terça-feira, 27 de julho de 2021

MOÇAS DE FINO TRATO

O Festival do Rio no aplicativo do Telecine me deu a chance de ver um filme que eu perdi nos cinemas. "A Boa Esposa" é uma comédia adorável, que entrega com leveza sua óbvia mensagem feminista. O cenário é uma escola para donas de casa na Alsácia, região francesa na fronteira alemã. O estabelecimento é um negócio de família, com apenas três funcionárias mulheres. Uma delas é freira; as outras duas são, respectivamente, esposa e irmã de um homem que, claro, não faz nada. A ação começa em 1967, quando já existia um barulhento movimento feminista, e isto se reflete no número decrescente de alunas. Para complicar, o tal do homem morre, e sua viúva descobre que ele só deixou dívidas. Os meses se passam, ela revê um antigo amor, e de repente estamos em maio de 1968, quando as ruas de Paris explodiram e todo o establishment foi questionado. Mas não há violência no filme: só lindas paisagens, figurinos esplendorosos que venceram o prêmio César e atores em ponto de bala. Os coadjuvantes foram todos indicados ao César, mas Juliette Binoche foi injustamente esquecida. Ela, que se esmera em papéis que a obrigam a chorar muito, está ligeira feito um suflê, sem deixar que sua personagem se torne superficial. Deu até vontade de agendar umas aulas de economia doméstica com ela.

3 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Difícil o filme ser melhor que esse texto delicioso!!!

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    1. Tony, resenha bem para caramba cultura e arte, especialmente cinema: contextualiza, diverte...

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  2. Nunca entendi porque as escolas não tem aula de economia doméstica para meninos e meninas.
    Saber se virar em casa é fundamental para a sobrevivência de qualquer um.

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