domingo, 14 de fevereiro de 2021

BABY, HÁ QUANTO TEMPO

Gal Costa foi lançando aos poucos os 10 duetos que compõem "Nenhuma Dor", desde novembro do ano passado. Também fui ouvindo aos poucos e gostando mais de uns do que de outros. Mesmo já conhecendo todas as faixas, escutar todas em sequência me levou ao chão, agora que o álbum completo finalmente saiu. Que composições maravilhosas, que arranjos delicados, que ideia ótima chamar apenas cantores da nova geração para dividir os vocais com ela. O repertório só tem clássicos da carreira de Gal, e o mais recente, "Meu Bem, Meu Mal", já tem 40 anos - foi lançado em 1981, no disco "Fantasia". Mas não sou eu quem vai cobrar coisas mais contemporâneas. Gal sempre se arriscou a gravar gente nova, e é dela o mais ousado álbum eletrônico brasileiro até hoje, "Recanto", de 2011. Então, deixa a baiana comemorar seus 75 anos remexendo no baú, e refrescando essas joias com rapazes que poderiam ser seus filhos. A voz de Gal não é mais um cristal nas notas mais altas, porque ninguém está ficando mais jovem, mas seu fraseado e seu bom gosto continuam intactos. Todas as faixas são boas, mas duas são obras-primas: "Juventude Transviada", com Seu Jorge, e "Baby", com Tim Bernardes, dois timbres que combinaram perfeitamente com a talvez melhor das nossas cantoras. Ainda tem dois estrangeiros muito ligados à MPB, o português António Zambujo e o uruguaio Jorge Drexler. Junto com a avassaladora live de Maria Bethânia na noite deste sábado, "Nenhuma Dor" é um inequívoco sinal de vida da cultura brasileira em tempos de escuridão. Ainda vivemos na melhor cidade da América do Sul.

7 comentários:

  1. Que maravilha! Mas ainda estou me recompondo da LivePoéticaPolitica da Bethânia... tudo ali tem um jeito. Mas ouve-la a plenos pulmões dizendo “ Miguel, cinco anos
    Nome de anjo
    Miguel Otávio
    Primeiro e único
    Trinta e cinco metros de voo
    Do nono andar
    Cinquenta e nove segundos antes de sua mãe voltar”
    Coisa mais artística e política dos últimos tempos.

    ResponderExcluir
  2. Chata pra caramba. Como diria aquela música da Rita Lee ...o meu defeito é não saber parar...

    ResponderExcluir
  3. Bethânia e Maria da Graça, é sempre a mesma coisa, sempre se implica aqui e acolá( Gal tá sempre berrando), mas a gente sempre gosta porque elas são maravilhosas.
    Seu Jorge, apesar de ter incorporado o malandro carioca style, tem um dos timbres mais lindos dos últimos tempos.
    Juntou os 2 só podia dar uma maravilha.
    Achei curioso que em alguns momentos achei que era o Emílio Santiago, fiquei naquela: as vozes se parecem ou ele puxou o tom meloso para acompanhar Gal?

    ResponderExcluir
  4. Muito boa sua análise do novo disco de Gal!
    Concordo também com o que você disse no final: AVASSALADORA é a palavra certa para descrever a live de Bethânia!
    Um carnaval marcado por estes trabalhos lindos destas duas grandes estrelas da canção brasileira. VIVA GAL! VIVA BETHÂNIA!

    ResponderExcluir
  5. só as velhas da mpb salvam a nova mpb..

    ResponderExcluir
  6. O Mio Babbino Caro¨
    ¨"Inequívoco sinal de vida da cultura brasileira em tempos de escuridão" é dia após dias toparmos com suas brilhante, lucidas e atualizadas postagem, como esta a nos informar e formar sob todos os aspectos.
    Saiba Tony que há quem seja muito grato a saber de um ser humano como você. E isso não é ser puxa saco é reconhecer a grandeza de uma pessoa nesse momento de tão baixas estaturas. Sim por muitas vezes lamento algum desencontro ou me dói o seu titubear naqueles momentos em que tudo isso era engendrado e sabíamos aonde poderia dar e deu. Mas isso não diminui sua grandeza por essas plagas de tão pouco grandes homens. Apesar de nossas distancias te quero bem e acredito ter investido muito do meu tempo, como és testemunha nesses anos todos, em um homem de Boa Vontade.

    ResponderExcluir