domingo, 13 de setembro de 2020

PÓS FERNANDA

Um ano sem Fernanda Young. Ficamos sem a peça em que ela atuaria como atriz, "Ainda Nada de Novo", que tinha estreia prevista para setembro de 2019. Ficamos sem suas crônicas comentando a tragédia em que o Brasil se tornou, mas, pelo menos, sabemos o que ela pensava do desgoverno Biroliro: um bando de cafonas. Só que Fernanda nunca foi embora para valer. Agora ela volta se manifestar no Teatro Porto Seguro, sob a pele de Maria Ribeiro. "Pós F", que entrou em cartaz na noite de ontem, é um monólogo baseado no livro de mesmo nome - a primeira incursão da autora pela não-ficção e o último que ela publicou em vida. É uma análise dos papéis cambiantes de homens e mulheres no mundo de hoje e também uma autobiografia. Maria/Fernanda fala de sua infância em Niterói, de seus medos e manias e do papel fundamental que o marido, o roteirista Alexandre Machado, teve em sua vida: "eu fui alfabetizada por ele". É lindo, é forte e é comovente. Também é interessante como espetáculo. Nada contra as milhares de peças caseiras com transmissão via Zoom que brotaram na pandemia, mas o resultado de "Pós-F" se aproxima mais do teatro presencial. Para começar, há um palco de verdade, e também uma plateia - povoada por apenas alguns técnicos, sem espectadores. As muitas câmeras também dão um dinamismo que os aplicativos de videoconferência não têm, e a diretora Mika Lins ainda teve a sabedoria de incluir uma montagem em vídeo no meio, assumindo a virtualidade da experiência. É bacanérrimo, mas também é um teaser. Fiquei seco para ver de novo, não no computador, mas sentadinho numa plateia de verdade.

6 comentários:

  1. Não sei se a crônica "Bando de cafonas" se tornou clássico/histórico devido a morte dela, ou porque é muito bom mesmo!

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  2. Sempre que leio "Um bando de Cafonas", penso nos representantes do antigo regime francês estupefatos diante da falta de classe dos revolucionários de então.

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  3. Pior foi ter visto vários minions replicando o texto da Fernanda sem se dar conta que os cafonas a que ela se referia eram os proprios. Que época sombria estamos vivendo...

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  4. Ainda em luto.
    Forever Young.

    Beijos Tony,
    Susana

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