sábado, 9 de janeiro de 2021

LOOSHO E UMIDIFICAÇÂO


Cheguei à blogosfera em 2007, e parecia que eu tinha entrado em um mundo novo e divertidíssimo. Eu não só escrevia este blog como também lia dezenas de outros, todos de gays sem papas nas línguas:  Introspective, Carioca Virtual, Que Pressão É Essa?, Te Dou um Dado?, RH do Inferno, Uomini, a lista é imensa. Conheci vários desses autores pessoalmente, e sou amigo de muitos até hoje. Naquela época também estavam na moda as personagens fictícias, como a Lindinalva, faxineira das boates, ou a Cleycianne, a crente do rabo quente. Sem falar, é claro, na que talvez tenha sido a mais influente de todas: Katylene Beezmarcky, traveschty de Xerém, criadora de expressões como "beesha" (que eu adotei), "traça ou repassa", "vomitadinha" e "umidifcação do dia", entre tantas outras. Seu blog Papel Pobre tirava sarro sem dó de famosos e adjacências, e lançava apelidos como Chatolina Dickerman, Bola Preta Gil e, o mais emblemático de todos, Neyde, para Britney Spears. Katylene foi "outed" por Dri Spacca sem razão nem porquê, e o Papel Pobre saiu do ar de uma hora para a outra. Mas ela logo ressurgiu em seu próprio site, e não demorou para que Daniel Carvalho assumisse com tranquilidade sua identidade não mais secreta. Tampouco tardou para a beesha ganhar programa próprio na MTV, em 2010, e o próprio Daniel fez uma rápida passagem pelo programa "Muito Mais", da Band, comandado por Adriane Galisteu, como comentarista de celebridades. Ontem ele passou para valer. Depois de uma longa internação em um hospital carioca, Daniel nos deixou, por insuficiência renal. Ele tinha apenas 32 anos, o que significa que tinha só 19 quando sua alter ego explodiu na internet. Hoje Katylene talvez fosse atacada pelas trans ativistas: afinal, ela era só a máscara de um homem branco cisgênero e blábláblá. Mas Katy também se tornou um símbolo da época em que as redes sociais eram quase que só pura zoação, antes que os influenciadores digitais nos infernizassem com suas monetizações e, principalmente, antes que a extrema-direita aprendesse a mexer no computador. Hoje estamos polarizados no mundo real e no virtual, mas temos a obrigação de levar adiante o legado bagaceiro da traveca mais babadeira de todos os tempos. Como ela mesma avisa em seu perfil no Twitter, "oi, miga! eu nunca morro".

20 comentários:

  1. Muito triste mesmo. Influenciador digital muito antes da gente sequer saber o que era isso. Que pena ter ido tão cedo. Que descanse em paz.

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  2. Cadê o Uomini??? 😩😩😩

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    1. Nossa, é mesmo. Melhor blog de todos os tempos.

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    2. Provavelmente o único que prossegue é do Tony.
      Os demais, a maioria, não tem nem postagens antigas...

      Uomini agora só se for o perfume da boticário.

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  3. Amava, ele inventou expressões das quais até hoje eu morro de rir, uma pena... ha algum tempo nao publicava nada, sera que ele tava doente ha muito tempo?

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  4. Que noticia das mais tristes, amava a Katylene...

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  5. Poxa, ele era bem novo...

    Lembro de vê-lo em um bloco de carnaval em Ssa. Todos esses blogs me ajudaram a me assumir. Parecia uma brincadeira, mas é muito mais forte que isso.

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  6. Que pena!
    É mesmo, naquela época a Internet carregava um frescor, um tudo pode, um tal de vou fazer, que já se perdeu. Virou mais do mesmo.
    Outro dia lembrei de um blog de uma barbie bombada, rs.
    Bons tempos. Hoje o que se vê é o pastiche do pastiche do pastiche. Como aquele influencer famosérrimo, modernérrimo, que me lembra o Flávio Cavalcanti .

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    1. Carioca virtual é o da Barbie bombada!

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    2. ADORAVA ESSA BABADEIRA, SE FIZESSE O QUE DIZIA, A ESSAS HORAS JÁ DEVE ESTAR MORTA!
      G-

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  7. Ele não foi o criador de expressões como beesha tão presente na cultura gay digital. Basta uma pesquisa rápida para ver que já eram usado em chats do UOL e nos ICQs da vida. Mas ele é memorável e seu grande mérito é ter sido um dos percursores no Brasil desse novo humor queer que foi difundido até para a TV aberta. Além de ter sido ótimo amigo e companhia de noitadas. Deixa saudades.

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  8. Diva Depressão, Hugo Gloss e afins, são todos consequência da Katylene; porém bem aquém do original. o casal Diva até é fofinho e esforçado, mas rasinhos e quase leigos se comparados a Katy. já o Gloss é um viado triste, amargurado e recalcado; óbvio que não perdeu tempo e já soltou seu shade sobre a morte do Dani, infinitamente mais inteligente e talentoso que o chaveirinho de patricinha ht.

    mais um acontecimento maluco nesses tempos tão estranhos.

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  9. Achava uma coisa muito estereotipada.

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  10. Tony, você já viu o canal "Gay Nerd", no Youtube? Achei muito interessante, depois dê uma olhada por favor.
    Bjs!

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  11. Saudades da internet do inicio dos anos 2000. Era mais divertida, verdadeira, sem essa polarização política chata entre direita e esquerda, progressistas vs conservadores.

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    1. A polarização já existia, você é que não via.

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  12. Antes ele do que eu.

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