sábado, 17 de outubro de 2020

O ANO QUE RECOMEÇOU

1968 é chamado no Brasil de "o ano que não terminou", por causa do livro do mesmo nome lançado em 1988 por Zuenir Ventura. A tese do jornalista é que os acontecimentos daquele ano atribulado - manifestações estudantis em Paris, protestos nos EUA contra a Guerra do Vietnã, invasão da Tchecoslováquia por tropas soviéticas, recrudescimento da ditadura militar no Brasil - ainda repercutiam, 20 anos depois. Hoje 1968 está mais de meio século distante de nós, mas tenho a sensação de que começou outra vez. Porque voltamos a discutir assuntos que estavam em voga naquela época, como a igualdade da mulher e o autoritarismo do Estado. É incrível como uma série como "Mrs. America", que retrata a luta das feministas nas décadas de 60 e 70, soa atual. Também é o caso de "Os 7 de Chicago", o primeiro filme peso-pesado da próxima safra do Oscar. O segundo longa dirigido pelo roteirista Aaron Sorkin é um tenso drama de tribunal, condensando em duas horas o longuíssimo (mais de seis meses) julgamento de sete ativistas presos durante os protestos que tomaram Chicago durante a convenção do partido Democrata em 1968. Os sete, que originalmente eram oito, nem formavam um grupo homogêneo, e tinham estilos e objetivos muito diferentes. Mas foram tratados como terroristas pelo sistema judiciário, e foi ótimo ver o longa sem saber o veredito. O elenco quase todo masculino pode dominar a categoria de ator coadjuvante, com incríveis atuações de Sacha Baron Cohen como o tresloucado Abbie Hoffman e de Frank Langella como um juiz escroto. Os diálogos são tão teatrais e eletrizantes que suspeito que Sorkin tenha dado um upgrade na realidade, mas tá valendo. "Os 7 de Chicago é um filmaço, e também o registro de um conflito que voltou à tona.

7 comentários:

  1. Roteiro, direção, montagem impecáveis. Elenco de peso que brilha na tela. Muito envolvente e nos deixa pensando sobre o autoritarismo e a liberdade de expressão. Você ri, você fica chocado, você sente esperança, você fica indignado. E foi lançado em um momento em que precisamos relembrar o passado para não retrocedermos. Um filmão do início ao fim.

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  2. Alguém tem que morrer ....preciso do seus pitacos tony ( o que gostou e o que não gostou) o bailarino comeu os três personagens ( conheço vários homens jovens assim, fodem todas as mulheres que conseguem e para ter alguém lhe bajulando, sendo amigo, pagando cervejas eles dão esperança de um sexo sem compromisso, deixam dar uma pegadinha, uma mamada ou ficam fazendo a linha ( deixam a bicha ter um amor platônico e de alguma forma velada alimentam a esperança da iludida, ainda mais na época do filme.)

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  3. Assisti ontem. Bom filme, mas fiquei com a impressão de que anticlímax, de que acabou de repente depois de um crescendo. Também não entendi por que o diretor só explicou o que aconteceu com alguns deles - fiquei curioso e tive que ir pro Google.

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