sábado, 3 de julho de 2021

MAIS DA MESMA

Invariavelmente, eu sempre me decepciono com a primeira audição de um novo álbum de Marisa Monte. É culpa da estreia dela, estrondosa, que ocorreu em 1988, com os primeiros shows, e em 1989, com o álbum ao vivo "MM", cheio de covers poderosos. No entanto, desde o disco "Mais", de 1991, MM quer dizer mais do mesmo. Marisa Monte se retirou para um universo particular (clichê proposital) onde imperam musiquinhas bonitinhas feitas por ela e seus amiguinhos. Ela nunca cometeu um álbm ruim, mas também jamais retornou aos píncaros dos primeiros anos. O recém-lançado "Portas" é seu primeiro trabalho solo em quase uma década. É lindo, com faixas deliciosas e assobiáveis, mesmo não avançando um milímetro a história da música brasileira. Ou talvez avance: cinco das 16 canções foram compostas com Chico Brown, neto do Chico e filho do Brown, que tem pinta de ser um dos talentos que irão reinar sobre nossos ouvidos no futuro próximo. O futuro, aliás, é um tema recorrente de "Portas", alvissareiro e ensolarado. Marisa Monte podia se fazer menos rara, lançando álbuns mais amiúde, e eu não ficaria chateado se ela experimentasse mais. Sei lá, com timbre eletrônicos ou funk da favela? Em "Portas", ela não sai de sua zona de conforto. Mas a verdade é que, neste momento, estamos todos precisando nos sentir mais confortáveis.

16 comentários:

  1. Gosto muito dela. Admiro Marisa. Mas, às vezes, penso que construíram uma mistificação e uma mitificação em torno dela que, talvez, ela não tenha tanta coisa assim para oferecer que segure a imagem...Parece que a moldura é maior e mais instigante do que o que o quadro tem para nos dar na real. Não sei...

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    1. Penso o mesmo

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    2. Penso o mesmo. 2

      Tony foi matador no post, além de Beija Eu, qual outra canção seria genuinamente da Marisa? Veja o repertório de Bethania, Elis, Gal, Nara... elas têm diversas canções magnificas e inesquecíveis em suas vozes, a Marisa tem uma voz a altura delas, acho. No entanto, as vezes parece uma marqueteira, com seu jeitão Greta Garbo e seu clubinho de amigos. E marketing muitas vezes quer dizer: mentira a ser vendida como verdade!

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    3. Que bom que temos uma marqueteira.Mas,se a Marisa
      fosse americana ou argentina,o Toninho que nem é
      crítico de música,o compararia a Maria Callas.
      Yes,nós temos complexo de vira-lata.

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  2. Eu sempre tenho a mesma impressão. Mas são álbuns que crescem com o tempo. Até bom que ela demore uns anos (mas essa década foi dose) entre um álbum e outro. Porque, tipo, 5 de dezembro de 2023, de repente cai a ficha e eu morro de amores pelo álbum.
    O álbum tem 16 faixas, o que é um exagero (sem considerar que ela lançou 2 álbum ao mesmo tempo em 2006), mas as faixas são bem curtas. Ficando entre 2 e 3 minutos dando um total de 59 minutos. Caberia perfeitamente num LP de MPB com 24-25 minutos em cada lado.
    Aliás, notou que ela compôs uma faixa com o Nando Reis de novo? Acho ele melhor colega de autoria do que o Arnaldo Antunes.

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  3. Ela vem de uma família rica do Rio de Janeiro. Ela trabalha por esporte. Por isso se faz de importante. Lançando álbuns de 10 em 10 anos. E a imprensa puxa muito o saco dela.

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    1. Zzzzzzzzzzzzzzzz!

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    2. A Anitta vem do Rio de Janeiro,vem de uma familia
      pobre e a imprensa puxa muito o saco dela.Como
      dizia o Alborghetti,vão a merda.

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    3. Agora para ser cantora tem que apresentar atestado de pobreza? MM canta lindamente e conduz sua carreira de maneira coerente, sem nunca ter se tornado arroz de festa.

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  4. Deixa a MM ser ela mesma!
    Se você quer ouvir alguém que sempre tem lançamento, fica experimentando tudo e que toca funk da favela, vai ouvir a Anitta.

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  5. Hoje uma entrevista dela vai ao ar no Fantástico. MM de raiz nem dava entrevista pra imprensa especializada em música (MTV, Bizz, nada). Fazia a linha: falem da minha arte, mas não falem de mim. Bem diva do bel-canto (que ela é mesmo).

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  6. O Mio Babbino Caro
    Não é fácil. Todo dia de manhã enquanto tomo meu café amargo e é tão bom ter MM cantando as vezes. Tudo menos e ela vai até se submeter ao Fantástico, tá bom canta o Roberto, Jorge Ben pra mim tá bom e é da Portela.

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    1. Nossa, Babu. Leia o que vc escreveu aqui. Percebeu? Não? Pois é.

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    2. Anon 23:20
      Foi propositadamente amiga pra fica tipo isso mesmo entende e somente ressaltar MM como MM quando passa por Quixabeira. O meu coração pediu assim, e eu me permito rs

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  7. Tive a impressão tb de que foi mais do mesmo. Se ela tivesse lançado esse album no lugar do último é o último no lugar desse, teria dado na mesma.

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  8. Assisti na vida 2 shows e meio de MM. O meio foi o primeiro show dela, numa versão pocket, nem lembro exatamente onde. Cheguei me achando o groupie ( expressão antiguinha) com todas as músicas decoradas, e sai revoltado, jurando nunca mais ouví-la, achei cheia de caras e bocas e muito engessada, coisa que continuo achando.
    Mas eis que muitos anos depois me vejo cantarolando uma de suas musiquinhas marotas e lá tô eu fã de novo.
    Marisa tem essa coisa carioca zona sul que vc jamais vai ver batendo perna num Shopping domingo, mas sim lendo um livro numa praia isolada de surfista.
    Deixem Marisa ser Marisa. Tem muita gente nova chegando e querendo mostrar seu trabalho. Ela faz o igual, mas tem outros fazendo diferente e da para escutar todo mundo. Mas confesso que nem lembro dela entre um trabalho e outro.

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