sábado, 3 de outubro de 2020

INIMIGA DE SI MESMA

Eu cresci lendo os nomes de Betty Friedan, Gloria Steinem e Bella Abzug nas revistas. As feministas americanas tiveram seu auge político e midiático na década de 70, e essas mulheres corajosas eram notícia toda semana. Mas só agora fiquei conhecendo melhor a arqui-inimiga número 1 dessas pioneiras: Phyllys Schlafly, que liderou o movimento contra a aprovação da Emenda dos Direitos Iguais, que equiparia homens e mulheres perante a lei. É difícil crer que uma mulher seja contra isso, e os argumentos de Phyllys não paravam em pé. Ela temia que meninas fossem convocadas para a Guerra do Vietnã, ou que mulheres divorciadas perdessem a guarda dos filhos. No fundo, era uma mulher arguta e educada, que não conseguiu trabalhar na área que a fascinava - política externa e defesa - justamente por causa do machismo. Voltou então sua enorme energia para uma causa que era simpática aos homens, e fez um estrago considerãvel. Sua história é contada em "Mrs. America", uma minissérie de produção suntuosa e elenco espetacular que acaba de estrear no canal Fox Premium 1. Cate Blanchett faz a sra. Schlafly, e as grandes líderes do campo oposto são vividas, de maneira impressionante, por atrizes do calibre de Rose Byrne, Tracey Ullmann, Margo Martindale e Uzo Aduba (esta última venceu o Emmy de atriz coadjuvante em minissérie, a única vitória entre as 10 indicações  que "Mrs. America" recebeu). Além dos ótimos diálogos e da direção impecável, o programa ainda discute a fundo o maior dos temas da atualidade, que é a emancipação da mulher. É inacreditável que, quase meio século depois, ainda estejamos vivendo as mesmas situações que as personagens. Mas, como diz minha amiga Mariliz Pereira Jorge: se não existisse mulher machista, não haveria mais machismo.
Uma das coisas que mais me agradou na série foi o tema de abertura. "A Fifth of Beethoven" tocava nas festinhas e na trilha de "Saturday Night Fever", e é uma escolha pouco óbvia para um programa tão politizado. Um dos melhores de 2020.

5 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    E o que os dias que virão dirão das Bichas que hoje que apoiam Bolsonaro ao anunciar do alto de seu Ministério da Educação que homossexuais são frutos de Famílias desajustadas e outros casos que tais.
    Esses DESGRAÇADOS e Miseráveis da história se repetem.

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  2. Minhas lindas normalistas:"...Bichas de hoje que apoiam..."

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  3. Tony, acabei de ver agora um documentário grátis no Youtube chamado "Doda - The Life and Adventures of Franz Baron Nopcsa", e achei sensacional a história!
    Nopcsa foi um barão húngaro gay que se tornou um dos paleontologista muito famoso, escreveu muitos livros sobre dinossauros e que tinha um namorado albanês chamado Doda.
    Influenciado pelo Doda eles foram morar no norte da Albânia no início do século XX e juntos retrataram como era a vida lá nessas tribos, fazendo um trabalho sensacional de pesquisa e se metendo no barril de pólvora que eram os Bálcãs no período pré Primeira Guerra.
    Vale muito a pena ver e conhecer essas duas figuras muito interessantes do panteão LGBT*.

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  4. Há cinquenta anos (04/10/1970) Janis Joplin nos deixava. Partindo para sua trajetória cósmica. Era favorável a luta pelos direitos civis de mulheres, negros, LGBTQIA+ (nem tinham esse nome ainda) e outras minorias. Hoje, 04/04/2020, lutamos para não retroceder e contra o revisionismo facistóide que se instalou no mundo. Os artistas mesmo que não queiram são as pontas das lanças das transformações culturais.

    Renato Alves.

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    1. 01:18 Não só era favorável à causa como pertencia ao vale em um tempo (que nem tinha o nome armário para se sair)...os artistas não sendo sertanejos ou o Fagner e/ou Lobão, aliás vários.
      G-

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