terça-feira, 4 de agosto de 2020

OSHUN ENERGY

Não vou entrar na polêmica da Beyoncé. Não vou entrar na polêmica da Beyoncé. Não vou entrar... Entrei. Eu não resisto, mesmo não sendo meu lugar de fala. Mesmo não tendo visto "Black Is King" - aliás, alguém sabe como ver? A porra da Disney + não existe no Brasil, e no YouTube só tem trailer e clipes. Bom, como só vi esses pedaços, não posso dizer que o novo álbum visual da diva seja isto ou aquilo. Também me faltam referências e estudo para entender tudo o que ela cita. Eu ainda estou aprendendo o que é afrofuturismo, mas acompanho a carreira da Bey desde os tempos do Destiny's Child. Tenho todos os discos dela e acho que, de uns anos para cá, a sra. Carter transcendeu o papel de uma simples cantora para se transformar numa ativista política, ainda mais ambiciosa que Madonna.


"Black Is King" é a versão em vídeo de "The Gift", o disco que Beyoncé lançou no ano passado com canções inspiradas pela nova versão de "O Rei Leão". Ela acaba de relançar o disco, sem os diálogos do filme e com algumas faixas-extra. Musicalmente, não acho seu melhor trabalho, mas é interessantíssimo que ela chame músicos africanos e afro-americanos para criar uma espécie de trilha sonora contemporânea para a negritude na diáspora. Só que agora me dá medo de criticar a Beyoncé. A historiadora branca Lilia Moritz Scharcz ousou apontar o que lhe pareceram incoerências de "Black Is King" em artigo publicado pela Folha, e teve que pedir desculpas públicas depois de ser massacrada nas redes sociais. Em sua defesa, diga-se que nem o título ou o subtítulo do artigo são de sua autoria. É comum que os editores escrevam essas chamadas, em função do espaço disponível. Mas alguns dos termos usados - "erra", "precisa entender", "artifício hollywoodiano" - sequer aparecem no texto de Lília. Mesmo assim, ela de fato sugere a Beyoncé "sair um pouco da sala de estar" no último parágrafo, o que pega mal para caralho no mundo de 2020. Enfim: muitas das reações contrárias à matéria são bastante compreensíveis. Os negros das Américas estão finalmente construindo uma nova mitologia própria. Algo que os brancos temos desde sempre, e tão enraizado que nem estamos conscientes de sua existência. Hoje em dia, há cada vez mais negros mulheres e gays em posições de poder - se não de fazer, pelo menos de dizer. E o establishment branco-macho-heterossexual anda estranhando essas novas vozes, mesmo que, muitas vezes, concorde com elas. Ou queira concordar. Ninguém quer passar por racista, mas o racismo estrutural existe e precisa ser combatido. A própria Lília reconhece isto em seu post no Instagram. Trata-se de uma intelectual séria, que há anos estuda a escravidão, e não merece ser cancelada por causa de algumas palavras mal escolhidas. Mas dizer que só um negro pode comentar o trabalho de outro negro é uma bobagem colossal. Nunca é demais lembrar: perder tempo atacando quem já está do lado certo é tudo o que os nossos inimigos querem que a gente faça.

(o título desse post é parte da letra de "Black Parade", o novo single da Bey. Ela vem se revelando devota de Oxum, orixá das águas doces e meio que equivalente a Vênus na cosmologia iorubá. Também é a minha orixá, veja só)

23 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Olha o Tony no Fio da Navalha, pisando em ovos e acertando...quase tudo!
    Quero ser igual vc quem sabe o mundo melhore rs
    ...de leve: depois de ser orientadora de tantos na temática, talvez tenha sido tentada a ser guardiã das fronteiras de criação.

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  2. Gosto tanto do dono desse blog, se todo gay branco fosse parecido com esse moço ou um Ryan Murphy...
    Tenha medo não, vc é fera!!!

    P.S. Mas não use as infelizes palavras que constam na publicação do artigo de Lilia, quando tratar de negritude, parece até que ocorreu de forma proposital, sem ponderações.

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  3. Lendo o livro "O Sol na Cabeça " do Giovani Martins dá para ter uma pequena ideia da bucha que é ser negro e pobre num país como o nosso. Numa entrevista ele contou que em um só dia ele é o irmão foram revistados pela polícia cinco vezes na Rocinha. Eu , srndo branco,nunca tomei uma batida na vida, imagina a auto estima do cara.
    Por outro lado, várias questões merecem discussão. Nos USA, em torno de 70% dos negros mal conhecem os seus pais. Normalmente quando um atleta negro na NBA vence o campeonato, é quase sempre a mãe que está lá, o pai não existe.
    Cito isso para exemplificar o longo caminho que a segregação social, econômica e cultural causa nas classes menos favorecidas e o surgimento de negros, latinos em cargos importantes, em símbolos culturais, aponta ao menos para um caminho de transformação.

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  4. O álbum é péssimo, mas no final das contas o que interessa mesmo é o barulho.

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    1. Péssimo é Ludmilla,Iza e Anitta,cópias da Beyoncé.

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  5. Os negro americanos são metidos a besta, que se dizem "afro", mas pergunte a algum deles se quer voltar para a África. Quer nada! Só conversa. Todos anglo-saxões de espírito. Esta Beyoncé quer se fazer de ativista porque está rica. Quando veio aqui em 2010 só fazia balançar a bunda.

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    1. Tão raro ver alguém sendo racista com tamanha desfaçatez. Queria saber se continuaria assim se não fosse anônimo.

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    2. Pessoal, sei que o comentário 21:31 foi “malcriado” e provavemente simplista, afinal não sou imbecil, mas sozinho eu não sou capaz de enxergar racismo nele, e gostaria de ser, já que vocês dizem ser um comentário racista. Dá medo hoje em dia pedir algo tão simples pois parece que todo mundo tem que nascer sabendo, mas vamos lá. Por favor, seja melhores que eles, só me xingar e me mandar e estudar serão respostas tão malcriadas e simplistas quanto.

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    3. Esse tipo ai só não estava muito a vontade para se manifestar mas já que surgiu a deixa. Olha ele aí. Ou alguém se esqueceu da multidão nazistas que frequentou aqui o período do Golpe.
      É Brasil bebê: "QUANDO NÅO É CANALHA NA VÉSPERA É NO DIA."
      G-

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    4. Tá bom te entendi...Leia "Manual anti racista da Djamila Ribeiro", ela tem feito esse trabalhinho...

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  6. Tony, boa noite. Tem 2 links neste post. Clica lá no 1080p ou no 720p. É pelo Torrent. Acabei de baixar. Abraços...

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    1. https://www.beyhive.com.br/noticia/2020/07/assista-black-is-king-com-legendas-em-portugues.html

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  7. Eu não acredito em “ lugar de fala “ mesmo sabendo que quem sofre na pele têm maior facilidade para descrever o que sente/passou do que os outros. Eu como homosexual sei do que já passei, mas não sei daquilo que passei sem nem saber. Das vezes em que não fui chamado para uma festa/ emprego por ser gay, das vezes que as pessoas riam de mim pelas costas, das vezes que fui deixado de lado por gostar do mesmo sexo, especialmente dentro da família, onde já me disseram:”você está sangrando não vai me passar aids”.
    E Beyoncé as vezes fica meio estranha, posando de princesa europeia... pq não princesa africana??? A cultura é tão rica.
    Também me identifico com Oxum, apesar de não ser meu orixá.

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  8. Bom que a Beyonce valorize sua origem afro representando uma orixá já que de fato os negros americanos são muito mais culturalmente anglo saxões que os negros brasileiros,apesar de poucos negros lá serem mestiços como os negros daqui que quase em sua totalidade possuem tbm ancestrais europeus,mas os portugueses como afirmou Sérgio Buarque de Holanda em seu livro "Raízes do Brasil" já eram mais abertos a misturas raciais pelo fato de terem convivido muito com judeus e árabes em seu território,isso por oito séculos,diferente dos ingleses que possuíam uma homogeneidade racial maior e que ainda eram protestantes,portanto professavam uma religião sem abertura para o culto a orixás,iconoclasta,já os católicos possuem seus santos,permitia aos negros fazer um sincretismo das religiões afros e identificarem seus orixás com os santos católicos,assim Iansã é Santa Bárbara,Ogum é São Jorge etc

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    1. Eita que agora temos aula de historia universal da humanidade em 5 min no brrroog do Tony!
      G-

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  9. Era evangélica e virou macaca maçônica TOTAL!!

    QUE VERGONHA!!!

    ESCRAVA DOS QUE ESCRAVIZARAM!

    CASAL PODRE.

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    1. 22:20 A extra terrestre
      Maluka tbm é racista.

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  10. Beyoncé faz com culturaS africanaS o mesmo que não se deve fazer com culturas não hegemônicas: tratar como se fosse uma coisa só.
    Fala em cultura africana como se Egípcios, Berberes Hutus,Tutsis, Igbos, Fulanis, Oromos, Zulus, Yorubas (para não citar a montoeira de outros povos africanos) fossem uma coisa só.
    Meio que como se alguém dissesse chinês, japonês, coreano, vietnamita, tailandês etc fosse tudo a mesma coisa.

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    1. 16:32 Hunn!!! na ânsia de fazer coro velado à critica equivocada. A coment acima só não foi informada, antes de mais uma vez por cacoete colonial de definir os demais.
      Que esse "tratar como se fosse uma coisa só" é um enfoque Pan Africano sôbre um Povo no seu Continente e na Diáspora.

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