o espetáculo, o senso de teatralidade. Todo rock star encarna uma persona que não corresponde exatamente ao que ele é fora do palco, mas o Kiss foi adiante: com suas máscaras de teatro kabuki, Gene Simmons, Paul Stanley, Ace Frehley e Peter Criss eram personagens em que qualquer fã podia se transformar. Bastava pintar o rosto. Praticamente heróis da Marvel tocando guitarra. Eu me desinteressei pelo Kiss assim que entrei na faculdade, e não levantei da cadeira quando eles finalmente vieram tocar no Brasil. Hoje me arrependo um pouco: falta um show do Kiss no meu currículo. Estou preenchendo essa lacuna com "Kisstory", o documentário em duas partes exibido pelo canal A&E e que ainda pode ser visto em VOD. E aprendendo detalhes que eu desconhecia, como o nome real do Gene - Chaim Witz! Deu até vontade de pintar o rosto.

10 comentários:

  1. Musicalmente realmente nunca foram grandes coisas - a ponto do produtor Bob Ezrin (Pink Floyd, Alice Cooper) ter que ensiná-los sobre teoria musical durante a gravação de um dos discos -, porém conseguiam contornar esses problemas com riffs marcantes e um show empolgante (no mais, hoje Gene Simmons é um dos principais defensores da vacina, diferente de um moribundo Eric Clapton...). Mas a principal acusação que muitos fazem do Kiss pode ser perfeitamente aplicada às "Divas" pop. Cantam (ou dublam) uma série de bobagens e trivialidades sob uma gama de efeitos, cenários, filmes, indumentárias e maquiagens e chamam isso de "conceito". Enquanto a elas sobra pretensão, o Kiss pelo menos oferece muita diversão. Ah sim, sem contar as bandas que eles chamavam para ser a abertura dos shows e que ajudaram a dar um empurrãozinho na carreira. Graças ao Kiss, tivemos a revelação do Rush, uma banda excelente!

    ResponderExcluir
  2. Não existe mais liberdade criativa, uma banda como The Doors hoje seria considerada transgressora demais esquisita e bad influencer não estaria as redes de monitoramento nunca seriam autorizados pelos poderosos a aparecer na tv, festivais de música corporativos então. Mick Jaeger seria gender fluid demais, Stones nunca conseguiram um contrato musical, já teriam sido presos por uso de drogas e sua vida e reputação destruídos, John Lennon seria massacrado pelos evangélicos por falar que os Beatles são mais famosos que Jesus, seus discos ‘sumiriam’ de circulação e dos algoritmos de streaming, rádio então nem pensar, fotos embaraçosas da banda sairiam na imprensa. Não tem como negar NADA que fez sucesso nos anos 70 seria permitido ou apreciado hoje, vivemos tempos de controle social total, liberdades civis? Presunção de inocência? Habeas corpus? Direito à privacidade? Direito a vida? Long gone! Uma sociedade tão titânica não pode permitir a liberdade criativa. Lembres-se que J Edgar Hoover um dos idealizadores da nossa realidade atual odiava os hippies, gays e negros. Monitorou Mick, John, Jim, e provavelmente todos transgressores da época. Sobrou a Anita!

    ResponderExcluir
  3. E aquela história contada pelo Ney Matogrosso que o Kiss copiou o secos e molhados, aparece no documentário?

    ResponderExcluir
  4. Não. Até porque não é verdade. Os dois grupos surgiram na mesma época.

    ResponderExcluir
  5. Se a banda surgisse hoje, eles seriam acusados de apropriação cultural.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hoje nada mais pode...
      Até o Nirvana agora está sedo processado por pornografia infantil por causa daquela capa famosa com o garotinho pelado.

      Excluir
  6. O Mio Babbino Caro
    E aquela permanente historia que o grupo era pura armação, como os Monkees, colou. Não consegui curtir era mais Alice Cooper.

    ResponderExcluir
  7. Sei lá porque, mas lendo esse post lembrei do filme "Tinha Que Ser Ele?", em que a banda Kiss aparece como coadjuvante.

    ResponderExcluir
  8. Tem um ótimo filme de comédia com a participação da banda: Detroit a Cidade do Rock.

    ResponderExcluir
  9. A cena musical já viu dias melhores. O monitoramento e falta de liberdade e direitos civis com certeza afetaram o setor criativo, até em Londres dizem que a cena musical morreu, no Brasil desde os anos 70 ela não existe mais.

    ResponderExcluir