sexta-feira, 20 de agosto de 2021

LAURENTINO ME ESCRAVIZOU

Como quase todos os brasileiros, eu nunca me considerei racista. Nunca tratei mal nenhum negro, nunca discriminei ninguém e "tenho até amigos pretos". Essa autopercepção começou a mudar nos últimos anos, quando o termo "racismo estrutural" começou a circular. Hoje me dou conta de como esse descalabro pegou fundo em mim. Como fui treinado a olhar para um negro, qualquer negro, e concluir: pobre. Até hoje uma parte de mim se surpreende quando vejo na TV gente como Jurema Werneck ou Julio Croda. De onde saíram tantos negros educados, articulados e reivindicativos? Algumas leituras têm me ajudado a entender esse processo histórico, e uma parte importante delas é a gloriosa trilogia "Escravidão", do jornalista Laurentino Gomes, cujo segundo tomo saiu há pouco. São livros fundamentais para compreender o Brasil de ontem e hoje, e talvez nos preparar para o país que queremos ser. Esse Volume II foca o século 18, auge do tráfico negreiro, e a riqueza de detalhes que Laurentino fornece é de embevecer. Estou escravizado por sua pesquisa, abrangente e acessível ao mesmo tempo. "Escravidão" é uma obra indispensável, que deveria ser adotada por todas as escolas, todos os negros que querem conhecer mais da própria história e todos os brancos que reconhecem o racistinha que ainda têm dentro de si.

13 comentários:

  1. A frase "Estou escravizado por sua pesquisa, abrangente e acessível ao mesmo tempo" ficou horrorosa em um texto que reconhece o racismo estrutural.

    ResponderExcluir
  2. É, eu como gay e negro confesso que a última década foi emocionante no que diz respeito as lutas identitárias, e me olhar no espelho!

    ResponderExcluir
  3. Obrigada, ja encomendei o livro. Crescemos nos achando anti racistas. Isso porque não tínhamos a menor consciência do racismo implícito que carregamos. Temos muito a aprender.

    ResponderExcluir
  4. O Mio Babbino Caro
    Vale lembrar que até a bem pouco tempo, dormíamos, todos, alentados pelo conceito de que vivíamos numa Democracia Racial...

    ResponderExcluir
  5. A Djamila Ribeiro é a mulher mais chata da face da terra. Se ela for tomar um suco na padaria, isso já é considerado um ato de resistência. Acho que ela acorda de manhã, se olha no espelho e diz bora resistir!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Assinado:Borba Gato.

      Excluir
    2. Os lacradores sentiram...

      Excluir
    3. Bichas zombando da luta contra o racismo... É, tomara que vcs se fodam cambada de escroto!

      Excluir
    4. Mulher chata mesmo!

      Excluir

    5. ANON 20:54
      A bicha branca acima não aprende que um oprimido ao lutar pode ser um chato sim. Mas chato mesmo é levar LAMPADADA no meio da boca.
      G-

      Excluir
    6. Mulher chata é a Damares Tim Tones!!!!!

      Excluir
  6. E quais governos incluíram maciçamente a população preta/parda? E que foram golpeados pelos reaças que abundam no país? Os que acham que a vida lhes deve algo apenas por serem brancos? O golpe foi classista, misógino, racista, homofóbico...

    ResponderExcluir