sábado, 26 de dezembro de 2020

MINHA ALMA CANTA

Existe vida antes do nascimento? Esta não chega a ser uma questão que aflija a humanidade, mas aposto que já passou pela cabeça de muita gente (pela minha passou). Ela é respondida lindamente por "Soul", o mais adulto dos filmes da Pixar. Na boa: crianças com menos de 10 anos talvez não entendam patavina, e tem muita piadinha que só os adultos irão entender. Também é muito adulto o drama do protagonista, um pianista de jazz frustrado que morre justamente no dia em que recebe sua maior oportunidade profissional. Prestes a passar para o "grande além", ele se revolta e tenta voltar à Terra, mas só consegue chegar a uma espécie de boot camp para as jovens almas. É nesse lugar que os que ainda vão nascer burilam suas futuras personalidades e descobrem suas futuras aptidões, antes de mergulhar no espaço rumo ao nosso planeta. Também é lá que o protagonista é designado mentor para uma alminha rebelde, que há milênios se recusa a nascer, e os dois formam uma aliança improvável. A parte realista de "Soul" se passa em Nova York, e as imagens são tão detalhadas que parecem filmadas de maneira convencional. Já a parte onírica é um deslumbre, com criaturas que parecem rabiscadas por Picasso fazendo as vezes de anjos. Mas o melhor de tudo é mesmo o roteiro, sempre a arma secreta da Pixar. Em meio a tantas cores e gracinhas, há uma teologia que consola e faz sentido, e o previsível final feliz não tem nada de piegas. Pena que, por enquanto, o filme só esteja disponível na Disney +. Nesse ano tão difícil, "Soul" pode deixar muitas almas mais felizes.

6 comentários:

  1. Não foi esse filme que a militância não gostou porque a negritude do protagonista é retirada dele logo no começo de filme?

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    1. Hã? Aqui ele é negro do começo ao fim.

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    2. Qdo. assim não dá pra saber quem é mais chato. Se a militância ou um sujeito igual a ti

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  2. Pelo que eu me lembro encrencaram com o fato de o cara negro ser transformado em outra coisa na maior parte do filme, isto é sem permanecer visualmente negro durante filme. É a mesma reclamação que foi feita no já antigo A Princesa e o Sapo (primeiro filme da Disney em que a princesa é negra, mas passa a mior parte do filme como um sapo). Eles reclamam que parece que a Disney põe um protagonista negro para se dizer moderna, mas sempre dá um jeito de esconder a cor dele com alguma transformação.

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    1. Mimimi de quem não viu o filme.

      Lembre-se: antes de mimizar, veja ou leia o que será mimizado.

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