terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

QUINZE A ZERO

Eu estava otimista, ainda mais porque as shortlists deste ano foram ampliadas de 10 para 15 títulos. E também, claro, porque "Babenco - Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou" é mesmo muito bom. Mas o réquiem de Bárbara Paz ficou de fora dos dois páreos em que estava escrito no Oscar, melhor documentário e melhor filme internacional. Não foi uma grande surpresa. O longa não aparecia em nenhuma das previsões dos sites especializados, e parece não ter causado nenhuma impressão entre os críticos americanos. Talvez tenha sido pela falta de uma campanha mais rica e organizada. O governo brasileiro não deu nenhum tostão, e Bárbara teve que recorrer a um crowdfunding para arrecadar fundos. Pode ser também porque Hector Babenco foi uma grande figura da cultura brasileira até sua morte em 2016, mas seu último filme a ter algum impacto nos EUA foi "Brincando nos Campos do Senhor", de 1991 - e foi um baita fracasso de bilheteria. 

Não foi só "Babenco" que não entrou. O curta em animação "Umbrella" tampouco foi lembrado pela Academia, assim como nenhum outro dos nossos documentários. Ainda resta a esperança de que "Bacurau" seja indicado a melhor roteiro original (essa categoria não tem shortlist), mas ela é ínfima. Se bem que não temos do que nos envergonhar: muitíssimos outros países também bateram na trave, como a Alemanha, a Suécia, a Espanha, a Índia, a China, o Japão, o Canadá e a Argentina.

O shortlist em si é bem consistente. Este ano não houve os três selecionados por uma comissão especial. Todos os 15 passaram pelo crivo dos famosos velhinhos. Por isto, temia-se que bobagens sentimentalóides como o turco "Milagre na Cela 7" acabassem se classificando, mas isto não aconteceu. Verdade que alguns candidatos mais ousados, como "Beginning", da Geórgia, ou "Vitalina Varela", de Portugal, não passaram nem perto. Mas nenhum dos 15 pré-escolhidos envergonha a Academia, como já aconteceu tantas vezes. Vamos a eles:

Bósnia Herzegovina Quo Vadis, Aida?

Chile O Agente Secreto

Costa do Marfim Noite de Reis

Dinamarca Druk: Mais uma Rodada

França Nós Duas

Guatemala La Llorona 

Hong Kong Better Days

Irã Filhos do Sol

México Ya No Estoy Aquí

Noruega Esperança

República Tcheca Charlatan 

Romênia Coletivo

Rússia Queridos Camaradas

Taiwan A Sun

Tunísia O Homem que Vendeu Sua Pele


Já vi o do Chile, que está no Globoplay, o da República Tcheca, que passou na Mostra de SP, e os do México e de Taiwan, que estão na Netflix. Achei que entraria pelo menos mais um africano na lista - o mais cotado era o de Lesoto. Mas, de modo geral, a seleção está até representativa. Só sete dos 15 são europeus, menos da metade, e só isso já é um milagre. Agora começam as apostas sobre os prováveis cinco indicados, que só serão anunciados no dia 15 de março.

9 comentários:

  1. Oscar de melhor ator pro Beijo da mulher aranha.

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  2. Se o Bacurau não tivesse sido preterido pelo feminazi-fofo-chato no ano passado, seria indicado com certeza, mesmo perdendo para O Parasita. A escolha de um filminho meia-boca só por tratar as mulheres como deusas e os homens como idiotas, com a indectivel Fernanda Montenegro fazendo todo, 100%, dos papéis de idosa que aparecem no cinema e TV, mostra o nível da galera do nosso cinema.

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    1. Ah, mas agora é fácil dizer isso. Ano passado tínhamos dois concorrentes fortíssimos: um vencedor da mostra Um Certo Olhar, do festival de Cannes, e outro que ficou em terceiro lugar na competição principal do mesmo festival.

      O júri que escolheu o representante brasileiro no Oscar rachou ao meio, e "A Vida Invisível" venceu por apenas um voto de diferença. A seu favor, o filme de Karim Aïnouz tinha a presença de Fernanda Montenegro, já conhecida pela Academia, e Rodrigo Teixeira entre os produtores, outra figura respeitada lá fora. Além disso, já estava em cartaz no circuito de arte americano, e recebendo ótimas críticas. Talvez tivesse entrado no shortlist se fossem 15 pré-selecionados, como foi este ano, e não apenas 10.

      "Bacurau" só estreou nos EUA em 2020, e a-ha-zou entre a crítica especializada. Foi eleito o melhor filme estrangeiro do ano por várias associações. Está indicado ao prêmio Spirit e periga ser indicado ao BAFTA. Se houvesse concorrido este ano ao Oscar, com certeza estaria entre os 15 eleitos. Que pena.

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  3. "A Vida Invisível " é bem fraco, assim como o livro, que li. "Bacurau " já nasceu cult, sem parecer aqueles filmes que são pensados a cada cena para impressionar os críticos , como "O Farol", por exemplo. "Bacurau é tão impactante como "Cidade de Deus", o outro filme é bem comum e ninguém vai lembrar daqui a um tempinho. Entendo as suas justificativas mercadológicas sobre a Fernanda Montenegro e o produtor, mas parece que não convenceu a academia.

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    1. Mesmo aqui no Brasil, "Bacurau" não foi uma unanimidade. Muita gente achou o filme exagerado, até despirocado (eu ADOREI).

      Agora está claríssimo que é um marco na história do cinema nacional. E sim, deveríamos tê-lo inscrito no Oscar do ano passado.

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    2. A trilha sonora é arrebatadora.

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  4. o brasileiro tem muitos talentos, mas o audiovisual não é um deles.

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