quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

VOZES D'ÁFRICA

Fora necessárias 14 indicações aos Goya, o Oscar da Espanha, para que eu finalmente me animasse a ver "Adú", que há meses está dando sopa na Netflix. O filme entrelaça três histórias diferentes ambientadas na África, mas só uma é realmente interessante: a do personagem-título, um menino de uns oito anos que sai de sua aldeia no interior dos Camarões com sua irmã mais velha, dispostos a chegar na Europa. A odisseia do garoto através de diferentes países, sem um tostão no bolso, é de prender a respiração. Uma outra história foca num espanhol que tem uma ONG pela preservação dos elefantes, mas o maior problema dele é mesmo com a filha maluquete. Por fim, no enclave espanhol de Melilla, ao norte do Marrocos, um guarda da fronteira se envolve em uma escaramuça que termina com um emigrante morto. Esses dois subplots, que focam o público interno da Espanha, poderiam ser removidos sem grande prejuízo, mas também servem de pretexto para que o filme amplie seu leque de locações - nem todas bonitas, já vou avisando. "Adú" escapa do sentimentalismo barato do turco "Milagre na Cela 7" e dá nome e rosto ao drama da emigração, que foi ofuscado pela pandemia. Vale a pena assistir, para chorar um pouco e aprender um pouco do mundo.

Um comentário:

  1. Acabei de assistir. Realmente muito bonito, e realmente poderíamos passar sem os dois subplots espanhois. :)

    ResponderExcluir