sexta-feira, 17 de setembro de 2021

QUEDROGA DE MINISTRO

Marcelo Queiroga quer se candidatar no ano que vem, seja a deputado, senador ou até mesmo governador da Paraíba. Para isto, precisa se manter em evidência, à frente do ministério da Saúde. Como sua situação anda meio periclitante, o ministro não teve dúvidas: rifou sua reputação e a saúde dos brasileiros, para agradar ao Biroliro e sua claque de ativistas do vírus. Seu anúncio ontem de que adolescentes não devem se vacinar é um escândalo proposital, lançado para desviar a atenção de um escândalo ainda maior: os testes fajutos que a Prevent Senior vêm fazendo com pacientes de Covid-19, à revelia destes, com resultados falsos e algumas mortes perfeitamente evitáveis. Num país normal era caso para cair o governo inteiro, mas no Brasil ainda há quem acredite em mitos. Esse caso da Prevent levanta uma lebre que pula por aí há algum tempo: o Genocida e sua turma devem estar recebendo uma granda de indústrias farmacêuticas para promover remédios ineficazes como a cloroquina e companhia bela. E ainda tiveram o desplante de cortar no meio a live da tarde de ontem, para insinuar que estariam sendo censurados por Facebook e YouTube - esqueceram que essas plataformas têm donos diferentes, e é impossível que combinassem de sair do ar no mesmíssimo segundo. É com essa corja que o Quedroga se mistura, é dela que ele faz parte.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

O FIM DA SEMANA

A notícia era mais do que esperada e mesmo assim fiquei tristinho. A The Week São Paulo fechou as portas de vez, depois de mais de um ano e meio sem funcionar por causa da pandemia. A nota ao lado foi publicada hoje no Instagram, comunicando que o imenso imóvel da Pompeia foi vendido. Vão subir uns prédios ali... Estive lá pela última vez em novembro de 2019, mas já ia pouco fazia alguns anos. Mas nunca deixei de adorar a boate que eu mais frequentei na minha vida. Entre 2005 e 2012, fui praticamente todos os fins de semana, e não sei como sobrevivi. Fui gold, fui black, fui green, botei grupos imensos pra dentro, passei vexame e o André Almada sempre me tratou feito um rei. Tenho um milhão de boas lembranças da TW, e teria dois milhões se ainda me sobrassem todos os neurônios. Mas a vida continua: a Japonesa já está aprontando sua próxima casa, e a The Week Rio deve reabrir até o final do ano. Novas lembranças virão.

PEQUI DERRETIDO

Segundo a pesquisa DataFolha divulgada hoje, a popularidade do Biroliro bateu um recorde negativo: 53% dos brasileiros reprovam seu desgoverno. Ainda acho pouco. Dilma chegou a 85% por muito menos. Como que metade da população ainda tolera, para não dizer apoia, este incompetente metido a autoritário? Acho que é aí que reside o x da "cuestão". Muita gente se identifica com o Genocida, com seu machismo, sua ignorância, suas más-criações. Nunca fui desses que acha que o Brasil é o melhor país do mundo, mas agora luto comigo mesmo para não achar o pior. Por outro lado, não há lugar totalmente civilizado neste mundo, nem mesmo a Escandinávia. A única coisa que me dá confiança no futuro é que, por aqui, os negros já são maioria.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

FILHA DE ADULTOS SURDOS

Coda, cauda em italiano, é parte final de uma peça musical. Em inglês, também é a sigla de Child of Deaf Adults - filho de adultos surdos. Os dois sentidos da palavra cabem no título do remake americano de "A Família Bélier", aquele filme fofinho francês que fez sucesso uns anos atrás. No Brasil, virou um meio óbvio "No Ritmo do Coração". A trama básica segue a mesma: a protagonista é a única ouvinte em uma família onde pai, mãe e irmão mais velho são todos surdos. Ela não só escuta como também canta, e quer se profissionalizar. Só que os pais precisam dela para trabalhar: no original, são fazendeiros, e aqui são pescadores. O roteiro adaptado também me pareceu mais dramático e melhor resolvido como um todo, e eu me emocionei algumas vezes mesmo sabendo o que ia acontecer. Não admira que o filme tenha ganho quatro prêmios importantes no último festival de Sundance e esteja cotado para o próximo Oscar.

COMO TREINAR SUA DRAG

A moda agora são filmes de temática gay com finais absurdamente felizes. O final lacrimejante de "Me Chame pelo Seu Nome" é insuportável para as novas gerações: a viadada jovem exige desfechos fantásticos, sem pé na realidade - nada que os héteros não tenham tudo desde sempre. O filme "Com Amor, Victor" foi um dos pioneiros dessa onda três anos atrás, seguida com brio por "Todos Estão Falando Sobre Jaime". Esta nova produção da Amazon é baseada num musical britânico, por sua vez baseado no caso real de um rapaz que resolveu ir de drag à sua festa de formatura. O personagem-título sempre quer que o mundo gire à sua volta, o que faz para a autoestima mas nem tanto para sua inserção na sociedade. O curioso é que ele parece desprovido de sexualidade: não se interessa por ninguém só por se montar. Os números são todos muito bem executados, mas nenhuma das canções gruda no ouvido. E me incomodou bastante o fato de Jamie não ensaiar nada para sua estreia no palco, nem ter escolhido seu nome de drag queen até a hora das cortinas se abrirem. Por outro lado, gostei das participações de Richard E. Grant e Sharon Horgan. Já sei, já sei: não tenho mais idade para amar esse "High School Musical" aviadado. Se joga, você que é xóvem.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

CARA GENTE BRANCA

Michel Temer disse uns anos atrás que dava por encerrada sua carreira política, mas claro que era mentira. O golpista não só está de volta, mas se pavoneando como nunca. Foi ele quem revelou ser de sua própria "larva" a carta de arrego que o Biroliro divulgou semana passada. Ontem foi seu marqueteiro Elisnho Mouco quem mandou para a imprensa o vídeo acima, em que o comediante André Marinho, filho do ex-aliado e atual desafeto do Bozo Paulo Marinho, imita o Despreparado com requintes adnetianos. O que fica claro é que a elite branca que está no poder há 521 anos despreza o Genocida com todas suas forças e faz troça dele nos bastidores, mas ainda prefere que ele esteja no poder do que Lula ou qualquer outro nome mais à esquerda. E prepare-se: Temer vai se candidatar a alguma coisa no ano que vem, e periga ser eleito.

CENAS DE UM CASAMENTO

A carreira de Aziz Ansari desandou desde que ele foi acusado de não entender "dicas não-verbais" por uma moça que ele sequer comeu, em 2018. Desde então, rolou apenas um especial de stand-up para a Netflix em que esse episódio bizarro era abordado, mas a ótima série "Master of None" ficou pras calendas. Em maio passado finalmente saiu a terceira temporada, com novo foco e um subtítulo: "Moments in Love". A protagonista agora é Denise, a amiga sapatona de Dev, feita por Lena Waithe. Nesta fase ela é uma escritora de sucesso, que vive numa casa de campo com sua linda esposa britânica. Como na minissérie "Scenes from a Marriage", o que azeda a relação é a possibilidade de um bebê. Ao longo de quatro episódios de duração variada, as duas vão do céu ao inferno a algo difícil de definir. Há pouquíssimas piadas e um rigor lacônico que lembra mais Ingmar Bergman do que o remake da HBO. Mas também há uma verdade emocional e uma honestidade que são raras de se encontrar na TV. "Master of None: Moments in Love" não é exatamente fácil de se assistir, mas recompensa o espectador.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

ANIRA MONTERO

Anitta ahazou no pre-show dos VMAs ontem à noite. Baita produção, coreô irada e ainda um merchan do Burger King no final, que é para ela bancar o próximo álbum da Juliette. Mas tem espírito de porco no Brasil que acha que se apresentar no esquenta dos prêmios da MTV é vergonhoso. Que Anira não estava no show principal, nem tinha sido indicada a nenhum astronauta. Impressionante como não há conquista da moça que baste para seus haters: não tem feat. com Madonna, não tem inglês perfeito, nada nunca está bom. A inveja é mesmo uma merda.
Por falar em Madonna, a MTV teve a decência de chamar sua sócia-fundadora para abrir os VMAs de seu 40o. aniversário, depois de não convidá-la nem para vender bala no intervalo nos últimos 10 anos. O canal também reconheceu o artista mais importante de 2021: Lil Nas X, que ganhou o prêmio mais importante de todos e levou seu cabaré de bicha preta para o palco do Barclay's Center, em Nova York. O resto eu só vi de soslaio. Expirou minha validade para achar muita graça em Olivia Rodrigo ou The Kid Laroi. Preferi assistir à estreia de "Scenes from a Marriage" na HBO, bem mais de acordo com a minha faixa estária.

DUPLO PIXULECO

O Vem Pra Rua mostrou ter tanta palavra quanto o Bozo, a encarnação moderna do escorpião da anedota. Amigos que iam à Paulista neste domingo desanimaram assim que viram o duplo pixuleco inflado pelo VPR, contrariando o acordo firmado com diversos partidos. As manifestações de ontem foram pequenas, mas não há por que o Genocida comemorar. Só provam que o MBL e similares não têm mais o apelo de três anos atrás, ou que a base desses movimentos está satisfeiticíssima com a ameaça de um golpe de estado. De qualquer forma, foi bom ver nomes da direita à esquerda na avenida, e melhor ainda ver a dancinha do Doria. Só espero que os 80% que não querem mais o Bozo não se pulverizem em 10 grupos diferentes, com 10% cada.  

domingo, 12 de setembro de 2021

MISSÃO: FABULOSA

Já houve muitas tentativas de se criar heróis gays, mas nenhuma tão engraçada quanto "Força Queer". A nova série em animação da Netflix consegue tirar sarro de vários arquétipos do mundo LGBTetc. - a barbie, o urso, a drag, a sapatão politizada, e não-binárie pós-tude - sem nunca rir da sexualidade em si. O protagonista é um super-espião que, pelo simples fato de ter saído do armário, ficou relegado por 10 anos a um posto em West Hollywood, o bairro mais pédé de Los Angeles, onde acontece de tudo, mas nada que requeira agentes bem-treinados. Até que um dia acontece, e sua equipe, representativa de várias letras, finalmente mostra todo seu talento. Mas a trama é o de menos: o que importa são os "one liners", as piadas rápidas que obrigam o espectador não piscar se não quiser perder nenhuma. Uma das minhas favoritas é "pode me chamar de Kylie Minogue, porque I can't get you out of my head". A dublagem original ficou a cargo de nomes como Sean Hayes (o Jack de "Will & Grace"), Wanda Sykes e Laurie Metcalf, e é curioso como que, depois de alguns episódios, os roteiristas não perdem uma chance de mostrar os personagens em nu frontal. Tenho visto bibas mais jovens reclamando da série nas internets, e talvez elas não tenham mesmo a bagagem necessária para digerir esta finíssima bavaroise. Vocês chegam lá, querides: é só questão de tempo.

sábado, 11 de setembro de 2021

20 ANOS DE SÉCULO 21

Há um consenso entre muitos historiadores de que o século 20 só começou para valer depois da 1a. Guerra Mundial, que eliminou impérios decadentes e rearranjou a ordem internacional. O século 21 não precisou esperar 14 anos para deslanchar: seu ground zero é mesmo o 11 de setembro de 2001, que vaporizou o período "pós-histórico" da década de 1990 e pavimentou o caminho para a ascensão da extrema-direita pelo planeta afora. Hoje estamos muito mais polarizados que há 20 anos, mais inseguros, mais apavorados e cheios de ódio no coração. Também é verdade que o foco dos EUA à guerra ao terror facilitou a expansão do soft power chinês. A retirada desastrosa do Afeganistão dá uma terrível sensação de que nada adiantou - por outro lado, duvido que os talibãs durem muito tempo, pois boa parte do país não é mais aquela caipirice a que eles estavam acostumados. O século 21 começou mal, e só piorou com Trump, Biroliro e a pandemia. Por outro lado, temos cada vez mais plataformas de streaming!

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

SEXTOU EM MAORI

Se Lorde fosse americana e regravasse algumas faixas de seu novo álbum em navajo ou hopi, sem ter uma gota de sangue indígena nas veias, seria um forrobodó. A cantora seria acusada de apropriação cultural para baixo. Mas a cultura maori está tão impregnada à da Nova Zelândia que todo mundo está achando lindo o EP "Te Ao Marama", que traz cinco músicas de "Solar Power" na língua dos primeiros habitantes do país (ajuda o fato de um em quatro neozelandeses ser legalmente maori, pois basta ter um tataravô da etnia para sê-lo). Eu também adorei o resultado, acho que até mais do que o original. O idioma maori soa como japonês para os meus ouvidos desacostumados, e seu monte de vogais combina perfeitamente com o clima estival que Lorde quis dar ao seu novo trabalho. Perfeito para ouvir na rede em frente ao mar, se eu tivesse uma rede em frente ao mar.

CAIM CAIM

Alguns me acusam de otimismo exagerado quando eu digo que o Edaír não é de nada. Além de tudo, ele também é burro pra caralho, criando problemas para si mesmo o tempo todo. Desde o infame 7 de setembro, dois grupos de seus apoiadores peceberam a canoa furada em que embarcaram. Primeiro foram os caminhoneiros a soldo do agronegócio primitivo, que deram com a boleia no chão depois que o Minto, com voz tênue, implorou que eles parassem de bloquear estradas. Depois foi a vez de influenciadores malignos como Alan dos Santos e Rodrigo Constantino, reagindo à nota de recuo escrita por Michel Temer e endossada pelo Biroliro. Claro que esse Jairzinho Paz e Amor não vai durar muito: é como pedir para o escorpião não picar o sapo durante a travessia. Mas o Despreparado se meteu numa sinuca de bico. Se para de vociferar merda, sua claque o abandona. Se vociferar, a direita mais envernizada o defenestra, como quase aconteceu esta semana, como quase aconteceu esta semana. Mas eu aposto na merda. Que acabará por tragá-lo, aguardem.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

PENETRAS NA WHITE PARTY

Está rolando um debate saudável nas redes sociais se simpatizantes da esquerda devem ir às manifestações convocadas pelo MBL e pelo Vem Pra Rua para este domingo. Os fraldas-marrons do Kim Kataguiri e do Mamãe Falei surgiram como trolls da extrema-direita, e eu mesmo virei alvo deles quando os critiquei no F5. Eles andam maneirando no tom de uns tempos para cá, mas há quem diga que isto só acontece porque não foram convidados a participar do desgoverno Biroliro, que ajudaram a eleger. Quem acredita realmente na democracia pode aderir a um protesto liderado por notórios anti-democratas? O MBL até tentou atrair quem não os endossa, decretando que a cor "oficial" do dia 12 será o branco, tamanho é o medo que eles têm do vermelho-Lula. Acham que estão dando uma White Party na Paulista e que podem impor o dress code. Pois eu defendo que eles sejam solenemente ignorados. A direita não teve o menor prurido em tomar para si as "jornadas de junho" de 2013, que começaram como passeatas contra o aumento do preço da passagem de ônibus de São Paulo, uma pauta da esquerda. Não houve o menor debate: reaças simplesmente foram se imiscuindo nas manifestações, até descaracterizá-las. Sigamos o exemplo no domingo, e vamos às ruas usando a cor que quisermos, carregando bandeiras de qualquer candidato. O Genocida precisa ser combatido por uma frente ampla, que inclua até quem a gente não gosta. Nem por isto temos que obedecer aos marronzinhos. Sejamos penetras!

ÊÊÊÊÊ MACARENA

É o que dá duvidar da imprensa profissional e só acreditar em mensagem do zap. Caminhoneiros a soldo dos agrotrogloditas se cobriram de vergonha eterna na noite de ontem, ao celebrar uma coisa que eles nem sabem o que é - o estado de sítio. Não adiantou nem o Biroliro, em pânico perceptível, mandar um áudio pedindo que eles se desmobilizassem. Acharam que era a voz do Toffoli, alterada pelos técnicos da Globolixo. O tal do Zé Trovão exigiu que o Despreparado gravasse um vídeo com data e hora, impresso e auditável. Para coroar o vexame, Marcelo Adnet imitou o Genocida pedindo que esses imbecis dançassem a Macarena. O Brasil está a salvo enquanto houver galhofa.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

A ENCARNAÇÃO DA COVARDIA

Alguns amigos mais cultos e vividos do que eu estão com muito medo que o Biroliro dê um golpe de estado. Eu, talvez por ser mais ignorante e tolo, já superei esse temor. Digo e repito que o Pequi Roído é um chihuahua, raça que late muito mas nunca morde (e, se morder, basta dar um peteleco). Edaír nunca fez nada de concreto contra ninguém. Passou a vida inteira na ameaça, mas nunca transformou suas palavras em ação. Não reagiu nem quando foi assaltado em 1995, e olha que ele anda armado desde sempre. Por isto, duvido que seus discursos de ontem se transformem em realidade. O Bozo é a encarnação da covardia, e meter medo é o cerne de seu marketing. Não nos esqueçamos nunca de que foi ele mesmo quem contou à revista Veja, em 1987, que iria explodir a adutora do Guandu, no Rio. Que terrorista é esse que trombeteia seus planos?

CINDERELO DE BURCA

Sou fã de carterinha do quadrinista francês Riad Sattouf, autor da série autobiográfica "O Árabe do Futuro". Sattouf também é compositor e cineasta, mas seus filmes nunca estrearam no circutio brasileiro. Agora consegui ver um, o segundo, e adorei. "Jacky au Royame des Filles" (Jacky no Reino das Mulheres) está em cartaz no MUBI até o começo de outubro. Trata-se de uma inversão esperta da história da Cinderela, lançada em 2014 - mas, com a volta do Talibã ao poder no Afeganistão, parece ter sido feita ontem. A história se passa na fictícia República Popular e Democrática de Boubounne, uma ditadura totalitária onde as mulheres é que mandam e os homens não têm direito algum. Os pobrezinhos precisam andar com uma espécie de burca que só deixa o rosto descoberto (melhor que a das afegãs), e os solteiros são assediados o tempo todo pela mulherada. É o caso do belo Jacky, que, como todos os rapazes de sua idade, sonha em se casar com a Coronel, a filha da General, líder máxima do país. O noivo será escolhido num grande baile, e Jacky precisa não só arranjar uma burca branca e cintilante como também um convite, que custa caríssimo. Rodado na Geórgia em locações que desafiam a credulidade, "Jacky" também um elenco cheio de estrelas francesas, como Charlotte Gainsbourg e Noémie Lvovsky. Mas quem carrega o longa é Vincet Lacoste, revelado por Sattouf em sua estreia no cinema e hoje um astro estabelecido. Cheio de piadas com machismo reverso e atuações fenomenais (dá para sentir como as atrizes estão se divertindo ao se comportar feito cafajestes), "Jacky" é um filme que subversivo e engraçadíssimo, já deveria ter se tornado cult. Vale a pena pegar um mês de graça no MUBI só para assisti-lo.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

GADO QUE MUGE NÃO CHIFRA

Não foi uma "minifestação", como celebraram no Twitter. Segundo a própria Polícia Militar, onde não faltam novilhos, foram 104 mil reses em Brasília e 125 mil em São Paulo. Muito longe dos dois milhões esperados para cada uma das cidades. Os clarões na Esplanada dos Ministérios foram constrangedores, e o Biroliro, sempre incapaz de disfarçar o que está sentindo, fez muxoxo de decepção. Em São Paulo, a muvuca se concentrou em frente ao MASP e à FIESP, mas mais para cá onde eu moro não estava lotado, não. A verdade incontestável é que qualquer parada gay enche mais a Paulista do que a gadociata de hoje. Claro que o Genocida vai dizer que foram 10 bilhões de pessoas e que dava para ver de Marte, mas eu, que cruzei com vários imbecis trajando verde e amarelo, não estou preocupado. Até porque o apoio dele vai sumir por decurso de prazo - quase não havia jovens no rebanho, composto majoritariamente por gente branca de meia idade e fora de forma. Mas o mistério continua: porque 25% dos brasileiros ainda apoiam o Genocida? Foram às ruas comemorar a gasolina a sete reais, o dólar a mais de cinco, a Amazônia e o Pantanal em chamas, os pobres comendo osso com arroz quebrado e os 580 mil mortos pela pandemia? No Rio teve quem tirasse selfie com o Queiroz! O gado muge pelo direito de ser roubado. Só que, depois de um dia sem o quebra-quebra esperado e cheio de discursos vazios, ficou provado que ele não chifra. Não que faltem galhos na cabeça do Minto, hohoho.

EJACULAÇÃO PRECOCE

Excitada feito uma vaca no cio, parte da manada que chegou a Brasília para a gadociata de 7 de setembro não esperou o sol raiar. Com o apoio expresso da PM do DF, uma das mais birolistas, os novilhos furaram o bloqueio e invadiram a Esplanada dos Ministérios. Alguns levavam bebidas alcoólicas, fogos de artifício e, dããã, armas - funcionou super bem a revista, não é mesmo? Com o Bananinha lá no meio, tentando compensar sua falta de pinto, os bovinos queimaram a largada. Hoje há quem tema que destruam o Congresso e o STF, e pode até ser que penetrem no interior desses prédios. Isso quer dizer golpe de estado? Não, só arruaça. Não tem ninguém lá dentro. Não temo pelas instituições nesta terça. Não me assusto com avisos do tipo "Biroliro parte para o tudo ou nada". Ele nunca fez isto na vida. Vai fazer justo agora quando sua popularidade está em baixa? O Bozo é o sujeito que planejou um atentado terrorista e depois denunciou a si mesmo. Ele só late, há mais de 30 anos. Nunca morde. Agora quer que os outros lutem e morram por ele e sua familícia. 

E o gado atende ao som do berrante, indo às ruas para celebrar a gasolina a 7 reais, a sopa de osso com arroz quebrado e os quase 600 mil mortos pela covid-19. Mas não se assustem com o eventual tamanho da gadociata. Tanto em Brasília quanto em SP, as multidões serão infladas por ônibus vindos de cidades distantes, pagos por empresários inescrupulosos e por dinheiro público. Ninguém consegue dar autogolpe com menos de 25% de popularidade e a economia em frangalhos. Mas o 7 de setembro é um ensaio-geral para o forrobodó que o Genocida quer promover no ano que vem, quando levar uma tunda de Lula nas urnas. Só que, com os atos de hoje, ele só infla sua própria oposição. Começou o fim irreversível da era Edaír.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

LE BEL BÉBEL

Tecnicamente, Jean-Paul Belmondo era feio. O nariz e os lábios volumosos lhe davam um ar de personagem das aventuras de Asterix, ainda mais se comparado a seu contemporâneo Alain Delon. Mas, na tela, Bébel arrasava: magnético, sedutor, irresistível. Deixou uma vasta filmografia, que vai de obras de auteurs como Goddard e Resnais ao mais descarado cinemão comercial francês. Estava afastado há anos, depois de um AVC, e hoje se foi aos 88 anos. Belmondo estrelou um dos meus longas favoritos, "Le Magnifique", de Philippe de Brocca. E confirmou uma verdade eterna: só é feio quem se acha feio.
Cata só esta sequência profética de "O Homem do Rio", rodada numa Brasília ainda em obras. Belmondo claramente interpreta a Constituição brasileira, fugindo dos bolsominions que querem destruí-lo. Mas eles não são páreo para sua agilidade, esperteza, charme e elegância!

OS PARATLETAS DO SUCESSO

Quando eu trabalhei na filial brasileira de uma produtora internacional, passamos boa parte de um ano tentando vender uma série documental sobre atletas paralímpicos. O projeto era bacanérrimo. Pintava os caras como autênticos super-homens, capazes de altas performances mesmo enfrentando a deficiência e a falta de recursos. Mas o maior obstáculo é mesmo a indiferença da sociedade. Ninguém se interessou pelo nosso programinha, que jamais saiu do papel. A piada interna era que ele andava mal das pernas... Cinco anos depois, o Brasil teve mais um desempenho estelar nas Paralimpíadas de Tóquio, com 22 medalhas de ouro e um honroso sétimo lugar no cômputo geral. Durante duas semanas, gente estropiada deu as caras na TV, rompendo a invisibilidade a que costuma estar relegada. Também houve um avanço importante este ano: os comentaristas pegaram mais leve com as narrativas chorosas de superação. Claro que ela existe e é importante, mas o esporte paralímpico é muito mais do que um quadro no programa do Luciano Huck. A maioria desses atletas também seria campeã se não tivesse nenhuma deficiência: eles nasceram para o esporte, e nesse ponto são idênticos aos ditos normais. O ideal seria não voltar a falar deles apenas nos Jogos de Paris, mas isso talvez seja pedir demais. Tirando o futebol, nenhum esporte fica o tempo todo em evidência.

domingo, 5 de setembro de 2021

BORRALHEIRA EMPREENDEDORA

Para quê serve uma nova versão de "Cinderella", o mais filmado dos contos de fada? Essa que saiu agora na Amazon Prime Video serve basicamente para os fãs da Camilla Cabello - jovens demais para lembrar do longa do Kenneth Branagh de 2015, com figurinos indicados ao Oscar e uma sublime Cate Blanchett como a madrasta. Desta vez, os modelitos e a direção de arte são dignos de telefilme (o que não deixa de ser verdade), mas o elenco com experiência em musicais e a trilha composta por hits manjados até que dão para o gasto. Veteranos como Idina Menzel, Minnie Driver, Billy Porter e até mesmo o inevitável James Corden estão bem, mas quem brilha mesmo é o novato Nicholas Galitzine como o príncipe encantado. O cara é o pacote completo: além de belíssimo e bom ator, canta com brio, demonstrando seus dotes vocais na dificílima "Somebody to Love" do Queen. Já para miss Cabello sobra uma Cinderella empoderada, metida a empreendedora e chegada numa palestrinha. Um chata, não de galochas, mas de sapatinhos de cristal.

sábado, 4 de setembro de 2021

MULHERES-PLANTA

Sou imune ao carisma de Juliette. Nunca entendi por que metade do Brasil se rendeu a esta paraibana, sem dúvida simpática, mas carecendo daquele plus a mais. Depois que ela venceu o BBB21, então, essa minha indiferença quase que se transmutou em ódio: Juliette está em toda parte, competindo com Gil do Vigor para ver quem torra nossa paciência primeiro. Por todas essas razões, achei que eu iria abominar o primeiro EP da moça. Mudei de ideia logo na primeira faixa. "Bença" é um xaxado-lounge muito agradável, perfeitamente adequado para a voz pequena e afinadinha da rainha dos cactos. O resto do trabalho não faz feio, apesar de chafurdar em todos os clichês nordestinos possíveis. Juliette está sendo criticada por não sair de sua zona de conforto, mas queriam o quê? Que ela gravasse cantos folclóricos da Bulgária? Talvez mais adiante. Por enquanto, por incrível que pareça, ela ainda está construindo sua marca.
Bem mais elaborado é "Purakê", o segundo álbum de Gaby Amarantos, lançado inacreditáveis nove anos depois do primeiro, "Treme". Nesse meio tempo, a Beyoncé do Pará não sumiu: gravou diversos singles, virou jurada do "The Voice Kids" e estará na próxima novela das seis da Globo. O nome do novo disco é o de um peixe-elétrico da Amazônia, mas poucas faixas têm alta voltagem. A mais energizante é "Vênus em Escorpião", disponível desde o ano passado, que Gaby divide com Urias e Ney "Pica das Galáxias" Matogrosso. A maioria das demais tem uma pegada mais suave, e a mais emocionante é a da abertura, "Última Lágrima", sofrência das boas com feats. de Elza Soares, Alcione e Dona Onette. Está mais do que na hora de Gaby Amarantos, dona de uma das melhores vozes do Brasil, ser considerada uma das nossas divas absolutas. Tomara que "Purakê" dê choques.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

CORNONARO

O ventilador não está dando conta de tanta merda da familícia que vem sendo jogada nele. Hoje surgiu a informação de que Edaír passou o comando do seu esquema de rachadinhas para o Zero-Um e o Zero-Dois depois que descobriu que sua segunda mulher, Ana Cristina, o chifrava com um segurança. Ser corno não é pecado, mas dói muito mais no Bozo do que ser chamado de despreparado, incompetente, corrupto e genocida. Nesta quinta, o deputado Rodrigo Maia também endossou uma teoria em que muita gente acredita: Biroliro é uma bicha enrustida, por isto tem tanto ódio acumulado dentro de si. Faz sentido.

ARROCHA GAGA ARROCHA

O planeta acordou hoje ao som de "Dawn of Chromatica", o novo álbum de remixes de Lady Gaga. Ela foi esperta em juntar a releitura de seu último trabalho de estúdio num pacote só: ao longo do último ano, lançou diversas versões avulsas das faixas de "Chromatica", que passaram em brancas nuvens. Mas "Dawn" também tem a proposta de reunir os nomes da vanguarda da dance music mundial, e o Brasil está muito bem representado por Pabllo Vittar. "Fun Tonight" virou sofrência, com sanfona e tudo, e é de longe a música mais interessante de todas. O disco também traz a esquisita venezuelana Arca, a nipo-britânica Rina Sawayama, a onipresente Charli XCX e vários de quem eu nunca ouvi falar. Pena que, com tanta novidade boa, as pistas de dança sigam tão fechadas como há um ano e meio.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

O PUBLICITÁRIO TEM QUE ACABAR

Trabalhei em agência de propaganda durante 25 anos, portanto tenho lugar de fala para afirmar: publicitário não presta. Eita povinho arrogante, inculto, preconceituoso e preguiçoso. Claro que existem honrosas exceções, mas é desolador perceber o quão pouco as coisas mudaram desde que eu comecei na década de 1980. Os departamentos de criação eram coalhados de homens brancos héteros cis de classe média para cima. Muitos eram abertamente homofóbicos. Mulheres, nem 10%. Devo ter cruzado com uns três orientais ao longo de toda a minha carreira, e um único negro. Essa falta de diversidade predomina até hoje, haja vista o aterrador filme que o Clube de Criação divulgou ontem para promover seu festival. A peça foi criada por uma agência tida como bacanérrima, a Wieden + Kennedy, e gerou uma reação imediata nas redes sociais. O CCSP e a W+K já tiraram esse horror do ar e soltaram o previsível pedido de desculpas, mas putaqueopareu. Em pleno ano da graça de 2021, ainda tem publicitário chucro que acha que a escravidão foi só uma "crise", e que bom que ela aconteceu. Pois nos deu o blues!


MY, MY, JUST HOW MUCH I'VE MISSED YOU?

Apesar da minha adolescência ter coincidido com o apogeu do ABBA, eu não gostava muito do grupo. "Dancing Queen" era legalzinha e tal, mas babas como "Fernando" ou "The Winner Takes It All" soavam como música brega cantada em inglês. O ABBA era composto por dois casais, Agnetha & Bjorn e Benny & Anni-Frid (Frida para os íntimos), e todos se divorciaram no início dos anos 80. Frida até tentou uma carreira solo, e os dois Bs compuseram musicais da Broadway como "Chess", mas nunca mais os quatro se reuniram, por mais ofertas milionárias que recebessem. Quase quarenta anos e alguns bilhões de dólares em royalties depois, o ABBA anunciou nesta quinta um novo álbum e uma nova turnê. Duas faixas de "Voyage" já estão disponíveis: "Don't Shut Me Down" é legalzinha e tal, mas "I Still Have Faith in You" ganha medalha de ouro em cafonice. Agora, esquisito mesmo é o novo show. Os quatro ficarão em suas casas na Suécia, enquanto seus "avatares" (vulgo hologramas) subirão ao palco acompanhados por 10 músicos. Na entrevista que rolou no início desta tarde, Frida e Agnetha não deram as caras; talvez já tenham se transformado em vozes incorpóreas. De qualquer forma, a volta do ABBA é um evento transcendental. My, my, I could never let you go.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

FAMILÍCIA ESTENDIDA

Hoje foi a vez da segunda mulher do Despreparado, Ana Cristina Siqueira Valle, ter seus sigilos fiscal bancário quebrados pela Justiça. Não foi só ela: 25 ex-assessores do Carluxo, muitos deles da família de Ana Cristina, também entraram no rolo. Isto não é surpresa para quem já ouviu os quatro episódios do ótimo podcast "A Vida Secreta de Jair", no UOL, feito pela jornalista Juliana Dal Piva. Edaír não teve o menor pudor de dar empregos fantasma a toda sua família estendida. Até seus ex-sogros estavam envolvidos no esquema das rachadinhas. Enquanto isso, o Zero-Quatro já é investigado por tráfico de influência, sem nem ter largado ainda dos videogames. Eu temo pela Zero-Cinco. A única rebenta do clã, que só tem 10 anos, também é filha da Micheque, a atual cúmplice do Biroliro. Um fruto nunca cai muito longe da árvore.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

CARLUXO RAXADINHO

De todos os cinco filhos do Despreparado, o Zero-Dois me parece o mais trágico. Aquele que vai ter o pior final de todos. O mais patético é que Carluxo nem queria entrar para a política. Foi obrigado pelo pai a se candidatar a vereador com apenas 17 anos de idade, para ampliar o esquema de rachadinhas que o Edaír já operava desde sempre. Na ânsia de ser aceito, o rapaz acabou se tornando o cérebro da familícia. Um cérebro perturbado, sem dúvida, mantido à base de remédios tarja-preta e que pode explodir a qualquer momento. Que talvez esteja próximo: a Justiça quebrou hoje os sigilos fiscal e bancário do Carluxo. Pena que o telefônico permanece intacto. Queria muito ver a cara de quem ler as mensagens sem pé nem cabeça que esse desequilibrado troca com suas paquerinhas.

ATUALIZAÇÃO: no meu afã de postar rápido, escrevi anteriormente que o sigilo telefônico do Carluxo havia sido quebrado. Não foi: só o fiscal e o bancário. Que peninha.

EXCELÊNCIA NEGRA

Eu queria ver "Doutor Gama" mais por dever cívico do que prazer. Afinal, é um filme sobre um personagem histórico importante porém pouco conhecido, uma figura fundamental para a abolição da escravatura, e ainda por cima dirigido por um cineasta negro, mas eu temia que fosse chato e pretensioso. Acabei gostando muito mais do que eu esperava. Jeferson De fez um filme elegante, quase lacônico, de ritmo tranquilo porém sem tempos mortos. A reconsituição de época está impecável, os atores brilham sem precisar de maiores arroubos e a mensagem didática desce redonda. Apesar de ter nascido livre, Luiz Gama foi vendido como escravo pelo pai branco, que queria pagar dívidas de jogo. Acabou se tornando o primeiro advogado negro do Brasil, e ajudou a inocentar vários escravizados acusados de crimes. É uma bela história, contada muito bem. Não perca: "Doutor Gama" já está disponível no Globoplay.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

VAL QUANTO PESA

Eu nunca fui fã do Val Kilmer. Nunca o achei especialmente bonito, nem bom ator. Mesmo assim, gostei bastante do documentário "Val", que chegou há pouco à Amazon Prime Video. O filme é composto, em grande parte, por vídeos caseiros que o próprio Val foi acumulando ao longo da vida, desde que era criança. Sua trajetória é contada em detalhes, da tragédia que marcou sua infância ao súbito estrelato em Hollywood. Cenas de longas como "The Doors" ou "Batman & Robin" ilustram sua fama de difícil, sempre criando caso com diretores e colegas de elenco. Mas a voz da narraçaão em off é a de seu filho: Val Kilmer perdeu a voz alguns anos atrás por causa de um câncer na garganta, e hoje só fala com a ajuda de um aparelho. Sua carreira terminou justo quando ele ensaiava uma volta triunfal, com um monólogo onde interpretava o escritor Mark Twain, e hoje ele vive de sessões autógrafos remuneradas em eventos para fãs. É muito triste, mas também emocionante. "Val" serve como lembrete de como tudo é passageiro, inclusive o motorista e o cobrador,  mas também de que muitas desgraças não são definitivas se houver resiliência e otimismo.

LULA DESREGULADO

Mesmo sendo o franco favorito para as eleições do ano que vem - ou talvez por isto mesmo - Lula já disse duas enormes bobagens, que podem virar munição nas mãos de seus adversários. Uma delas foi reiterar apoio à ditadura venezuelana. A outra foi garantir que tentará mais uma vez a famigerada "regulação da mídia", que muita gente entende como a volta da censura. O capo do PT jura que não, que só quer implantar por aqui um modelo semelhante ao do Reino Unido ou da Alemanha, sem entrar em maiores detalhes. Alguém devia avisá-lo de que essa discussão não atrai um único voto, mas pode afastar vários. Lula sonha com o que Cristina Kirchner fez na Argentina, que desmembrou o grupo Clarín. Só que o inimigo agora é outro: de nada adiantará investir contra a Globo, pois as fake news se espalham mesmo pelas redes sociais. Em 2022 estou mais do que disposto a fazer algo que nunca fiz, votar em Lula, se este for o preço para nos livrarmos do Bozo. Mas eu ficaria mais tranquilo se ele de fato propusesse um governo de união nacional, sem pautas requentadas da velha esquerda.

domingo, 29 de agosto de 2021

BEAT THE CLOCK YOU GOTTA BEAT THE CLOCK

Uma das primeira medidas tomadas por Biroliro na presidência foi a extinção do horário de verão, que o Brasil vinha adotando desde meados da década de 1980. A justificativa oficial era a de que a economia de energia elétrica não compensava o enorme transtorno físico e emocional que algumas pessoas sofrem por adiantar o relógio em uma hora. Essas pessoas deveriam ser proibidas de viajar para outro fuso horário, pois correm risco de vida. Mas o resto de nós adorava aquele dia um pouquinho mais longo, que dava mais praia nas cidades do litoral e mais trabalho para quem fica no escritório, pois anoitece mais tarde. Dois anos depois, é patético ver o Edaír pedindo para as pessoas desligarem um ponto de luz ou tomarem banhos mais curtos para economizar água e luz. Medida concreta para evitar um apagão, como fez FHC, necas de pitiriba, até porque o Despreparado não faz a puta ideia do que seja governar. Melhor jogar a culpa nos outros, talkey? Enquanto isso, empresários fazem lobby pela volta do horário de verão. O Bozo cederá? Duvido: ele tem o dom de sempre fazer a coisa errada.

PARA CAIR DE BOCA

Ontem eu descobri que existe na Espanha uma rede de lojas chamada La Pollería - a Caralharia, em tradução livre. O plato fuerte do lugar é o pollofre, uma simpática contração das palavras polla (pau) + gofre (waffle). O troço pode ser mergulhado em caldas de diversos sabores e depois saboreado da maneira mais pornográfica possível. O curioso é que, num país com fama de machista com a Espanha, La Pollería é um tremendo sucesso, com filiais em várias cidades. No Brasil de hoje, haveria protesto de minions na porta e acusações de pedofilia.

sábado, 28 de agosto de 2021

BRIEFING NO ALVORADA

- Bom dia, presidente. 
- Bom dia. O cercadinho já tá cheio? 
- Já. Com os mesmos de sempre. 
- Então vamos lá. Vamos acabar com essa porra logo, e aí sextou. 
- Vamos. Só uma coisa, presidente... 
- Que foi? 
- A imprensa toda está falando da mansão do Zero-Quatro. 
- Porra! Até que demorou. Eles se mudaram pra lá em junho. Só descobriram agora? 
- E estão dizendo que a sua ex-mulher não tem renda para pagar o aluguel. 
- Claro que não tem. Quem que eles acham que tá pagando por aquilo lá? 
- O erário público. 
- Bom, e o que é que isso tem a ver com o cercadinho? Lá ninguém vai me perguntar nada sobre isso. 
- Não, não vai. Mas era bom o senhor soltar uma bomba qualquer. Pra distrair a imprensa. 
- Uma bomba? Tipo o quê? Que, se não tiver voto impresso, eu mato todo mundo? 
- Não, o voto impresso já não mobiliza tanto quanto antes... 
- Já sei. Vou dizer que todo mundo tem que comprar fuzil. 
- Mas o senhor já disse isso antes. Precisávamos de um ângulo novo. 
- Que tal, "melhor comprar fuzil do que feijão?" 
- Ótimo! Podia ser até mais radical. Tipo, "quem quer comprar feijão é idiota". 
- Porra, de vez em quando você até que dá uma dentro. Gostei. Faz o seguinte: mês que vem, só me devolve 50% do seu salário, talkey?

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

VENHA A NÓS

No primeiro episódio da série argentina "Vosso Reino", um candidato à presidência da República é apunhalado... e morre. O diretor e roteirista Marcelo Pyñeiro jura que a cena já estava escrita antes do atentado ao Biroliro em 2018, mas é difícil acreditar. Até porque o político em questão era apoiado pelos evangélicos, e o pastor que ele tinha como vice em sua chapa assume seu lugar. Lançada há duas semanas na Netflix, "Vosso Reino" está causando um forrobodó na Argentina. As lideranças evanjas de lá estão reclamando da maneira como a fictícia Igreja do Reino da Luz é retratada na série: hipócrita, corrupta, obcecada por poder e dinheiro. Imagine aqui no Brasil, onde os teocráticos têm uma influência muito maior do que no país vizinho. É uma pena que, no momento atual, nada parecido possa ser rodado por aqui. Por isto, assistir a "Vosso Reino" tem um agradável sabor de vingança. E não só isso: a série é muitíssimo bem escrita, dirigida e atuada, com um plot twist atrás do outro. O elenco está cheio de estrelas locais, como Diego Peretti, Mercedes Morán, Nancy Dupláa e os belos Chino Darín (filho do Ricardo) e Joaquín Furriel (sem barba pela primeira vez). Vale a pena se ajoelhar e entregar a alma a esses deuses.

O BARRACO DA VIÚVA

O MCU, ou universo cinematográfico da Marvel, está longe de ser uma das minhas especialidades. Assisti aos filmes dos Vingadores fora de ordem, alguns na TV, e pulei os longas do Capitão América e os mais recentes do Homem-Aranha. Não sei bem quem é quem, e não me importo. Por isto não me abalei em ir ao cinema para ver "Viúva Negra". Esperei o longa chegar de graça para todos os assinantes da plataforma Diseny +. E não é que eu me diverti? Para além das sequências de ação espetaculares (um pleonasmo, pois se não for espetacular não vale), o roteiro traça um complexo retrato da situação familiar de Natasha Romanoff. Antes de prosseguir, um parêntese para discutir esse nome: Natasha e Romanoff são, respectivamente, o prenome e o sobrenome russos mais óbvios, e parecem ter sido escolhidos por quem tem só um mínimo de conhecimento sobre a Rússia. Mal comparando, é como se a identidade secreta de uma heroína britânica fosse Mary Windsor. Voltemos à resenha. O mais interessante de "Viúva Negra" são as relações de amor e ódio que a protagonista têm com seus falsos pais e sua falsa irmã. Os quatro posavam como uma família "normal" nos Estados Unidos dos anos 1990, mas eram todos espiões russos - curioso que, àquela altura, já não houvesse mais União Soviética. Natasha também está em busca de sua mãe biológica, e a encontra da pior maneira possível. Resumindo: um barraco cabeludo, digno do "Casos de Família".

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

PORSCHE MISÉRIA

Adolescente é, por definição, uma criatura sem noção. Se o adolescente for rico, então, sai de baixo. O perigo aumenta se ele estiver envolvido numa disputa judicial por uma fortuna de milhões. No caso, elas: Marina e Sofia Liberato, as filhas de Gugu, que acharam uma ótima ideia postar um vídeo onde acusam a tia Aparecida de estar lhes roubando. Só que o tiro arrombou a culatra, porque o tribunal da internet se voltou contra as irmãs. Onde já se viu, aos 17 anos de idade, choramingar que não ganhou um Porsche?  As duas são filhas do Paulo Guedes? Gugu está pagando. depois de morto, o preço por não ter deixado as coisas claras em vida. Quem era sua mulher ou marido de fato, quem herdaria o quê? Taí o resultado.

(ATUALIZAÇÃO: escrevi este post meio na correria, e cometi um erro grave ao dizer que as meninas reclamavam de ganhar só 500 mil reais por mês. Eram 500 dólares por semana. Também consta que elas não gravaram para postar nas redes, mas como parte de um depoimento contra a tia, e alguém - ALGUÉM - vazou o vídeo para as redes sociais. Mas a reclamação pela falta de Porsche é genuína)

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

O HOMEM DA TARJA PRETA

A revista Piauí iria publicar em breve uma nova reportagem sobre Marcius Melhem. João Batista Jr., o mesmo jornalista que assinou uma matéria devastadora sobre as acusações de assédio ao humorista na edição de dezembro passado, já tinha pronto o texto, cheio de novas revelações. Mas Melhem entrou na Justiça e conseguiu que a Piauí sofresse censura prévia. Nada pode ser publicado "pelo tempo que durarem as investigações". Mesmo assim,  Batista Jr. divulgou um trecho do artigo, com as partes mais sensíveis devidamente tarjadas. Pelas palavras que sobraram ("num flat", "banheiro"), dá para imaginar cenas cabeludíssimas. Talvez piores do que as que são de fato descritas...

DIA DE FICAR NA MOITA

Acho uma idiotice grupos de oposição continuarem pressionando o governo de São Paulo para se manifestarem na Av. Paulista no dia 7 de setembro. Além do gado ter reservado a data primeiro, é cair no jogo dele ir para a mesma via no mesmo dia. Tudo o que Biroliro quer é um choque violento, para justificar o golpe com que ele tanto sonha. Aliás, se você não for um bovino certificado, 7 de setembro é dia de ficar em casa. Aproveita para por as séries em dia! Quem for para a rua, mesmo se for para comprar pão, se arrisca a levar um tiro de algum minion, pois muitos sairão armados neste dia. Não se compra briga com arruaceiro. Deixa os celerados se aglomerarem em paz e transmitirem entre si a variante delta. No domingo, dia 12, é nóis.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

KISSTERIA

O Kiss nunca foi uma das minhas bandas favoritas. Mas eu fui adolescente nos anos 1970, então não teve como eles não marcarem a minha vida. Só um álbum era realmente bom, "Destroyer", de 1976, mas singles como "I Was Made for Lovin' You" e, pricipalmente, "Rock'n'Roll All Night" tocam por aí até hoje. No entanto, mais importante que a música era o visual, o espetáculo, o senso de teatralidade. Todo rock star encarna uma persona que não corresponde exatamente ao que ele é fora do palco, mas o Kiss foi adiante: com suas máscaras de teatro kabuki, Gene Simmons, Paul Stanley, Ace Frehley e Peter Criss eram personagens em que qualquer fã podia se transformar. Bastava pintar o rosto. Praticamente heróis da Marvel tocando guitarra. Eu me desinteressei pelo Kiss assim que entrei na faculdade, e não levantei da cadeira quando eles finalmente vieram tocar no Brasil. Hoje me arrependo um pouco: falta um show do Kiss no meu currículo. Estou preenchendo essa lacuna com "Kisstory", o documentário em duas partes exibido pelo canal A&E e que ainda pode ser visto em VOD. E aprendendo detalhes que eu desconhecia, como o nome real do Gene - Chaim Witz! Deu até vontade de pintar o rosto.

DESÂNIMO CONTAGIANTE

Depois de algum tempo na moita, Abraham Weintraub e seu irmão Artur voltaram a quebrar a internet. No mau sentido, é claro. É contagiante o desânimo dos dois no vídeo acima: parece que subiram correndo um lance de escadas, coitadinhos. Também são de se reparar os argumentos que eles usam para convocar para a manifestação do gado em 7 de setembro. A extrema-direita tem duas táticas de propaganda. Uma delas é negar a existência ou diminuir a gravidade de problemas reais: racismo só existe em casos pontuais, homofobia só é caracterizada pela violência física, feminismo é mimimi. A outra é se alarmar com problemas imaginários, como o comunismo, o globalismo ou a ideologia de gênero. Aqui eles apontam para o perigo iminente do Brasil se tornar um Afeganistão, como se o desgoverno Biroiliro já não estivesse tentando implantar uma teocracia. Ah, como eu torço para que o ex-minsitro da Educação se candidate ao governo de São Paulo no ano que vem, só para rir da sova que ele vai levar nas urnas.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

MESTRA DE NINGUÉM

Meu pódio das melhores séries do ano está ficando apertado. A mais nova medalhista é "The Chair", cuja primeira temporada chegou na sexta na Netflix e já foi devidamente devorada por mim (são só seis episódios, de meia hora cada). Trata-se da primeira produção assinada por David Benioff e D. B. Weiss, os showrunners de "Game of Thrones", e criada pela mulher do primeiro, a atriz Amanda Peet. A locação soa meio distante do nosso rame-rame cotidiano - uma imaginária universidade da Ivy League, Pembroke - mas "The Chair" me atingiu tanto politica quanto pessoalmente. O campus, é claro, é dominado pela garotada que se ofende com qualquer coisa e acha que o mundo inteiro está errado, menos ela. O progresso parece chegar quando a primeira mulher e a primeira não-branca assume a a cátedra de inglês e literatura , no que prometia ser um emprego tranquilo. Mas a acadêmcia vivida por Sandra Oh, a atriz mais adorável do planeta, até que tenta fazer a coisa certa, mas se vê emparedada por dois lados. De um estão os alunos, que acham que um professor que fez "heil, Hitler" em sala de aula para ilustrar um ponto é um neonazista que merece ser defenestrado. Do outro está a velha guarda, com ideias emboloradas e privilégios injustificáveis. Em meio a esse cabo de guerra, a protagonista ainda tem que lidar com a filha adotada, que decidiu que odeia a mãe. Ela vive os dilemas da meia-idade e consegue desagradar todo mundo. Com diálogos afiadíssimos, um elenco dos sonhos, muitas risadas e algumas lágrimas, "The Chair" conclui sua trama rapidamente, sem deixar gancho para uma segunda temporada. Que agora eu rezo para que aconteça.

CACHORRINHO QUE LADRA

Quanto tempo mais vai levar para os líderes do Legislativo e do Judiciário entenderem que Biroliro não quer "diálogo"? Quanto mais até Artur Lira e Ciro Nogueira perceberem que o Despreparado irá descumprir todas as promessas de contenção, porque ele nunca perdeu nada por não se conter? O país paga o preço de ter eleito um arruaceiro, que nunca trabalhou um dia sequer na vida e continua não trabalhando. Mijaír agora quer nos meter medo: faz paradinha de tanques fumarentos, pede impeachment de juízes do STF, jura que as FFAA são "dele", grita que a corda está esticando. De fato está, por ele mesmo. Acontece que, quanto mais ele ladra, menos medo eu tenho. Quem pode dar golpe não avisa que vai dar. E se vier o golpe, quem vai governar? Os PMs que andam se manifestando nas redes sociais? Devem ser tão competentes quanto os milhares de milicos que ocupam cargos civis neste desgoverno. Ah, e convém não se impressionar com o tamanho da manifestação na Av. Paulista, no dia 7 de setembro: estão convocando o gado até de outros estados, com passagem e estadia grátis, na tentativa de ostentar um apoio que o Pequi Roído simplesmente não tem mais. Esse cachorrinho que arreganha os dentes não tem força para morder ninguém.

domingo, 22 de agosto de 2021

SPA SEM TER VOLTAS

Hotéis são ótimos cenários para a ficção. O autor consegue enfiar num mesmo cenário um bando de personagens que não se cruzariam fora dali. Ainda há o bônus da locação glamurosa se a obra for adaptada para as telas. Um exemplo recente é a minissérie "The White Lotus", que está fazendo sucesso na HBO Max. Mal acabei de ver esta e já embarquei em outra viagem: "Nove Desconhecidos", cujos três primeiros episódios acabam de chegar à Amazon Prime Video (serão oito ao todo). O hotel no caso na verdade é um spa ultra exclusivo, que se dá ao luxo de escolher seus hóspedes e combiná-los em grupos em que uns aticem os outros. No comando, uma russa misteriosa: Nicole Kidman, cujo rosto passado a ferro às vezes fotografa lindamente, e em outras lembra os make-ups do filme "As Branquelas". Já o grupo de hóspedes têm o esperado: gente folgada, que fala alto e se mete na vida alheia, além de segredos que aos poucos vêm à tona. Ainda não aconteceu muita coisa, mas as atuações se destacam. Minha favorita é Melissa McCarthy, que faz uma escritora em crise pessoal e profissional. Vai ser bom até o fim? Tomara: o time por trás é o mesmo de "Big Little Lies", da autora do livro à estrela. Mas aposto que ninguém vai sair mais magro ou mais relaxado.

sábado, 21 de agosto de 2021

DEIXA O SOL ENTRAR

Depois de dois álbuns em que soava mais dentro da concha do que Billie Eilish num dia ruim, Lorde finalmente descobriu que faz sol lá fora. Descobriu que é linda, jovem, rica, talentosa e que mora no país melhor governado do mundo, a Nova Zelândia. E resolveu celebrar todas essas descobertas com "Solar Power", que vem sendo saudado pela crítica especializada como um disco ensolarado. Para os padrões neozelandeses, claro: qualquer musiquinha de axé desenxabida exala mais energia solar  do que as 12 faixas juntas. Isto não quer dizer que não seja bom. Nenhum dos singles chega aos pés de "Royals", que a colocou no mapa em 2014, mas "Solar Power" não é um álbum de singles. É para ouvir todo de uma vez, de preferência na rede, sentindo a brisa da tarde, com uma água de côco na mão. Mesmo que você esteja no país pior governado do mundo.
  

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

LAURENTINO ME ESCRAVIZOU

Como quase todos os brasileiros, eu nunca me considerei racista. Nunca tratei mal nenhum negro, nunca discriminei ninguém e "tenho até amigos pretos". Essa autopercepção começou a mudar nos últimos anos, quando o termo "racismo estrutural" começou a circular. Hoje me dou conta de como esse descalabro pegou fundo em mim. Como fui treinado a olhar para um negro, qualquer negro, e concluir: pobre. Até hoje uma parte de mim se surpreende quando vejo na TV gente como Jurema Werneck ou Julio Croda. De onde saíram tantos negros educados, articulados e reivindicativos? Algumas leituras têm me ajudado a entender esse processo histórico, e uma parte importante delas é a gloriosa trilogia "Escravidão", do jornalista Laurentino Gomes, cujo segundo tomo saiu há pouco. São livros fundamentais para compreender o Brasil de ontem e hoje, e talvez nos preparar para o país que queremos ser. Esse Volume II foca o século 18, auge do tráfico negreiro, e a riqueza de detalhes que Laurentino fornece é de embevecer. Estou escravizado por sua pesquisa, abrangente e acessível ao mesmo tempo. "Escravidão" é uma obra indispensável, que deveria ser adotada por todas as escolas, todos os negros que querem conhecer mais da própria história e todos os brancos que reconhecem o racistinha que ainda têm dentro de si.

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

EMIRADO ISLÂMICO DO AFEGANISTÃO

O Talibã é que nem o Biroliro: promete que vai mudar, mas não muda. Dois dias depois da coletiva em que garantiram que iam pegar leve, os terroristas já mudaram o nome do país para Emirado Islâmico do Afeganistão, instituíram a bandeira aí ao lado e trouxeram de volta as mesmas leis que estavam em vigor em 2001. Já há relatos de perseguições a jornalistas e colaboradores das potências ocidentais. Mas, se o Talibã não mudou, o país em volta deles é outro. Nos últimos 20 anos os afegãos desfrutaram de liberdades até então inéditas, e a região de Cabul progrediu bastante (mas boa parte do país permanece na Antiguidade). São esses jovens que estão indo às ruas protestar contra a milícia islâmica, e levando bala. Mas será que o Talibã conseguirá calá-los? Conseguirá ser aceito por quantas nações se tratar mulheres feito bichos? Ficará no poder muito tempo? Tenho cá minhas dúvidas.

(reparou que eu escrevo "Talibã" neste post, e não mais "Taleban"? É porque a Folha mudou e adotou a grafia mais comum no Brasil. Não, neste blog eu não preciso seguir as regras do jornal, mas prefiro fazer como ele pede para ir me acostumando. Vai que amanhã eu tenho que escrever uma coluna sobre o Talibã para o F5)

COM O RABO ENTRE AS PERNAS

O próprio Biroliro já disse que, se não houver voto impresso (e não haverá), ele periga nem participar das eleições do ano que vem. Ninguém deu muita bola, mas analistas começam a levar a sério essa possibilidade. O plano de melar o pleito só decola se s diferença dele para Lula for apertada - e todas as pesquisas apontam que o petista dará uma lavada. Outras enquetes apontam que o Bozo pode até mesmo ficar fora do segundo turno, se o centro se unir em torno de uma candidatura única. Para evitar o vexame e manter-se invicto - ele não perdeu nenhuma das eleições que disputou - o Covardão simplesmente não concorreria. Como sabemos, coragem jamais foi seu forte, e uma desistência pode dar ensejo à narrativa anti-sistema que se perdeu com a chegada do Centrão ao poder. Resta um problema: sem foro privilegiado, Edaír cai nas garras da lei. Para escapar, ele talvez concorra ao Senado pelo RJ? Deus nos livre, mas acho possível.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

CANTA, CANTA, MILICIANO

O Twitter irrompeu em chamas na noite de segunda-feira, depois que Vera Magalhães perguntou a Maritnho da Vila sobre as ligações de Adriano da Néobrega com a Vila Isabel. A apresentadora do "Roda Viva" já é mal-vista por muita gente, e há quem a acuse até hoje de ter escrito o infame editorial "Uma Escolha Difícil" do Estadão (não, não foi ela). Depois dessa, até de racista Vera foi chamada. O que essa galera não entende é que o "Roda Viva" não é uma homenagem ao entrevistado, e que jornalista tem obrigação de fazer perguntas que incomodam. Martinho se fez de desentendido e no dia seguinte choveram notas de repúdio. Mas quem se deu ao trabalho de googlar descobriu que, depois que o miliciano favorito do Bozo foi morto no ano passado, encontraram com ele duas carterinhas da Liesa, a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, que o identificavam como diretor da Vila Isabel. Esquindô!

A MUSA DA CPI

Alguns anos atrás, criei uma regra eleitoral para mim mesmo: jamais votar em candidato do MDB. Antro de notórios corruptos como Eduardo Cunha e Michel Temer, o partido estava mais para uma empresa de aluguel de apoio político, cujos preços sobem o tempo todo. Mas hoje em dia eu abriria uma honrosa exceção para Simone Tebet. A senadora pelo Mato Grosso do Sul é a estrela da CPI da Pandemia, sempre mais preparada do que qualquer de seus colegas e sempre implacável no questionamento dos notórios corruptos que vão lá depor. Outro dia a minionzada se assanhou por ela aparecer na CPI com fones de ouvido, enquanto interrogava um dos depoentes. "De quem ela está recebendo ordens?", mugiu o gado. Não eram ordens, mas dados fornecidos por seus assessores no gabinete. Para essa turma é difícil imaginar que um parlamentar possa colocar para trabalhar alguém que contratou com verba pública. Simone Tebet já foi ventilada como possível candidata à presidência em 2022, mas as chances de isso se concretizar são ínfimas. É uma pena, porque eu faria campanha por ela.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

O HOTEL DAS ESTRELAS CADENTES

Um grupo de turistas chega a um hotel em uma ilha isolada do Havaí. São quase todos brancos, ricos, héteros e cis: uma família com dois filhos adolescentes, mais a amiga da garota (a única com um tom de pele mais acobreado; um casal em lua-de-mel; e uma mulher carente e solitária, que veio jogar no mar as cinzas da mãe. Ao longo da semana seguinte eles vão se envolver com os funcionários do lugar e com outros hóspedes, e no final alguém morrerá. "The White Lotus" parece bem atraente descrita assim, mas o fato é que os personagens são todos uns chatos, todos apenas interessados por si mesmos. Os três primeiros episódios são meio modorrentos, mas do quarto em diante a chapa esquenta. Eles continuam chatos, mas pelo menos o espectador se diverte em ver gente branca e rica se dando mal. Muitos espectadores, aliás: como a minissérie já é uma das mais vistas da HBO, vai haver uma segunda temporada. Mas em formato de antologia, com novo elenco e cenário.

DANÇA PRO TIO, DANÇA

É um erro achar que o Taleban caiu de Marte. Que são um bando de malvados ameaçando os afegãos bonzinhos. Assim como o birolismo aqui no Brasil, o fundamentalismo religioso está impregnado no DNA cultural do Afeganistão. Ou, melhor dizendo, os dois casos refletem a falta de cultura e educação de seus países. Só um em cada três afegãos é alfabetizado. Tampouco existe por lá uma identidade nacional comum. O que há são diversas etnias, e a dominante, a pushtun, é justamente de onde surgiu o Taleban. Como o país é isolado e seu único produto de exportação é a heroína, o Ocidente nunca achou que valesse a pena colonizá-lo. O resultado é que a mentalidade medieval subsiste por toda parte. Um dos aspectos mais tétricos dessas tradições são os bacha bazi, ou garotos dançarinos. Como em toda nação islâmica, homens e mulheres são criados separados no Afeganistão, e os noivos às vezes se conhecem apenas no altar. Os rapazes então se aliviam com garotinhos, vendidos como escravos sexuais por suas famílias pobres. Esses moleques são obrigados a se pintar e a dançar feito garotas, e depois são abusados por seus senhores. Não dá mesmo para esperar muita coisa de um país onde isso existe até hoje.

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

O AFEGANISTÃO DESPENCA

São as imagens mais horripilantes do ano, e olha que 2021 está cheio delas. Não consigo sequer imaginar o desespero de quem se agarra a um avião decolando, na vã esperança de fugir para qualquer lugar. Hoje o mundo inteiro aponta o dedo para os EUA pelo desastre em curso no Afeganistão e está óbvio que a retirada foi mal planejada, mas Joe Biden tem razão num ponto: por que os americanos deveriam lutar uma guerra que os próprios afegãos não querem lutar? Agora, vamos ver que regime o Taleban vai impor. Meu lado Poliana torce para que não seja tão ruim como antes, até porque há uma nova geração acostumada a liberdades inusitadas. E a China, que tem fronteira com o Afeganistão, não vai deixar que seu vizinho se torne novamente o paraíso dos terroristas. Mas eu costumo errar previsões. Melhor esperar pelo pior.