sábado, 19 de junho de 2021

E DEUS CRIOU BUSSUNDA

Foi assim que um amigo meu descreveu a figura de proa do Casseta & Planeta, depois de vê-los em cena em 1988. Alguns dias depois eu fui ver o mesmo show, e saí bestificado. Bussunda era mesmo uma força da natureza. O Tim Maia que ele incorporava para cantar "Mãe É Mãe" fazia a gente cair da cadeira de tanto rir, ao sair do palco porque "chegou um rapaz com um papel para mim". Naquela época eles já escreviam para a "TV Pirata", mas só ficariam nacionalmente conhecidos alguns anos depois, quando estreou o "Casseta & Planeta Urgente". Eu gostava muito no começo, depois fui achando repetitivo, e achei que perdeu totalmente a graça depois da morte do Bussunda em 2006. Agora descobri que estava morrendo de saudades: dos Cassetas, dos Planetas, do Brasil infinitamente mais leve dos anos 90. Essas e outras emoções me vieram à tona ao longo dos quatro episódios da minissérie "Meu Amigo Bussunda", que acaba de chegar ao Globoplay. Os três primeiros, dirigidos por Claudio Manoel e Micael Langer, contam a trajetória improvável de Cláudio Besserman Viana, judeu, carioca, maconheiro , vagabundo e pouco afeito a banho na adolescência, que se tornou o humorista mais bem pago do Brasil. O último é codirigido por Micael e por Júlia Besserman, a filha de Bussunda, que tinha 12 anos quando o pai morreu. É uma ótima discussão sobre o legado dessa figura que, nos dias de hoje, talvez não fosse a unanimidade que foi em vida. Duas frases ficaram na minha cabeça. Danilo Gentili, com quem já tive três tretas públicas, reclama que todo mundo cobra os limites do humor, mas ninguém fala em limites da poesia ou da música. Ele tem um ponto. Na conclusão, a viúva Angélica diz que Bussunda teve uma vida boa e que, se ele pudesse, viveria tudo de novo, igualzinho. Devorei a série com furor, e o Bussunda riria que talvez agora eu não devesse jogar futebol.

8 comentários:

  1. O Brasil mais leve dos anos 90 votou para criar o horror que vivemos hoje. Mais consciência e menos leveza talvez pudesse ter evitado o pior.

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    1. Anos 90 crianças morriam de fome record de desemprego a cidade fedia (ainda continua a cidade mais feia do mundo) Brasil endividado MAS...imóvel mais barato casa no quadrado de Trancoso 10 mil reais etc etc

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  2. Bussunda era um dos poucos realmente carismáticos da trupe do Casseta e talvez um dos responsáveis pelo sucesso, não à toa, após sua morte, o programa entrou em decadência criativa. A "sorte", digamos assim, dele é que não sobreviveu para ver o horror que se tornou o Brasil (e inclusive de ver o que alguns de seus colegas se tornariam futuramente).

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    1. Bussunda imitando o Lula era o fim de feira.CREDO!!!!!

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  3. Impressão sua Tony. A ascensão de grupos subalternos/marginalizados dos ano 90 é que gerou o horror em que vivemos.

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  4. Dos limites da poesia ninguém fala porque ninguém tem lido ultimamente. Agora como assim ninguém fala nos limites da música? O tempo todo estamos discutindo músicas machistas, homofóbicas, racistas etc.

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    1. Se Funk tem que ser proibido se RAP é música...isso é discutir limites da música sem falar de atonalidades e Arrigo
      G-

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