sexta-feira, 30 de outubro de 2020

CAUTELOSAMENTE OTIMISTA

Se os Estados Unidos fossem uma democracia convencional, as eleições presidenciais do próximo dia 13 já seriam favas contadas. Não há hipótese de Donald Trump superar, nos próximos quatro dias, o abismo de 12 pontos que o separa de Joe Biden, líder em todas as pesquisas nacionais. Mas os EUA pagam o ônus de serem a mais antiga democracia em funcionamento, mantendo em sua constituição um arcaísmo feito o Colégio Eleitoral. O candidato democrata à presidência venceu seis das últimas sete eleições, mas os republicanos levaram a Casa Branca três vezes. Em 2016, o Bebê Alaranjado levou por uma margem mínima estados como o Michigan ou a Pensilvânia, desacreditando as pesquisas que davam a vitória a Hillary Clinton. Isto fez com que muita gente boa ainda duvide da esperada consagração de Biden nesta terça, mas será necessária uma improvável combinação de fatores para que ele perca. Não impossível, veja bem: o site FiveThirtyEight ainda dá 11% de chance de vitória a Trump. Sõ que para isso ele vai precisar que alguma grande confusão aconteça em um estado-pêndulo, e também de uma forcinha da Suprema Corte. Tudo isso me deixa cautelosamente otimista. A derrota de Trump terá um efeito dominó, enfraquecendo não só o Biroliro como a própria narrativa de que a extrema-direita é imbatível. Está na hora de acreditarmos que não é.

6 comentários:

  1. Eles não são imbatíveis, mas, pelos céus, como jogam sujo!
    E como são chatos!

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  2. A justificativa histórica mais conhecida é que quando o Colégio Eleitoral foi instituído, tinha por ideia dar mais poder a estados pequenos, que de outro modo passariam batidos por conta do menor número de votos a oferecer. Mesmo quem ainda o defende hoje, argumenta que é uma forma de proteger o resto do país de uma espécie de Império da Califórnia ou de Nova York, que, por questões populacionais, poderiam decidir sozinhos as eleições, caso cada voto contasse por igual.

    Segundo um livro interessante de Jesse Wegman sobre o assunto (“Let the People Pick the President: The Case for Abolishing the Electoral College”), entretanto, o Colégio Eleitoral não foi o fruto de estudos aprofundados de mentes brilhantes, mas sim foi “thrown together at the last minute by the country’s founders”. Ele continua: “it almost immediately stopped functioning as they thought it would. And yet we have generally accepted it for centuries on the assumption it serves an important purpose. It doesn’t”.

    O resultado das eleições do país inteiro tem ficado nas mãos de alguns milhares ou até de apenas algumas centenas de eleitores de um punhado de estados-pêndulo. O poder que esses poucos eleitores ganharam é completamente desproporcional e gera uma distorção enorme e claramente antidemocrática. Não compreendo a manutenção.

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  3. Não é uma democracia. Mas para nós, só resta torcer. Bolsomijo, Orgasmo de Cavalo, Bananinha, Micheque, Carluxo e a corja toda vão tremer nas bases se o bebê laranja perder. Oremos.

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  4. Tony, e sobre a ¨treta¨do Glenn com o the intercept, nada a comentar??

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  5. Infelizmente o Biden ganha no voto popular e Trump ganha no colégio eleitoral em que será eleito.

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