quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

A FESTA DO ESTICA E PUXA

O Canal Brasil exibiu na semana passada "Amor Estranho Amor", pela primeira vez na televisão. O filme de Walter Hugo Khouri sumiu de circulação por mais de 30 anos, por causa das cenas eróticas de Xuxa com um garoto de 12 anos. A ex-Rainha dos Baixinhos pagava cerca de R$ 350 mil por ano aos produtores, para que sua estreia no cinema como atriz não saísse em DVD ou passasse em lugar nenhum. Em 2018, ela mudou de ideia, e esse estranho artefato da nossa cultura pôde voltar à tona. Ontem eu finalmente vi o filme, que desprezei quando estreou em 1982 (sim, eu já era maior de idade naquela época, podia ter assistido no cinema). Então agora posso dizer: é uma bosta. Walter Hugo Khouri sempre foi um corpo estranho entre os cineastas brasileiros. O que ele fazia eram pornochanchadas sem nenhum humor e muita, muita pretensão. Eram fantasias eróticas de homem velho, e "Amor Estranho Amor" deixa isto evidente. Na trama, um garoto catarinense de 12 anos é deixado por sua avó numa mansão em São Paulo (a locação é o glorioso Palacete Jafet, no Ipiranga). O lugar na verdade é um bordel de luxo, e a mãe do menino, feita por Vera Fischer, é a puta mais cobiçada de todas. As profissionais ficam em polvorosa com a chegada do moleque, e muitas tentam tirar uma casquinha. Quem consegue mesmo é Xuxa, então com 19 anos, zero pudor e um nariz que não sobreviveu à história. O filme seria um escândalo gigantesco se fosse lançado nos dias de hoje, pois o menino é apalpado, molestado e praticamente currado num gang bang. Sem falar numa cena constrangedora que insinua incesto com a própria mãe... Khouri filma tudo isso sem pressa, com planos arrastados, muitas trocas de olhares supostamente significativos e uma trilha sonora minimalista, datada e irritante. Vera está bem, mas Tarcísio Meira explode em canastrice. Verdade que os diálogos toscos não ajudam, nem a dublagem feita pelos próprios atores, uma praga de que o cinema nacional levou tempo para se livrar. Já a Xuxinha está toda serelepe, mostrando a desenvoltura em frente às câmeras e o tom brincalhão que a tornariam milionária poucos anos depois. Ainda tem a boazuda da Matilde Mastrangi, ostentando um corpo sensacional e o único nu frontal escancarado de todo o longa, e um monte de coadjuvantes que entram mudos e saem calados, como Rubens Ewald Filho. "Amor Estranho Amor" é produto de uma época de transição, da ditadura para a democracia. Muito do Brasil de então está lá: o gosto pela sacanagem, o machismo estrutural e uma boa dose de transgressão. Hoje os cinemas que exibissem este manual de pedofilia seriam incinerados, mas o nosso DNA mental não mudou tanto assim.

19 comentários:

  1. O menino, hoje é ator pornô.

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  2. A Xuxa é o de sempre. Era a gostosa, meio nariguda que trafegava com figuras trash como o Sérgio Malandro e afins. Caiu de paraquedas em um programa infantil na Manchete, e por talento e esperteza virou uma potência. O simples fato de pagar uma grana pra impedir que exibissem essa porcaria, mostra um pouco dela. Hoje ela paga de desencanada com o assunto, vai cao Congresso defender as crianças. Só pra lembrar que as Paquitas eram todas loiras e erotizadas e o programa era um balcão de negócios, ou seja, uma máquina de produzir frustrações nas crianças que não se encaixavam no perfil estético e de consumo. Procurem aquela banda que eu não sei o nome cantando"Short Dick Man" no programa!

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    1. Sem dúvida o programa da Xuxa era feito pra propagar o racismo e o machismo e o consumismo e tornar as crianças idiotas. Vejo a Gisele Bundchen como uma continuação dessa narrativa elas aliás tem a mesma plástica no nariz vieram qse da mesma cidade e largaram a escola na sétima série num país 60% negro há que roubar a auto estima dessas pessoas e ensinar as mulheres a não estudar e sim fazer cirurgias de auto tortura para agradar os homens. Vivemos no país do agronegócio e da dívida pública dos juros há 115% do rentismo não tem como ser diferente pra se explorar tanto é necessário fazer da população uma massa estupida. Nunca esqueço no golpe contra Dilma fui numa feira de antiguidades tentei negociar o preço e...”o que esse Lula fez com a gente né ninguém tem dinheiro pessoas desempregadas” isso era verdade? Claro que não! Mas a pessoa acreditava porque tem mídia da Xuxa como referência e seguimos em frente! As novas gerações estão com cada vez menos esse ranço machista racista mas inegável ele continua aí e o golpe recente mostra como é fácil controlar essa gente.

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  3. Xuxa tinha 16 quando o filme foi rodado. Não tinha estatuto da criança e do adolescente. Depois que ela começou a aparecer na mídia, foi que essa bomba teve destaque e a colocaram no meio do pôster, quando, na verdade, ela era bem coadjuvante.

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    1. Médio coadjuvante. Ela aparece bastante, do meio para o final. E estava no auge da fama como modelo e namorada de Pelé quando o filme foi lançado. A campanha de marketing foi toda em cima dela. Não foi enganosa: quem foi ao cinema esperando ver Xuxa pelada em cenas de sexo não se decepcionou.

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    2. Exatamente, o filme foi rodado em 79, Xuxa era menor de idade na época.

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    3. Em cenas de sexo simulado.

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    4. Nope. Xuxa só começou a namorar Pelé em 1981, e ele a incentivou a rodar este filme. "Amor Estranho Amor" estreou em novembro de 1982. Xuxa tinha entre 18 e 19 anos quando fez o filme (ele nasceu em 1963).

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    5. TONY GOES, a própria Xuxa disse que foi gravado em 1979.
      1982 foi o ano de lançamento. Na época os filhos davam trabalho para ficarem prontos.
      Ela até corrige o apresentador.
      Veja: https://www.youtube.com/watch?v=ZFqXsT5LJ1Q
      Então, ela teria 16 e o garoto 9.
      Mesmo ela tendo 18, ainda seria menor de idade, porque a maioridade civil até 2004 se alcançava aos 21 anos

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    6. Ela deve ter se enganado. Xuxa não era famosa em 1979. Não tinha porque ser convidada para um dos papéis principais de um filme com Tarcísio Meira e Vera Fischer. Ela só conheceu Pelé no ano seguinte, que foi o primeiro impulso de sua carreira.

      O garoto tampouco tinha 9 anos. "Amor Estranho Amor" foi o SEGUNDO filme de Marcelo Ribeiro com Walter Hugo Khouri. Antes eles já tinham rodado juntos "Eros, o Deus do Amor", outro drama erótico. E te garanto que ele não tinha sete anos de idade nesse filme...

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    7. Famosa podia não ser, mas em 1979 já aparecia em capas de revistas do tipo capricho e assemelhadas.

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  4. Parabéns pela coragem de falar a verdade sobre o cinema do Khouri. Incensado pela critica como o "Bergman brasileiro", até começou com alguns trabalhos interessantes com uma veia de existencialismo tupiniquim mas depois foi caindo mais e mais na pornochanchada disfarçada de filme de arte. Revi agora no canal Brasil seus filmes da fase final (Eros, Amor Estranho Amor etc) e meu Deus, como envelheceram mal! Só servem pela curiosidade de ver atrizes como Cristiane Torloni e Bia Seidl no auge da beleza...

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  5. A única coisa que me surpreendeu foi você não ter visto essa porcaria antes, porque DVD pirata brotou nas locadoras a dar com o pau.
    O garoto cresceu e fez um ou dois pôrnos apenas, não tinha *cacife* para mais que isso.
    Mas olhar o ontem com o olhar de hoje serve apenas para não repetirmos. Era uma outra época que garotos começavam a vida sexual com 11, 12 anos e meninas com 14. Rolavam disputas entre as patotas e o virgem e a virgem eram taxados de caretas. Quem não sabia? Negar que isso era comum na década de 60/70/80 fica até ridículo de tão hipócrita.
    A pornochanchada mostrava isso, a safadeza tupiniquim. Mas isso foi ontem, hoje é outra história .

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  6. Ela nunca conseguiu impedir a comercialização do filme fora do Brasil.
    Esse foi o filme de estreia dela, não? Depois veio o Fuscão Preto, alguns filmes com os trapalhões (antes dela trocar a Manchete pela Globo) e só em 88 o Super Xuxa contra o Baixo Astral, onde ela interpreta meio que a si mesma em versão Xou da Xuxa num leve plágio do “Labirinto” com toques de “História sem Fim”.

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  7. Currado por quem, o garoto foi?

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    1. Currado por quem, o garoto foi? (2) Walter Hugo Khouri foi currado na vida real?

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    2. No filme, por um bando de putas.

      Na vida real, não sei.

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  8. O Mio Babbino Caro
    Assisti o filme quando estreou no Art Palácio (SP), ainda não era "cinemão", mas a proprietária, a Tia Mazzaropi, já começava a liberar e já acontecia alguma coisinha, como em todos da época, diga-se de passagem. MESMO PORQUE CINEMA EM SI É COISA DE VIADO, sem nenhum desmérito.
    Ok!
    Sem muita punhetação estética cultural. Gostei.
    Quanto a Xuxa, na década de 80 valia tudo até atingir a apoteose no Baile do Galo em 83...Depois...Rainha dos Baixinhos Brasil!

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  9. Walter Hugo Khouri, nosso Bergman pé de chinelo.

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