terça-feira, 25 de agosto de 2020

ALARANJADO DESBOTANDO

Os Estados Unidos, a mais antiga democracia do planeta, mantêm um arcaísmo em sua constituição que, volta e meia, dá em merda: o famigerado colégio eleitoral. O partido Democrata venceu o voto popular em seis das sete últimas eleições presidenciais - de 1992 a 2016 - mas só levou a Casa Branca em quatro delas. Por duas vezes, os republicanos ganharam no Colégio Eleitoral, levando aos desastrosos governos de George W. Bush e Donald Trump. Quem sabe agora, quando os democratas são os favoritos para conquistar a maioria nas duas casas do Congresso, essa velharia não é varrida para o lixo? Duvido, porque os americanos gostam de acreditar que sua constituição é perfeita. Apesar das muitas emendas, ela ainda é a única que o país jamais teve. Se o sistema político de lá tem esse grave defeito, por outro lado tem uma tradição invejável. A lei determina que cada presidente só possa ser reeleito uma vez consecutiva, para impedir a eternização de caudilhos no poder. Esta norma foi copiada por muitos países, inclusive o Brasil. Mas os EUA ainda têm uma regra não-escrita que também merecia ser imitada: depois de deixar a Casa Branca, um ex-presidente nunca mais se candidata a nada. Nem a senador, governador, deputado ou síndico do prédio: na-da. Sim, ele mantém bastante prestígio e influência, e seu aval costuma ser importante para os novos candidatos - como Clinton e Obama estão fazendo agora com Biden. Mas a atuação dessas figuras costuma ser discretíssima, e ninguém jamais cogita que eles concorram de novo a qualquer posto eletivo. Isto abre caminho para novas lideranças e evita o personalismo excessivo. Já pensou, que paz reinaria no Brasil se Lula, Sarney e Collor já tivessem largado o osso? Só FHC seguiu este belo exemplo. Esta tradição me fez sorrir ontem à noite, enquanto eu assistia aos tenebrosos discursos da convenção republicana. A provável derrota de Trump em novembro fará com que ele praticamente desapareça da política! O Bebê Laranja talvez lance um dos filhos patetas para algum cargo, e/ou talvez volte a apresentar programas trash na TV. Mas nunca mais terá poder político para valer. Não é um pensamento delicioso?

ATUALZAÇÃO; Uma amiga minha questionou se a Atenas do século 5 a.C. não seria a mais antiga democracia do planeta. Sim: em termos históricos, sim, e o próprio termo "democracia" nasceu na Grécia. Talvez tenha faltado eu acrescentar que os EUA são a mais aniga democracia EM FUNCIONAMENTO.

17 comentários:

  1. Critica-se muito o sistema eleitoral americano, mas o sistema de se eleger por "maioria de votos" como no Brasil também gera frutos terríveis, como Crivela, Bolsonaro, Dilma, entre milhares de outros. E lá nos EUA, também não faltam exemplos de eleitos pelo povo que são uma piada.
    Qualquer sistema é manipulado pelos mais hábeis(que com frequência também são os menos éticos).
    Confiar poder a político me parece sempre uma estratégia burra.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ai Bruno, cala a boquinha vai

      Excluir
    2. A democracia moderna é bem mais que a "maioria dos votos". Isto só acontecia na Grécia antiga, quando os homens proprietários de escravos se reuniam na ágora (praça pública) e levantavam as mãos para votar.

      Hoje em dia, as democracias permitem, sim, que demagogos e populistas sejam eleitos, como Trump e Biroliro. Mas elas também trazem a reboque as INSTITUIÇÕES: divisão de poderes, "checks and balances", liberdade de expressão e de imprensa, mercado mais ou menos livre, previsibilidade. Ainda não inventaram nada melhor.

      Excluir
  2. Que Deus, Facebook, Google e Twitter te ouçam!
    Na verdade eles já devem tá ouvindo mesmo

    ResponderExcluir
  3. Não tão depressa. Vem aí a vacina fake, que ele vai alardear aos 4 ventos em outubro, no papel de grande salvador da nação. Resta saber se os americanos vão cair nessa ou não. Mas como já cairam uma vez, a gente sempre fica preocupado.

    ResponderExcluir
  4. Tony, posso te pedir um negocinho?

    Fica sem torcer, por favor! rs

    ResponderExcluir
  5. Sei não,Tony todo mundo falou que o laranjão ia perder em 2016, até os institutos de pesquisa,ele ganhou,vc tem mania de subestimar demais esses populistas de extrema direita,podemos torcer sim,eu torci muito para ele perder em 2016 e quando ninguém esperava ele ganhou.E eu não acho o The Apprentice trash rss,até gostava,também gostei da versão brasileira com o Justus

    ResponderExcluir
  6. O erro é focar toda a energia no ataque a Trump e oferecer como alternativa... o (cringe) Joe Biden.

    Enquanto seguirem com as mesmas ações, esperando um resultado diferente, vai ser flop atrás de flop.

    ResponderExcluir
  7. O Mio Babbino Caro
    Podem até vencer mas confirmo que é o canto de cisne dos WASP. Tanto lá qto. a versão Jeca daqui...a daqui talvez ainda tenha uma sobrevida.

    ResponderExcluir
  8. O FHC se recolheu depois da Presidência por um motivo bem mais pragmático: baixa popularidade! Tanto que foi deliberadamente escondido pelo PSDB nas eleições de 2002, 2006 e 2010, vindo a ser relembrado somente em 2014, quando já havia um nascente sentimento antipetista em jogo. Não sabemos se o FHC teria se mantido na discrição se tivesse terminado seu mandato com a elevada aprovação do Lula, por exemplo... Mas concordo com essa tradição americana e vou além, deveria ser proibida a reeleição e ponto!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mas ela custou tão caro pra comprar no governo FH...

      Excluir
    2. Anônimo 26 de agosto de 2020 14:36 e Daniel Cassus: Eu iria comentar, mas vocês o fizeram por mim. Obrigado!

      Renato Alves.

      Excluir
  9. Pra quê?Acabando a reeleição,vão fazer igual Maluf.
    Inventar novos Pittas!!!!!!!!!Quanta ignorância!!!!

    ResponderExcluir