terça-feira, 1 de junho de 2021

PURO SUCO DE HUMANIDADE

Reparou como a maioria das séries atuais perde o gás na segunda ou na terceira temporada? As próprias plataformas já pereberam isto, e estão encerrando cedo muitas delas. Por outro lado, as minisséries passam por uma fase de esplendor. De um ano para cá, as melhores coisas que eu vi na TV eram minisséries, como "Halston" ou "I May Destroy You". A esta lista acaba de se juntar "Mare of Easttown", cujo último episódio foi ao ar no domingo pela HBO. Confesso que a única coisa que me gerou interesse foi a presença da Kate Winslet. Porque o argumento, à primeira vista, é mais batido que o asfalto da Sapucaí: um crime abala as estruturas de uma cidade pequena, e segredos terríveis vêm à tona. Da inglesa "Broadchurch" a "Os Crimes de Manscheid", a primeira produção original da Netflix rodada em Luxemburgo, essa história já foi contada em verso e prosa. Acontece que o tal crime é a trama central de "Mare of Easttown", mas há tantas outras que o programa está mais para uma mininovela, com núcleos bem definidos, personagens bem construídos e conflitos acreditáveis. Muitos desses passam pelo consumo de drogas: Easttown, como tantas aldeias do interior, também tem boa parte de sua população entregue ao crack e à heroína. As drogas também atingiram em cheio a personagem-título, uma investigadora da polícia que tem problemas para qualquer lado que ela se vire. Kate Winslet está ótima no papel, deixando entrever uma dor imensa por trás de uma fachada de no bullshit como só grandes atores sabem fazer. O resto do elenco também é um primor, com destaque para a veterana Jean Smart, que vem se tornando figurinha fácil nas produções da HBO. "Mare of Easttown" entrega os plots twists e as mortes inesperadas que o gênero exige, mas o que me prendeu (e também a muita gente, pelo que acompanhei no Twitter) foi a humanidade concentrada nesse microcosmo caipira. É de histórias assim que precisamos, na pandemia e depois dela.

8 comentários:

  1. As séries da HBO são quase sempre um primor ... Ainda bem que agora estará num aplicativo condizente com a qualidade do conteúdo... EU tenho HBO Go e é horrível. Mas dizem que o HBOmax será bem melhor. Aguardemos

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  2. Tony, aquela cena final da Mare com a amiga no último episódio foi esplêndida. Boas atrizes.A expressão "humanidade concentrada" que você usou, dá o tom do trabalho feito ali.A Jean Smart fez um dos melhores trabalhos dela. Talvez o melhor.

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    1. Eu prefiro a cena que a Mare ofega e se emociona ao descobrir o verdadeiro assassino. Como uma atriz consegue transmitir tal emoção através apenas da respiração? Que diabos os ingleses tomam para fazer isso?

      Anthony Hopkins, Emma Thompson, Kate Winslet... A lista não tem fim, até estrelas (que seriam menos atores/atrizes) são diferenciadas como Charlotte Rampling, por exemplo! Eu fico embasbacado!

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  3. Nunca achei a HBO tudo isso, bastante overrated não gostei de game of thrones mas entendo que eles gastam uma grana (que não sabemos da onde vem) nas producões...mas claro comparado a rede bobo a HBO é a fina flor da sétima arte

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    1. A grana da HBO vem da Warner Bros que manda nela.
      E sinceramente,qualquer segunda temporada de série
      é 1 zilhão de vezes melhor que qualquer lixo nosso.
      Sorry,Tony.

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  4. handmaid’s tale só anda em círculos faz horas... poderia ter durado só duas temporadas, virou uma novela.

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    1. Quanta vira-latice.O Conto da Aia se for uma novela,é
      igual a Vale Tudo,Que Rei Sou Eu ou Verdades Secretas.

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  5. que pontuação é essa meu amor, tá tudo bem com o teu teclado?

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