quinta-feira, 16 de julho de 2020

NA PAREDE DA MEMÓRIA

Este ano está sendo um strike na cultura brasileira. Não bastasse o desmantelamento do aparato cultural do Estado pelo desgoverno Biroliro, muitos nomes de peso estão nos deixando. Hoje foi a vez da fotógrafa Vania Toledo. A garotada talvez nem saiba quem foi, mas Vania registrou com suas lentes boa parte do agito brasileiros das décadas de 1960 a 1990. Sua obra que mais me marcou foi o livro "Homens", lançado em 1980 e hoje fora do prelo. Imagina só se uma ideia parecida seria viável nos dias de hoje: um monte de famosos tiraram a roupa, posando para imagens em preto-e-branco que combinavam erotismo e intimidade de maneira elegante. A lista incluía Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Roberto de Carvalho e vários outros desinibidos. Causou espécie na época, mas não escândalo: já sopravam os ventos da abertura política, e o Brasil daquela reta final da ditadura militar era, em muitos aspectos, bem menos careta que o atual. Confira aqui mais trabalhos da Vania Toledo, e veja só que talento nós perdemos.

15 comentários:

  1. Sou louco no Roberto de Carvalho, que pena que ele não aparece em nu frontal, adoraria transar com ele.

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  2. Caetano já cruzei com ele várias vezes, pedante e enjoado.

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    1. OUTRO CENSURADOR!

      Que nem o Tony!

      Só que é super HIPÓCRITA: "É PROIBIDO PROIBIR!"

      Sei!

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  3. O Mio Babbino Caro
    Poxa! Que tristeza, realmente parece que o interessante está em sair desse buraco em que com a humanidade nos metemos. Isso tá um lixo e sabemos bem quem nos trouxe até aqui.

    https://youtu.be/tHpSNfZoRGM

    Não precisa chegar a tanto, mas as coisas eram bem melhores.

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  4. minha impressão é que todo mundo sensualiza e tenta parecer desejável mas estão todos se masturbando pra pornô e não trepando

    nudez masculina é muito tabu ainda

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    1. Vc tem razão, mas eu continuo querendo dar para o marido da Rita lee!

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  5. Tony, será que o país era mesmo menos careta, ou apenas não havia internet dando visibilidade pra todo mundo opinar/reclamar/repercutir?

    Quando o Viva reprisou Vale Tudo pela primeira vez, há quase 10 anos, lembro de ter ficado um pouco chocado com uma cena em que um amigo do personagem de Riccelli, até então visto apenas como mulherengo e boa-vida, é abordado por um cara dentro de um carrão, enquanto caminhava pela orla do Rio. O motorista joga uma cantada barata, o personagem sorri de forma cafajeste e não hesita em entrar no carro. A cena é bem rápida, não tem continuação, e quem não estivesse prestando atenção talvez piscaria o olho e perderia - é quase um Easter Egg. Mas tá lá, michê na cara da família brasileira, às 8 da noite, em 1989.

    Hoje uma cena dessa criaria uma celeuma gigantesca nas redes sociais. Me pergunto então: a sociedade de 1989 era mais liberal, ou apenas o alcance das reclamações era menor?

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    1. Essa é uma boa pergunta. Não temos como saber, mas é meio óbvio que a internet deu voz a uma direita que nem sabíamos que existia.

      Só que, em 1980, o Brasil estava exausto da ditadura. Foi a época em que a censura começou a liberar todos os filmes antes proibidos, como "O Último Tango em Paris" e "O Império dos Sentidos". Alguns anos depois, já na democracia, a nudez invadiu a TV de um jeito impensável para os dias de hoje.

      Lembro de uma reação contrária à onda liberalizante: um movimento chamado Senhoras de Santana, super conservador. Ninguém levou muito a sério, porque eram mulheres velhas. Ninguém dá ouvidos a mulher velha.

      Fora que, naquela época, os evangélicos não tinham metade da força que têm hoje.

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    2. Tem uma priminha/"sobrinha" que um dia estava brincando pelada junto com a leva de crianças da família e eu comecei a cantar "Pelado Pelado Nú com a mão no bolso!" do Ultraje.

      Ela ADOROU essa música. Ela mora longe, e toda vez que vinha aqui lembrava dessa música e cantava para mim!

      Bom um dia ela visitou aqui em casa e tive a idéia de procurar no youtube a música! Daí encontro a abertura da novela da época que usou ela como tema, e o cara estava PELADO MOSTRANDO A BUNDA!!!

      Ela viu e ficou toda envergonhada e eu expliquei que era uma abertura de novela!

      QUE SAUDADES DESSE BRASIL QUE CRESCI COM! Era um Brasil muito mas muito mais LEGAL que esse evangelho hipócrita reacionário de hoje em dia!

      Minha sunga era dois dedos de largura! Quando voltei e usei quase me bateram! Agora é essa cueca samba canção horrorosa "macho" CHUPADORES DE PAUS DE TRAVESTIS ****STILL****!!!

      Não dá para aturar!

      Estou só que nem aquela música do Raul "esperando a morte chegar". Ou do Mutantes "Ocupado em nascer e morrer"!

      CHEGA!!!

      VÃO SER BREGAS NUM SHOW DE SERTANEJO VÃO!!!

      Rezar comandados por um "pastor" canastrão vão!

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    3. Precisamos concordar que esse é o melhor post de Mono em muitos anos-luz. N.

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    4. Discordo! Faço tantos todos os dias!! Que perdi as contas!

      Conta aí!

      É só dedar o cu e abrir os olhos!

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    5. Pronto, voltou à programação normal.

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  6. Os anos 70 e 80 foram mais liberais e culturalmente mais avançados. Lembro quando criança, a Marília Gabriela e a Marta Suplicy falando sobre orgasmo, no TV Mulher nas manhãs da Globo. Hoje temos uma "adulta" conversando com um papagaio de borracha...

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  7. Tony, lembrei agora que em Vale Tudo o personagem do Carlos Alberto Riccelli foi pra Europa fazer programa com um príncipe! E ele ainda traz o cara pro Brasil pra tentar convencer Maria de Fátima a casar com ele de fachada. Ao contrário da cena solta que citei antes, nesse caso houve um subplot. Numa rápida pesquisa achei um trecho do script. Isso foi em 1988. Imagina hoje.

    CENA 52. quarto de hotel de luxo. ambiente. Interior. Noite.
    Fátima e César tomando um drink, depois do amor.
    César — No início foi duro, porque a grana que aquele desgraçado deixou a minha mão não dava nem pra saída... Cheguei a andar pela Europa de carona, Fátima, na minha idade... já pensou?
    Tempo. Fátima não responde. Ainda gosta de César. Passa isso no olhar.
    César — Mas acabei me dando relativamente bem...
    Fátima — Como?
    César — Conheci um cara... Um príncipe de uma das famílias mais antigas de Milão... Príncipe de Volterra... Você vai conhecer o Giovanni... Boa praça, não é de tar chateando ninguém...
    Fátima — Ele tá aqui no Brasil?
    César — Por tua causa.
    Fátima — Do que é que você tá falando? Um príncipe? Olha César, fazer hora com a minha cara não, tá, que você já me sacaneou demais.
    César — (animado) Mas é que pintou um esquema que pode ser muito bom pra nós dois. O Giovani resolveu entrar pra política, partido conservador... Vai concorrer às próximas eleições, deputado pela Lombardia... Só que... sabe como é... correm certos boatos sobre ele... Daí ele tá precisando duma mulher, pra se casar e tapar a boca da oposição, tá entendendo?
    Fátima — E é pra ficar casada com esse cara o resto da vida?
    César — Não. Ele faz um contrato, lavrado em cartório, se você topar... Fátima, você não imagina a grana que tem nessa jogada, uma das famílias mais ricas de Milão... Um casamento só pra constar, eu fico morando na mesma casa que vocês... Ele faz um pacto antenupcial... Pelos cálculos da família e a assessoria do partido político... tão dispostos a dar pra essa mulher que topar o casamento um milhão de dólares por ano, e dificilmente você vai precisar ficar casada por mais do que 5 anos...
    Tempo. Fátima pensativa. César faz um carinho nela.
    Fátima — Sabe que o nosso filho vai fazer dois anos amanhã?
    César — Olha, não vai dar pra tar misturando estações não, viu Fátima?... Ou bem a tua mãe, com aniversário de criança... o bem Princesa de Volterra, circulando nas melhores rodas da Europa. Quem tem que sabe que vida tá a fim de levar é você!

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