sexta-feira, 16 de abril de 2021

A MULHER ATÔMICA

Já estava mais do que na hora de surgir uma nova cinebiografia de Marie Curie, a primeira mulher a ganhar um Nobel e a primeira pessoa a ganhar o prêmio em duas categorias diferentes (física e química). "Radioactive", uma produção da Amazon que, no Brasil, misteriosamente foi parar na Netflix, extrai o máximo de drama possível de uma vida passada quase toda dentro de um laboratório. O filme de Marjane Satrapi, que criou a HQ "Persépolis" e depois dirigiu a animação do mesmo nome, não entra muito a fundo nos meandros do rádio e do polônio, os dois elementos descobertos pela Madame e seu marido Pierre. Mas explora as consequências positivas e negativas da radioatividade, que vão do tratamento contra o câncer à bomba atômica, em vinhetas que se intercalam ao longo da história da cientista. Marie é interpretada por Rosamund Pike como uma mulher durona, de pouco traquejo social e absolutamente devotada ao trabalho - mas que, depois da morte do marido, engata um caso bem público com o melhor amigo dele, casado, escandalizando a Paris do começo do século 20. "Radioactive", que não mereceu título em português, tem primorosa reconstituição de época e ótimas atuações (Anya Taylor-Joy, derrotada por Rosamund no último Globo de Ouro, faz Irène, a filha mais velha do casal). Não chega a ser empolgante, mas é uma aula de história e um lembrete de que a mulherada é capaz de qualquer coisa. Inclusive, de morrer pela ciência.

4 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Apesar de nossas rusgas tenho quase certeza que somos a mesma pessoa rs Em nenhuma outra plataforma iria ler algo com essas nuances que você observa sobre Madame Curie, que eu descobri em torno dos oito anos de idade, numa já velha enciclopédia, e nunca mais perdi a obsessão por sua personalidade e trabalho. Está aí. Obrigado pela regressão e não me sinto só, nem ando sozinho.Viva o Radium.

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  2. saudades de filme bom né minha filha?

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  3. Por falar em mulheres fortes, hoje morreu a Helen McCrory, que interpretava a matriarca Tia Polly da série Peaky Blinders.

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  4. Agora tá explicado porque o ARTE passou o "Marie Curie et la lumière bleue" de 2016 na TV semana passada. Porque nem o Prime, nem o Netflix alemães têm o filme "novo" (Radioactive é de 2019). Por acaso to conseguindo ver o Netflix brasileiro via VPN.

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