sábado, 29 de maio de 2021

GUAJIRA GUANTANAMERA

"O Mauritano" é mais um filme importante da virada do ano a chegar no Brasil apenas no sob demanda (tem para compra ou aluguel em diversas plataformas; eu vi no Now). Jodie Foster surpreendeu ao vencer o Globo de Ouro de atriz coadjuvante pelo papel de uma advogada durona, e Tahar Rahim foi indicado a melhor ator tanto nos Globos como no BAFTA. O Oscar, no entanto, ignorou todo mundo, num sinal de que o mainstream americano ficou desconfortável com a história contada pelo longa. E é para ficar mesmo: o mauritano do título é um das centenas de prisioneiros que gramaram anos na base de Guantánamo sem nenhuma acusação formal, muito menos julgamento. O pior de tudo foram as torturas, bárbaras por definição e inconcebíveis numa democracia. Algumas cenas são de virar o estômago. Quem aguentar será brindado com uma discussão muito pertinente para os tempos que correm, em que se costuma confundir um advogado com o cliente que ele representa. Nunca é demais lembrar que até o doutor Jairinho merece amplo direito de defesa e o devido processo legal. Esta é a questão central de "O Mauritano": não importa se o protagonista é um terrorista da al-Qaeda. Ele também precisa ser tratado de forma justa e imparcial, para que todos nós sejamos tamb´´m. Uma mensagem civilizatória que é engrandecida pelo elenco de primeiríssima linha. E ninguém está mais à frente do que Tahar Rahim: quem o conheceu como o suave vilão de "O Paraíso e a Serpente" pode se preparar para um choque. Esse francês de origem árabe é, simplesmente, o melhor ator de sua geração.

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