quinta-feira, 3 de setembro de 2020

BANDA LARGA

Ano passado, quando eu fui a Nova York para assistir à entrega dos prêmios Tony, cruzei com todo o elenco de "The Boys in the Band" na plateia do Radio City Music Hall. Nada menos do que a nata da Hollywood gay contemporânea: Jim Parsons, Zachary Quinto, Matt Bomer, Andrew Rannells... Todos eles subiram ao palco quando a montagem de que participaram da peça de Mart Crowley ganhou o Tony de melhor revival. Para quem não sabe: lançado em 1968, "The Boys in the Band" foi o primeiro espetáculo mainstream a tratar abertamente da homossexualidade masculina, em primeira pessoa e sem julgamento moral. Também foi o primeiro a alcançar repercussão mundial. O sucesso na Broadway fez com que o texto ganhasse encenações pelo planeta afora, inclusive no Brasil da ditadura militar. Eu era pequeno e não vi, nem o filme de 1970 -  que condenou seu elenco ao ostracismo, de tão estigmatizados que ficaram por interpretarem bichas. Mas agora não perco o remake de jeito nenhum, que estreia na Netflix no dia 30 de setembro. O elenco é o mesmo do revival e a direção, do sumo-sacerdote da viadagem nas telas: Ryan Murphy, das séries "Glee", "Hollywood", "The Politician" e trezentas outras mais, que conseguem ser aviadadas mesmo quando todos os personagens são héteros. Portanto você, jovem, que acha que o mundo começou depois que você nasceu, venha aprender um pouco da história dos seus antepassados bibais e as barras que eles enfrentaram para que hoje você pudesse rebolar a raba nos aplicativos. "The Boys in the Band" com certeza está datada, mas é um monumento histórico da luta pelos direitos LGBT.

9 comentários:

  1. Ótima notícia esse remake, vai trazer esse clássico das gay para a massa do Netflix. Assisti o filme dos anos 70 (baixei em um site/blog de filmes gays anos atrás, quando tinha tempo para "garimpar" mais esses filmes. Fui sem expectativa alguma e tive uma grata surpresa os diálogos expõem conflitos muito modernos, gays no armário, homofobia entre as gays, tem traição também. Um filme, com ritmo rápido para a época com cara de peça de teatro, tudo aconte praticamente na sala do protagonista.
    PS: Gosto do Jim Parsons mas tá difícil desvincular ele do Sheldon.

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    1. Também acho. Em “Hollywood” ele parecia Sheldon a maior parte do tempo, mesmo com a caracterização, as roupas de época e o personagem diametralmente distinto. O que me leva a crer que ele interpreta ele mesmo. Coisa comum. Já vimos isso várias vezes. Um exemplo que me vem à mente é Lisa Kudrow.

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  2. O Mio Babbino Caro
    Acredite não dá para dizer que os dias eram tão piores que os de hoje...

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  3. Vc conseguiu ve-los de perto? Matt Bomer é bonito mesmo? Falo daquele sexy aplee dificil de explicar e que alguns artistas tem e outros nao.

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    1. Vi sim. São todos lindos. Antes de viajar, eu entrevistei o Zachary Quinto aqui em SP e até tirei selfie com ele.

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  4. Vi o filme e achei bem duro com a realidade gay.

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  5. Tony Ramos, Denis Carvalho, Raul Cortez, Paulo Cesar Pereio, Otávio Augusto e John Herbert fizeram parte do elenco da montagem brasileira no início dos 70's... Direção de Maurice Venau com assistência de Eva Vilma....

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  6. “Portanto você, jovem, que acha que o mundo começou depois que você nasceu, venha aprender um pouco da história dos seus antepassados bibais e as barras que eles enfrentaram para que hoje você pudesse rebolar a raba nos aplicativos.”

    Vrá!

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  7. Quando vc era jovem e bonito e podia rolar uma paquera de bastidores vc não tinha acesso, a vida infelizmente é assim.

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