sábado, 20 de fevereiro de 2021

CUIDADO COM A CUIDADORA

"Eu Me Importo" usa um recurso pouco comum na dramaturgia, mas que rende muito: o filme só tem vilões. Ninguém presta na história da mulher cuja empresa cuida de idosos desamparados, sem parentes responsáveis por perto - e bastante ricos, é claro. Não sei se existe na legislação brasileira essa figura do guardião legal, que tem plenos poderes para internar o pobre velhinho em uma casa de repouso e vender tudo o que ele tem para, supostamente, custear a internação. A inglesa Rosamund Pike deita e rola no papel da empresária inescrupulosa e manipuladora. e mereceu a indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz em comédia. Dianne Wiest, como a senhora que parece indefesa mas não é, também está fantástica. A protagonista acha que essa nova cliente é uma mina de ouro, sem desconfiar que a coitadinha tem ligações com a máfia russa. "Eu Me Importo" começa muito bem, em tom de comédia macabra, mas os furos do roteiro não demoram a aparecer. D metade para o fim, vira um thriller de vingança, de malvado contra malvado, e o espectador não sabe por quem torcer. Mas eu me diverti muito, até porque, com mãe idosa em casa, já entrei nesse universo trepidante das cuidadoras. Dou uma voadora se uma delas maltratar minha mami.

8 comentários:

  1. Tem sim, o curador. E essa situação é bem comum.
    Dizem que até Wallis, duquesa de Windsor, passou por isso, a mulher começou a impedir visitas, vender algumas jóias e objetos, e deixou L'hotel particulier do casal em frangalhos (Suzanne Blum o nome da megera).

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  2. Não assisti ao filme, então não sei bem como essa cuidadora consegue tornar-se guardiã legal da senhora, mas, no Brasil, funciona mais ou menos assim: em casos de interdição, há a figura do curador, sim, mas a lei diz que ele deve ser alguém da família (tem até a ordem legal para escolhê-lo). Caso não se encontre ninguém da família, deve ser nomeado alguém com quem a pessoa tinha algum vínculo, como amigos, colegas, sócios etc. Só no último caso escolhe-se alguém aleatório. O mais comum é que seja alguém do asilo onde a pessoa está internada. Isso acontece também quando as pessoas da família não estão cuidando direito da pessoa curatelada. Além disso, num processo de interdição, o juiz tem que ter obrigatoriamente contato com a pessoa que está sendo interditada. Ela é levada até ele numa audiência. Caso isso não seja possível, o juiz tem que ir até ela, onde ela estiver: em casa, no hospital, no asilo. Depois ela tem que passar por uma perícia para se confirmar a necessidade de curatela. Finalmente, depois da interdição de pessoas com renda ou patrimônio, o curador é obrigado a prestar contas todos os anos, que são acompanhadas pelo promotor e pelo juiz do caso. Dito tudo isso, com todas estas cautelas legais, ainda acontecem abusos, é claro. Mas eu vou ser bem honesto: 90% dos casos de dilapidação do patrimônio de pessoas incapazes envolvem pessoas da própria família. Filhos, cônjuges, muitas vezes dilapidam o patrimônio dessas pessoas, e de maneira bem rápida, de modo que, quando chega a primeira prestação de contas, já há um estrago considerável feito. Claro que tem muitos casos em que o dinheiro da pessoa é bem usado para cuidar dela. De todo modo, meu caro, sempre digo que o importante gastar o dinheiro que você ganha enquanto você pode usufruí-lo. E, sim, acho que heranças devem ser bem tributadas, pois evita este tipo de parasitismo.

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    1. Que isso?! Parasitismo ?!
      Herança é manutenção de riqueza. Preservação da história e patrimônio familiar.
      Errado está como as pessoas encaram. Tem gente que nem sabe de onde veio, suas origens.
      É tudo velho, "de museu", e um brinde para jogar fora, e pior vender barato. Só que não.
      Por isso Brasil tá sempre repetindo as mesmas merdas, não conhece o passado, e repete os mesmos erros. Conheço gente que nem o nome do avô sabe.
      Nem a moda vintage e da reciclagem aqui colou, o importante é beber o dinheiro e comprar o que tá moda, que no dia seguinte vira urina, e coisa fora de moda.
      Brasileiro e seu dna SDR( sem raça definida), prefere fantasiar um passado e cuspir no próprio.
      É triste.

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  3. Acho que o filme tem um herói sim! O filho da outra idosa de que ela cuida. Ele lava a alma do telespectador

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  4. Bom, tudo que já foi dito acima. Era parte do meu trabalho no Rio.
    A cada 2 anos o curador tem que prestar contas ao juiz (e o promotor do caso) do que anda fazendo com o dinheiro e bens do interditado.
    A pessoa a ser interditada tem um curador especial designado pra ela na audiência de impressão pessoal. No Rio é sempre um defensor público.

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  5. O Mio Babbino Caro
    Oh Mother. I can feel the soil falling over my Head.

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  6. Até um pouco mais da metade o filme vai bem. Porém, depois que você vê que a tal Máfia Russa está mais para os Irmãos Metralha, o filme perde quase toda a sua graça.

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