quinta-feira, 29 de abril de 2021

MAZEL TOV

Morei num bairro aqui em São Paulo que tem muitos judeus ortodoxos. A única vez em que eu falei com um deles foi durante a Copa de 2006. No intervalo de um jogo do Brasil, saí para dar uma volta no quarteirão com meu cachorro. De repente, um rapaz vem à à varanda de um apartamento e me grita: "quanto tá o placar?". Era sábado, e ele não podia sequer ligar a TV... Esse episódio serve para lembrar que os haredi são como nós, só um pouco mais malucos. A religiosidade extrema de fato cria alguns empecilhos para a vida moderna, como mostra a série "Shtisel" da Netflix. Demorei um pouco para ceder, apesar de vários amigos terem me dito que é ótima. Agora estou viciado, vendo um episódio por dia como se fosse uma novela. O título é o sobrenome de uma família ortodoxa de Jerusalém, e todos os problemas deles advêm da adesão rígida não a princípios bíblicos, mas a costumes que datam da Idade Média. O caçula Akiva quer se casar com uma viúva um pouco mais velha do que ele, e isso é complicado. Sua irmã Giti tem que lidar com o marido, que fugiu com uma shiksa e depois voltou arrependido, e com a filha, que não aceita mais o pai. O patriarca Shulem, viúvo há pouco tempo, quer se casar de novo, mas quem ele quer não o quer e vice-versa. Não há nenhuma discussão política nem uma única menção aos palestinos. Os Shtisel vivem numa bolha onde até mesmo os judeus seculares mal conseguem penetrar. Mas são gente como a gente, com os mesmos sonhos e ansiedades. Só que fazem uma shakshuka realmente infernal.

10 comentários:

  1. Ouu Vey! Eu amo essa série, e eu consegui entender um pouco do iídiche hehe.
    Os atores são excelentes e a última temporada é de longe a melhor! Vai se emocionar muito ainda! Kol Tuv!

    ResponderExcluir
  2. O Mio Babbino Caro
    A religiosidade extrema de fato cria alguns empecilhos para a vida moderna mas causa um beneficio incomensurável. Somado à educação inspirada em Lubavitch, fazem-os ser quem são "...mas se pegar não devolverá" - GUEMARAH

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Os hassidicos chabad (que são da linha Lubavitch) são mais os menos extremistas do mundo haredi.
      Eles ainda conversam com o mundo exterior, não falam só em iídiche, podem acessar a internet e são até mais "pop".

      Excluir
    2. A religiosidade extrema só traz guerra, preconceito e isolacionismo. Deus me livre de ser religioso... acredito em Deus, mas abomino religiões.

      Excluir
    3. Eu sou de origem judaica por parte de mãe, mas a família é bem secular. Hoje em dia religião é algo irrelevante pra mim, me digo ateu; já fiz aulas pra bar Mitzvah, frequentei sinagoga e até seguia as tradições (inclusive só comia kasher), porém hoje em dia não sigo nadica de nada, Sorry Rabi Henry Sobel!!!!

      Excluir
  3. É com o ator que faz um filme sobre uma história linda de amor gay, entre um judeu e palestino.

    ResponderExcluir
  4. Eu conheço ~judeu (que não nasceu judeu, nem casou com judeu, nem sequer foi adotado por uma mulher judia, mas decidiu um dia virar judeu, então combinamos assim), que respeitava o shabbat igual a televisão que precisava ser ligada ou não. Ou seja, tinha dias de ultra-ortodoxo e tinha dias de ir pra balada. /rolleyes

    ResponderExcluir
  5. Só não me venham com 'judeu' não circuncidado. Com tantas tribos perdidas, demais os judeus arrependidos não me espantaria ou me surpreenderia...a máxima Sobel: "É Judeu quem diz ser Judeu".
    G-

    ResponderExcluir