terça-feira, 20 de abril de 2021

DE PÉ, CINÉFILOS DA TERRA - 5

É curioso. O Oscar está se aproximando, mas os candidatos a melhor filme internacional foram se tornando mais raros. Desde janeiro que eu não publicava um post desta série, reunindo três longas que representaram seus respectivos países na disputa. Um deles eu vi há mais de um mês, e nem deve mais estar disponível na plataforma MUBI: o italiano "Notturno". O diretor Gianfranco Rosi já havia concorrido com "Fogo no Mar" ao Oscar melhor documentário, alguns anos atrás, e seu novo trabalho também é um registro político, sem narração. Dessa vez, ele percorre zonas de guerra no Oriente Médio. Algumas cenas são muito bonitas, outras horripilantes, mas o impacto final não é dos maiores. Talvez porque o assunto já foi muito explorado, e tenhamos criado uma casca contra ele.
O cinema da Romênia, um dos mais premiados do planeta, finalmente foi reconhecido pela Academia com "Colectiv", que está indicado em duas categorias: documentário e filme internacional. Consegui vê-lo neste domingo, numa exibição especial do festival É Tudo Verdade. O diretor Alexander Nanau parte do incêndio da boate Colectiv em Bucareste, um caso semelhante aos da boate Kiss, em Santa Maria, e da Cro-Magnon, em Buenos Aires: em todos eles, o show de uma banda foi encerrado com uma queima de fogos de artifício, uma ótima ideia para locais fechados. Mas o foco do filme está nas 37 mortes que aconteceram depois do fogo, entre pessoas internadas com queimaduras. Logo se descobriu que todas foram infectadas por bactérias, pois os hospitais públicos usavam desinfetante diluído em água por um mesmo fornecedor. O escândalo gerou protestos tão grandes que o governo caiu. Só que, nas eleições de um ano depois, o mesmíssimo partido voltou ao poder, com votação recorde. Deve ser horrível morar num país que não sabe escolher seus governantes.
O melhor dos três, de longe, é o bósnio "Quo Vadis, Aida?", o mais sério rival de "Druk - Mais Uma Rodada" na corrida pela estatueta. O filme de Jasmila Zbanic chegou ontem às plataformas brasileiras, para compra ou aluguel. Eu corri para ver, mesmo exausto depois de um dia puxado e sabendo que a barra seria pesada. O assunto é o massacre do campo de refugiados de Srebrenica, em 1995, quando soldados sérvios fuzilaram cerca de oito mil homens e meninos muçulmanos bósnios. A atriz Djasna Djuricic dá um show como a tradutora da ONU que tenta conseguir um salvo conduto para seu marido e seus dois filhos. Tenso do começo ao fim, sem sombra de barriga, "Quo Vadis, Aida?" é para os fortes de estômago. Também já é um dos grandes filmes deste ano.

5 comentários:

  1. Eita três filmes pesadões. Vou assistir o Thunder Force e o Road Trip porque a carga já está muito alta.

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  2. Thunder force é sem graça pra caramba, não vale a pena.

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  3. Vc falou que o cinema romeno é premiadíssimo e eu não conheço nenhum filme ou se conheço não sabia que era romeno, indica alguns para mim Tony! Obrigado . Beijo

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    1. "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" foi premiadíssimo, mas não levou o Oscar.
      O filme é bem pesado (sobre aborto ainda na Romênia comunista).

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    2. Meu filme romeno favorito de chama "Aferim!", do diretor Radu Jude. A história se passa no século 19, e é uma caçada a um escravo cigano fujão. Não sei onde você pode ver... Vi na Mostra já faz alguns anos.

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