terça-feira, 8 de dezembro de 2020

TEL AVIV EM BANHO MARIA

De vez em quando acontece. O argumento é incrível, mas roteiro e realização deixam muito a desejar. É o caso de "Tel Aviv em Chamas", um filme palestino que, por causa dos meandros das coproduções internacionais, concorreu por Luxemburgo no último Oscar. A ideia original era ótima, e um tributo ao poder do storytelling. O roteirista de uma novela palestina é barrado num posto de controle israelense entre Jerusalém e Ramallah. O oficial encarregado muda de atitude quando descobre a profissão do rapaz, porque as mulheres de sua família assistem à tal novela, um dramalhão romântico sobre uma espiã palestina que adota uma identidade judia e se envolve com um general de Israel. Só que essas senhoras torcem pelo amor, não pela política, e não demora para o tal oficial começar a dar palpites na trama. Legal, né? Infelizmente, o ator principal tem o carisma de um copo de água morna. Não é bonito nem engraçado; sua presença mal é registrada pela câmera. Também falta piada num longa que se propõe a ser uma comédia, e mesmo a mensagem de fraternidade - "temos mais semelhanças do que diferenças" - acaba se diluindo. Deu vontade de comprar os direitos e fazer um remake.

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