domingo, 30 de agosto de 2020

TODA MENINA DIANA

Há exatos 23 anos, meu marido e eu estávamos em casa vendo CNN en Español, sabe-se lá por quê, quando surgiu a notícia de um acidente de carro em Paris. "Diana está grave" disse a repórter. Era um sábado à noite e eu queria ir ao cinema. Meu cônje, já dando sinais de ancianidade precoce, preferiu ficar em casa. Fui assistir sozinho "Para Roseanna", um filme do qual eu já teria esquecido há muito tempo, não fosse por aquela noite. Quando voltei para casa, o inimaginável havia acontecido: a princesa Diana, a mulher mais famosa da minha geração, havia morrido por causa do acidente. Não só ela, como também seu namorado Dodi al-Fayed e o segurança do casal. O motorista, milagrosamente, havia escapado. Diana era menos de um ano mais jovem do que eu, e sua morte foi O acontecimento de 1997 - ofuscou até mesmo o assassinato de Gianni Versace, ocorrido dois meses antes (e ela foi ao funeral do estilista). Menos de duas semanas depois, lá estava eu em Paris, mandado pela agência de propaganda onde eu trabalhava para criar uma campanha internacional de xampu. Meu primeiro dia era livre e toquei para o túnel de Alma, onde o carro de Diana havia se espatifado contra uma parede, fugindo de paparazzi em motocicletas. A entrada estava proibida para veículos e pedestres, mas eu me fiz de turista imbecil e entrei como se nada. Tirei muitas fotos do que parecia uma enorme sepultura vazia, com marcas na parede e flores pelo chão. Na saída, um gendarme tentou me chamar a atenção, mas novamente eu me fiz de idiota.

Lady Diana Spencer foi o maior terremoto jamais sofrido pela Casa de Windsor. Seus pais se divorciaram cedo e sua mãe casou de novo e foi morar na Argentina. Quando Di (um apelido inventado pela imprensa) começou a namorar o príncipe Charles, 13 anos mais velho, não teve ninguém que chegasse nela e explicasse: "você vai ser contratada por uma empresa. Ou melhor, vai entrar para uma espécie de máfia. Tudo isso é um grande teatro: Charles namora há anos uma mulher casada, e vai continuar namorando. Você só foi escolhida porque é bonitinha, nobre e, principalmente, virgem - uma raridade entre as meninas da sua idade. Então aguente firme. Tenha os filhos dele e garanta o herdeiro do trono. Ignore a Camilla e arranje você também um amante. Mas seja discreta: este é o preço que você tem que pagar para nunca mais ver um boleto na vida". 

Diana acreditou mesmo que estava vivendo um conto de fadas. Quando descobriu que não era nada disso, botou pra quebrar. Não arranjou um amante, mas vários - e não fez o menor segredo disso. Ninguém jamais irá me convencer de que o príncipe Harry não é filho de James Hewitt, com quem ele se parece até na orelha. Tudo isso fez com circulasse a teoria de que a princesa teria sido assassinada, até porque estava prestes a se casar com um muçulmano. Nisto eu já não acredito. O fato é que Diana continua sendo uma figura icônica, e sua próxima encarnação nas telas será através da divina Elizabeth Debicki, na quinta e sexta temporadas de "The Crown". Mas o filme que eu estou mesmo na pilha der ver é outro. Certa noite, louca para dar uma saidinha sem ser incomodada pelos fotógrafos, Diana foi convencida por Freddie Mercury, seu amigo e vizinho do bairro de Kensington,  a se disfarçar com uma peruca e ir com ele a uma boate gay. Isto, sim, é uma bohemian rhapsody.

8 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Eu que não sou muito tentado a essas teorias conspiratórias, nesse caso algo me diz que para evitar laços Islâmicos, digamos assim, ousaram um pouco.

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  2. Curioso, The Crown me deu outro olhar sobre a rainha. Ela de fato parece um esteio de honradez e caráter da nação inglesa, algo que poucos políticos mundiais conseguem encarnar como chefe de estado, nem precisa lembrar dos nossos.

    O príncipe Philip, a princesa Margaret, a rainha mãe, os duques de Windsor, todos ordinários, e a rainha lá, silenciosa e austera, acima de todos. Porém, na série ela não é retratada menos sensível e generosa, vide a relação tolerante dela com a irmã, princesa Margaret. Ansioso para saber como será retratada a relação dela com Diana.

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  3. Ohhh como os brasileiros ainda acham que a realidade é uma novela da Grobo....

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  4. Também me recordo com detalhes dessa noite. Estava com um grupo e todos nós, sem exceção, ficamos muito tristes.
    Difícil saber de verdade o que se passava nos bastidores, Diana foi criada na nobreza, já acostumada a essas situações.
    Aliás não sei se você sabe que houve outra Diana Spencer que também era pretendente à casar com o futuro rei, não casou e morreu cedo.
    O fato é que lady Di eclipsou, com seu jeitinho desengonçado e divertido, todas as outras do século XX. Inclusive a antipática Lilibeth que depois dela até virou uma senhorinha mais interessante.

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  5. Hola Tony,
    Lady Di, queria se divertir um pouco e no final ela, Freddie Mercury e amigos foram ao famoso Royal Vauxhall Tavern, ou RVT como chamamos por estas bandas. Um Pub com 150 anos de vida, que em principio era frequentado pelos gays, desde o principio. O RVT existe até hoje e é diversão garantida. Cheers, from West London !

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  6. Desculpa, sempre a achei uma deslumbrada patética que soube aproveitar bem em proveito próprio o acesso à família real. Nunca gostei dela. Mas tenho um viés aristocrático que isto de gente de fora nunca traz nada de bom.

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    1. Anônimo3 1 de agosto de 2020 21:31: Ora ora! Temos alguém da realeza aqui. É o príncipe da suruba gay? Se for não é realeza, pois tem mãe vira lata.

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