domingo, 1 de novembro de 2020

O FILME-PALÍNDROMO

"Tenet" era para ter ido o grande blockbuster do verão americano. Aí veio a pandemia, os cinemas fecharam e o filme foi sendo sucessivamente adiado. Essa demora toda fez com que a expectativa, que é sempre alta para Christopher Nolan, crescesse ao ponto da decepção ser inevitável. E ela veio. "Tenet" é uma bobagem colossal, com efeitos espetaculares e um roteiro mais confuso do que a cabeça do Trump depois da derrota. Nolan, que torceu o tempo e a percepção que temos dele em "A Origem" e "Interestelar", agora inventou que, no futuro, objetos poderão ter sua "entropia invertida", e o tempo correrá ao contrário para eles. Esse conceito quase abstrato é aplicado numa trama de dificílima compreensão, que mistura um traficante de armas russo, uma bilionária indiana, um depósito de obras de arte em um aeroporto nórdico e um atentado à Ópera de Kiev. O protagonista nem nome tem, e por isto a escolha de um ator sem carisma feito John David Washington (filho do Denzel) talvez tenha sido adequada. Salva-se minha adorada Elizabeth Debicki, vestida em modelitos que fazem que ela pareça ter cinco metros de altura. A soma de tantos elementos sem liga resulta num gigantesco WTF. O espectador não se envolve, o que faz com que "Tenet" equivalha ao palíndromo de seu título: parece bacana, mas não serve para nada.

4 comentários:

  1. consegue ser pior que interestelar? que filminho ruim, pqp

    ResponderExcluir
  2. Tony, me lembrei de "Sublime".
    Li uma crítica muito favorável semana passada e fui ver.
    Achei o filme confuso e sem nexo no final.
    Vc já viu?
    Abraço.

    ResponderExcluir
  3. Nolan talvez tenha chegado a um nível de arrogância achando que pode criar qualquer coisa sem nexo, enfiar goela abaixo e exigir ser aplaudido. Na verdade somente os seus grandes fãs estão aplaudindo e Nolan está vendo sumirem a esperada indicação ao Oscar. O filme não é só confuso, como não faz o mínimo sentido cientificamente e como roteiro. É uma salada tão grande, algo tão desnecessário que fica a dúvida se foi o mesmo diretor de "O Cavaleiro das Trevas", "A Origem" e "Interestelar".

    ResponderExcluir
  4. Parece que a maior crítica ao filme nem é a ideia fixa do Nolan com a mudança na percepção da realidade e do tempo. Mas sim com o áudio tão ruim em alguns diálogos que nem fluentes em inglês entendem algumas partes dos diálogos no original.

    ResponderExcluir