quarta-feira, 9 de junho de 2021

RETRATO DE UMA PALEONTÓLOGA EM CHAMAS

Amonite é um tipo de concha fossilizada. Também é uma metáfora para a dureza da alma de Mary Anning, uma paleontóloga inglesa que viveu na primeira metade do século 19. Ela deixou dezenas de cartas para uma mulher mais jovem de classe alta, o que pode ou não ser evidência de um caso entre as duas - essas correspondências femininas eram comuns naquela época, e os estudiosos de hoje suspeitam que são sinais de paixões lésbicas. O cineasta Francis Lee preenche essa lacuna no filme "Amonite", disponível para compra ou aluguel em várias plataformas. Ele imagina como teria sido o amor entre Mary e a esposa de um ricaço, que vai passar uma temporada na praia para se recuperar da perda de um bebê. Kate Winslet transmite com olhares desencantados e físico de camponesa a solidão da protagonista, que não espera nada da vida além de uma descoberta histórica entre os seixos da praia. Saoirse Ronan, aquela do nome impronunciável, empresta sua efígie de madona medieval para uma aristocrata tímida, mas que logo se revela assanhada na cama. As ousadas cenas de sexo foram coreografadas pelas próprias atrizes, e são os momentos mais agitados de um filme plácido, com poucos diálogos e quase nenhuma música. Mesmo assim, lindíssimo e envolvente. Francis Lee dirigiu um dos filmes de temática gay mais badalados da última década, "O Reino de Deus", que eu tolamente deixei escapar quando passou num Mix Brasil. Seu novo trabalho remete a "Retrato de uma Jovem Chamas", da francesa Celine Sciamma, mas é mais consistente e melhor resolvido. Vou prestar mais atenção nele.

3 comentários:

  1. Gente! Demorei para ver que não eram dois rapazes na imagem de capa. Sobre o filme, verei quando sair na Netflix, GloboPlay ou Hulu.

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  2. Eu tenho uma tara nessa Saoirse Ronan. Sonho e bater minha rola na cara fofinha dela.

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